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"Não vamos buscar conflito": o que Javier Milei já disse sobre as Malvinas

Milei nunca abandonou a reivindicação argentina sobre as Malvinas. Desde a campanha presidencial, em 2023, o libertário afirma que as ilhas pertencem à Argentina

Por Notícias ao Minuto
Publicada em 16/07/2026 às 15h32
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A vitória da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo 2026 reabriu uma antiga ferida diplomática após os jogadores exibirem a faixa "Las Malvinas son argentinas". Em meio à repercussão, o presidente Javier Milei voltou a comentar o tema, sobre o qual tem adotado posições mais moderadas do que a de seus antecessores.

Milei nunca abandonou a reivindicação argentina sobre as Malvinas. Desde a campanha presidencial, em 2023, o libertário afirma que as ilhas pertencem à Argentina, mas sustenta que sua recuperação deve ocorrer exclusivamente por meios diplomáticos. Logo após vencer a eleição, ele declarou que a guerra de 1982 foi perdida e que o país deveria fazer "todos os esforços para recuperar as ilhas pelos canais diplomáticos".

O discurso foi mantido após assumir a presidência. Em abril de 2024, durante uma cerimônia em homenagem aos mortos da Guerra das Malvinas, Milei classificou como "inabalável" a reivindicação argentina de soberania. Na ocasião, afirmou que seu governo faria uma "reivindicação real e sincera", em vez de apenas repetir discursos em fóruns internacionais.

A prosperidade virou parte da estratégia. No mesmo pronunciamento, Milei passou a relacionar a disputa territorial ao desempenho econômico do país. "Não há soberania sem prosperidade econômica e não há prosperidade econômica sem liberdade", afirmou, argumentando que uma Argentina mais forte teria mais condições de sustentar sua posição diante do Reino Unido.

O presidente adotou um tom mais pragmático em entrevistas. Em maio de 2024, em entrevista à BBC, Milei reconheceu que as Malvinas estão atualmente "nas mãos do Reino Unido" e admitiu que "não existe solução instantânea" para recuperá-las. Segundo ele, uma eventual negociação pode levar décadas.

Milei se posicionou contra um confronto direto. "Não vamos renunciar à nossa soberania, nem vamos buscar um conflito com o Reino Unido", afirmou. Na mesma entrevista, ele disse acreditar que Londres pode aceitar negociar no futuro, ainda que não demonstre disposição no presente.

A posição contrastou com governos anteriores. Embora mantivesse a reivindicação territorial, Milei abandonou o tom mais combativo adotado por administrações kirchneristas, que frequentemente resumiam sua posição no slogan de que as Malvinas "foram, são e serão argentinas". Suas declarações também provocaram críticas de setores nacionalistas, especialmente por reconhecer a situação atual do arquipélago sob administração britânica.

A admiração por Margaret Thatcher aumentou as críticas. Antes mesmo de assumir a Presidência, Milei já havia declarado que considerava a ex-primeira-ministra britânica uma das maiores líderes políticas do mundo. Como Thatcher comandou o Reino Unido durante a Guerra das Malvinas, a posição provocou forte rejeição entre ex-combatentes argentinos, que passaram a questionar a coerência do presidente ao defender a soberania das ilhas.

Milei passou a defender uma espécie de "conquista pelo exemplo". Em abril de 2025, durante as comemorações do aniversário da guerra, o presidente afirmou que deseja transformar a Argentina em uma potência para que os próprios habitantes das Malvinas "prefiram ser argentinos". Segundo ele, o objetivo é que um dia os moradores do arquipélago "votem com os pés" pela Argentina.

Declaração abriu uma nova controvérsia. A fala foi vista por parte da oposição como uma aproximação do princípio da autodeterminação defendido pelo Reino Unido. A posição oficial argentina, no entanto, sustenta que esse princípio não se aplica às Malvinas porque a população original teria sido expulsa após a ocupação britânica de 1833.

O discurso voltou a endurecer em 2026. Em abril deste ano, após os Estados Unidos ameaçarem rever sua posição sobre o arquipélago em meio a atritos diplomáticos com o Reino Unido, Milei publicou nas redes sociais que as Malvinas "foram, são e sempre serão argentinas". Analistas argentinos interpretaram a mudança como um endurecimento da retórica em um momento de queda de popularidade do governo.

A manifestação dos jogadores recebeu apoio do presidente. Depois da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, Milei minimizou a exibição da faixa "Las Malvinas son argentinas" e afirmou que a atitude foi consequência da emoção do momento. Segundo ele, uma eventual punição da Fifa seria apenas uma questão esportiva.

"O que acontece em campo com os jogadores não é assunto para diplomacia. Na pior das hipóteses, a Argentina receberá uma multa de US$ 30.000", disse Javier Milei em entrevista ao El Observador.

Ao mesmo tempo, Milei procurou separar futebol e diplomacia. O presidente afirmou que é "perfeitamente válido" que os jogadores expressem um sentimento compartilhado pelos argentinos, mas disse que um jogo de futebol não deve ser confundido com a política externa do país. Também voltou a defender que a recuperação das Malvinas ocorrerá "no plano diplomático e com inteligência no atuar".

A fala também serviu para criticar o nacionalismo de sua vice. Sem citar diretamente Victoria Villarruel, que havia relacionado a partida à Guerra das Malvinas e chamado os britânicos de "piratas usurpadores", Milei afirmou que não se deve cair em "slogans nacionalistas baratos, populistas e ultrapassados".

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