A Copa do Mundo de Futebol vai caminhando para o seu final sem a Seleção Brasileira, que foi eliminada nas oitavas de final, mas ainda mobiliza o planeta. Prova de que o futebol continua sendo o esporte coletivo de maior repercussão mundial. Até os Estados Unidos, onde o beisebol sempre predominou, estão priorizando a participação no chamado Esporte das Multidões.
Como a Copa do Mundo, para o Brasil, já terminou há dias, a política volta ao centro dos noticiários, pois teremos eleições gerais em outubro, quando serão eleitos ou reeleitos o presidente da República, os governadores e seus respectivos vices, os ocupantes de duas das três vagas de cada estado e do Distrito Federal no Senado, além dos deputados federais e estaduais.
Em Rondônia, a sucessão estadual predomina entre os políticos e ganhou maior força após a desclassificação do Brasil, pois terão início, no próximo dia 20, as convenções partidárias, período em que serão definidos os candidatos aos diversos cargos eletivos, exceto aos de prefeito, vice-prefeito e vereador, cujos ocupantes foram eleitos ou reeleitos em 2024.
A sucessão estadual monopoliza os bastidores da política, com os dirigentes partidários definindo os nomes que estarão em busca dos votos. Já temos vários pré-candidatos, alguns deles já definidos, inclusive com os vices em pré-campanha, logicamente obedecendo às determinações da Justiça Eleitoral.
Dentre os vários pré-candidatos, três já estão em pré-campanha, percorrendo o estado e visitando lideranças regionais: dois ex-prefeitos e um senador, todos considerados “bons de voto”, pois já enfrentaram as urnas em eleições anteriores.
Os ex-prefeitos são Hildon Chaves (UB), que exerceu dois mandatos seguidos em Porto Velho, e Adailton Fúria (PSD), também com dois mandatos seguidos em Cacoal. A capital é o maior colégio eleitoral do estado e, nas eleições municipais de 2024, tinha 362.248 eleitores aptos a votar; Cacoal era o quinto, com 69.088, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Senador com mandato até o final do ano e presidente regional do PL, Marcos Rogério, que já foi vereador em Ji-Paraná e deputado federal, trabalha sua pré-candidatura desde as eleições de 2022, quando concorreu ao governo e foi derrotado no segundo turno pelo atual governador, Marcos Rocha (PSD), que foi reeleito, apesar de Rogério aparecer, na época, nas pesquisas e enquetes como franco favorito.
Chaves tem como vice o deputado estadual Cirone Deiró (UB), de Cacoal, que foi o quarto mais votado em 2022, somando 22.207 votos. Ele já foi vice-prefeito de seu município. Formam uma parceria considerada correta para as eleições, com a composição de lideranças da capital e do interior.
Fúria segue o mesmo caminho e tem como vice o empresário da área de comunicação Everton Leoni (PSD), que já foi deputado estadual e tem domicílio eleitoral em Porto Velho. A estratégia é a mesma: candidatos da capital e do interior.
Já Marcos Rogério fugiu à regra. Seu vice é o deputado estadual e delegado Rodrigo Camargo (Podemos), que é de Ariquemes, terceiro maior colégio eleitoral do estado, com 73.201 eleitores aptos a votar em 2024. Entre os 24 deputados eleitos e reeleitos em 2022, Camargo se elegeu com 11.804 votos. A exemplo de Rogério, é um político de extrema direita.
Com a proximidade das convenções e após o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral — cujo prazo máximo é 15 de agosto —, a campanha eleitoral terá início no dia 16 do mesmo mês.
Temos outros nomes, como Expedito Netto (PT), Samuel Costa (PSB), Pedro Abib (MDB) e Luiz Carlos Teodoro (PSOL), que também estão na disputa pelo Governo do Estado, mas as pré-campanhas estão sendo realizadas de forma mais moderada, com participações em debates e visitas às lideranças regionais.
Fúria conta com uma estrutura política maior, pois tem o apoio do presidente regional de seu partido, o PSD, o governador Marcos Rocha. Admitam ou não, a “máquina” administrativa representa muito na política, pois boa parte dos prefeitos depende bastante do governo e segue suas orientações. Os vereadores seguem os prefeitos, e o mesmo ocorre sucessivamente com as lideranças regionais — comerciais, agrícolas, sociais e da saúde —, que dependem de todos.
A experiência e a participação direta com a população, por meio dos órgãos de comunicação do vice Everton Leoni, são fundamentais em um processo político-eleitoral, embora eles não possam ser usados na campanha eleitoral, a não ser no Horário Eleitoral Gratuito.
O deputado Cirone Deiró é um vice estratégico. Além dos mais de 22 mil votos obtidos na reeleição em 2022, ele irá dividir o eleitorado de Cacoal e da região com Fúria. Isso é fundamental para Hildon, que tem domicílio eleitoral em Porto Velho.
Já Marcos Rogério e o delegado Camargo fugiram à regra. Ambos são do interior, de Ji-Paraná e Ariquemes, respectivamente.
O fiel da balança poderá ser o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, que preside o Podemos no estado e “bancou” a pré-candidatura de Camargo. Léo teve um primeiro ano difícil, pois o orçamento de 2025 foi elaborado pelo prefeito anterior, Hildon. Suas prioridades e seus compromissos de campanha estão sendo aplicados a partir deste ano, pois o orçamento foi elaborado por ele e por sua equipe.
Porto Velho é um município difícil de ser administrado. Tem uma área territorial de 34 mil quilômetros quadrados e 12 distritos, alguns com estrutura superior à de vários municípios e até de alguns países. Há distritos situados a 400 quilômetros da sede. Porto Velho tem mais de 7 mil quilômetros de estradas vicinais e uma área fluvial enorme.
Como a Copa do Mundo deixou de ser prioridade para os brasileiros, que não conquistaram o hexa e acumularam mais uma derrota em Mundiais, a política retoma a “ordem do dia”. A disputa pela sucessão estadual promete ser ferrenha, inclusive sem chances de vitória no primeiro turno. Quem tem chances de chegar ao segundo turno já deve negociar apoio para essa etapa, a fim de evitar denúncias e agressões verbais no primeiro turno e, depois, ter de engolir tudo no segundo, ao pedir apoio e ocupar o mesmo palanque.
Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém...


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