PORTO VELHO, RO - A disputa pelas duas vagas de Rondônia no Senado Federal já mobiliza lideranças partidárias e pré-candidatos de diferentes espectros políticos, com ao menos 12 nomes colocados no tabuleiro eleitoral antes mesmo das convenções partidárias. O número, que já supera a quantidade de jogadores de um time de futebol, ainda pode crescer até o período oficial de definição das candidaturas, marcado para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.
Nas eleições gerais de outubro, os eleitores irão escolher presidente da República, governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. No caso do Senado, estarão em disputa as cadeiras atualmente ocupadas por Confúcio Moura e Marcos Rogério, cujos mandatos se encerram em 2026. O terceiro representante de Rondônia na Casa Alta, Jaime Bagattoli, eleito em 2022, permanece no cargo até 2030.
Entre os nomes já posicionados na disputa aparece o empresário e ex-senador Acir Gurgacz, presidente regional do PDT. Ex-prefeito de Ji-Paraná e ex-integrante do Senado, ele retorna ao cenário após período de inelegibilidade e figura como um dos postulantes de maior densidade eleitoral.
Outro ex-senador na lista é Amir Lando, que também foi ministro da Previdência Social, deputado federal, deputado estadual e líder do Governo Lula no Congresso Nacional em 2003. Sua eventual candidatura adiciona experiência institucional ao grupo de postulantes.
Dois deputados federais com votação expressiva em 2022 também aparecem entre os pré-candidatos. Fernando Máximo, eleito à época pelo União Brasil e atualmente no PL, foi o deputado federal mais votado do estado, com 85.596 votos. Ex-secretário estadual de Saúde durante a pandemia, ele mantém presença recorrente entre os nomes mais citados em pesquisas e consultas públicas.
Também integra a lista a deputada federal Sílvia Cristina, presidente regional do PP, segunda mais votada em Rondônia na eleição para a Câmara em 2022, com 64.941 votos. Levantamentos de intenção de voto divulgados por institutos especializados a colocam entre os nomes mais competitivos da corrida.
A ex-deputada federal e ex-vereadora de Porto Velho Mariana Carvalho também é apontada como possível candidata. Ela disputou o Senado em 2022, quando foi derrotada por Jaime Bagattoli. Antes disso, concorreu à Prefeitura de Porto Velho em 2012, alcançando mais de 17% dos votos válidos, e voltou a disputar o Executivo municipal em 2024, chegando ao segundo turno com 44,53% dos votos válidos, mas sendo derrotada por Léo Moraes.
No campo da esquerda, o PT lançou a pré-candidatura de Luciana Oliveira, ativista política vinculada historicamente ao partido e próxima das principais lideranças petistas no estado. Seu nome foi oficializado recentemente pela legenda.
Outra figura cotada é a ativista indígena Neidinha Suruí, fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental e reconhecida por atuação superior a quatro décadas na defesa dos povos indígenas e de pautas ambientais na Amazônia.
Ji-Paraná concentra ainda outro nome no radar da disputa: o pecuarista Bruno Scheid, que deverá utilizar eleitoralmente o sobrenome “Bolsonaro”, em referência à proximidade política e pessoal com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores também surgiu recentemente o nome de Luiz Fernando, ex-secretário de Estado da Fazenda e servidor público filiado ao PSD. A legenda é presidida em Rondônia pelo governador Marcos Rocha, que já articula no partido a pré-candidatura de Adailton Fúria ao Governo do Estado.
O deputado estadual Rodrigo Camargo, do Podemos, também vinha sendo citado como possível postulante ao Senado, embora interlocutores de seu grupo político indiquem que ele pode redirecionar seus planos eleitorais após convite para compor chapa majoritária ao Governo.
Outro nome ventilado é o de Aires Mota, dirigente partidário do PV, que trabalha internamente para viabilizar sua entrada na disputa.
Por fim, a situação do senador Confúcio Moura permanece cercada de indefinição. Embora seja um dos detentores da cadeira em disputa, informações de bastidores indicam que ele pode não buscar a reeleição. A possibilidade estaria ligada a articulações nacionais do MDB e à eventual participação do parlamentar em um ministério no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cenário que ainda depende de definições políticas e partidárias até o período das convenções.
Com múltiplos nomes experientes, candidaturas em construção e articulações ainda em aberto, a disputa pelo Senado em Rondônia desponta como uma das mais concorridas e imprevisíveis do próximo ciclo eleitoral.



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