PORTO VELHO, RO - O pré-candidato ao governo do estado de Rondônia Adailton Ferreira Antunes, o Adailton Fúria, foi o convidado da sétima edição do podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. Ao longo da conversa, o ex-prefeito de Cacoal não mediu palavras para criticar o senador Marcos Rogério, classificar como fraudulenta uma pesquisa eleitoral, a última do instituto Veritá, que ele mesmo acionou na Justiça, defender a realização de uma grande manifestação pública contra o pedágio instalado na BR federal que corta o estado e apresentar sua trajetória como a de alguém que construiu tudo a partir do zero, bem antes de entrar na política.
Antes de falar sobre candidaturas e gestão pública, Fúria fez questão de recuar no tempo para apresentar o que considera a parte mais importante de sua história. Nascido em Rondônia, filho de uma família que chegou ao estado há cinquenta anos, ele disse ter saído para a vida com dez anos de idade. "Eu comecei como picolezeiro, engraxate, já fui repositor de mercado, churrasqueiro, já mexi com antenas parabólicas naquela época que você só tinha comunicação através das antenas, trabalhei com eventos durante dez anos. Os eventos me impulsionaram para a eleição de 2012, e naquela ocasião eu atribuo o meu conhecimento, a visibilidade através dos eventos, ter me tornado ali o quinto vereador mais votado da cidade de Cacoal", relatou. Para ele, essa origem é o que sustenta sua disposição para enfrentar os desafios de governar o estado. "O cara que correu no Brasil inteiro vai ter medo? Eu não vou", afirmou em outro momento da entrevista.
Essa trajetória, segundo Fúria, carrega um significado que vai além da sua história pessoal. Ao longo da conversa, ele retornou diversas vezes à possibilidade de Rondônia eleger, pela primeira vez, um governador nascido no próprio estado. "Nós teremos condições de tão breve ter o primeiro governador nascido no estado de Rondônia. E eu acredito que isso vai ser uma grande virada de página, porque é o estado de Rondônia começando a colher os frutos da sua história, dos seus filhos, filhos dessa terra tão promissora que a minha família chegou aqui há cinquenta anos atrás", declarou. Para o pré-candidato, esse dado não é apenas simbólico, mas também prático: um governador nascido no estado conheceria de perto tanto a realidade do interior quanto a da capital.
A declaração mais contundente da entrevista veio quando o tema era o pedágio na única rodovia federal de Rondônia. Fúria afirmou que, se eleito governador, convocará a sociedade civil e a classe política para uma mobilização de rua. "O pedágio do estado de Rondônia precisa chamar a sociedade civil organizada, a classe política, e se preciso for, fazer uma grande manifestação de estado, uma manifestação de estado, com o líder maior do estado à frente, para chamar a atenção da bancada federal junto com a Presidência da República, para buscar uma solução para o pedágio", disse. Em seguida, acrescentou: "O que não dá é pra ficar do jeito que tá e todo mundo pagando a conta."
O pré-candidato foi ainda mais longe ao evocar um episódio histórico de Cacoal para ilustrar o nível de pressão popular que, segundo ele, pode ser necessário. "Lá em Cacoal, em 1984, tentaram resolver o problema da energia, não conseguiram. Sabe o que a população fez? Foi lá e incendiou a prefeitura. Aí resolveram o problema", afirmou, completando com a afirmação que atravessou a entrevista: "Meu amigo, nós estamos numa guerra! Se preciso for, nós temos que ir pro pau! Ou nós vamos deixar isso aí acabar com o nosso estado?"
A crítica ao senador Marcos Rogério foi direta e detalhada. Fúria relembrou que o estado conta com dois senadores [não mencionou Jaime Bagattoli, do PL, o terceiro] e comparou as posturas de cada um diante do processo de concessão da rodovia. "Nós temos o senador Confúcio Moura, que ergueu a bandeira e falou assim: eu defendo a implantação do pedágio em Rondônia. E depois você tem o segundo senador, que é o senador Marcos Rogério, que não levantou bandeira nenhuma", declarou, antes de perguntar retoricamente ao entrevistador: "Você entendeu a minha revolta como eleitor de Rondônia?" Para Fúria, a omissão foi grave porque houve oportunidades formais de participação. "Houve várias audiências públicas. O senador Marcos Rogério não participou de nenhuma. Não fez a função dele como senador da República, que é nos defender e fiscalizar a elaboração desse contrato", afirmou.
O pré-candidato também criticou a postura do senador após a implantação da cobrança. "Ah, montaram a praça de cobrança. Não, tô cobrando o pedágio mais caro de Rondônia. Aí o camarada aparece, buscando soluções pra algo que já foi contrato assinado, implantado no estado e já está cobrando? Vai pentear macaco em outro lugar, meu irmão. Para de história. Diga assim: olha, eu falhei, eu não defendi. Peço desculpas ao povo de Rondônia", discursou. E acrescentou: "Seja verdadeiro com o povo de Rondônia."
Além do pedágio, Fúria estendeu sua crítica à questão da energia elétrica e conectou os dois temas à mesma lógica de cobrança política. "O senador Marcos Rogério foi o relator da privatização da Eletrobras. Lá no relatório do senador, ele deixa claro que é de parecer favorável porque a energia de Rondônia do Brasil ia ficar mais barata. Que dia que você pagou energia barata? Me fala o dia que você pagou uma conta de energia barata no estado de Rondônia. Então é muita crueldade com o nosso povo", afirmou. Sobre a Energisa, concessionária responsável pela distribuição no estado, Fúria foi categórico: "A Companhia de Energia do Estado, a Energisa, se prepare para começar a fazer a função social dela dentro do nosso estado, que é o principal produtor de energia do Brasil. Rondônia hoje tem a maior produção de energia do Brasil. Não justifica o rondoniense pagar tão caro na conta de energia."
Para o pré-candidato, os dois fatores, pedágio e energia cara, são diretamente responsáveis por afastar investimentos do estado e comprometer a vida da população mais simples. "Que indústria vai vir pro estado de Rondônia com o pedágio do preço que tá? Ninguém! O que tem aqui tá querendo ir embora. Isso vai inviabilizar o custo de vida de Rondônia e vai impedir a chegada de novas indústrias no nosso estado. Sem contar que a energia já é um peso para as grandes indústrias. Elas levam tudo isso na ponta da caneta", declarou. Questionado sobre o que poderia fazer de prático em relação ao pedágio na condição de governador, Fúria respondeu que a solução passa por mobilização política e pressão organizada sobre a bancada federal e a Presidência da República, tendo o governador como protagonista dessa articulação.
Ao ser perguntado sobre os planos concretos para o estado, Fúria apresentou três eixos prioritários de governo: saúde, infraestrutura e segurança pública. Segundo ele, esses três pontos compartilham um problema comum que precisa ser atacado imediatamente. "Todos eles nós temos uma defasagem muito grande de mão de obra. Então, concurso público do estado de Rondônia e contratação de mão de obra precisa acontecer", afirmou. O pré-candidato também defendeu uma reorganização orçamentária que começa ainda antes da posse, em alinhamento com o atual governador Marcos Rocha. "Até porque quem vai criar o orçamento do próximo governador de Rondônia é o coronel Marcos Rocha. Então o alinhamento com o governador e o direcionamento da reconstrução do orçamento de 2027 vai acontecer agora em 2026. E o próximo governador tem que estar com o bigode afinado com o governador", disse. Para Fúria, esperar a posse para começar a agir seria um erro estratégico grave: "Se você esperar o ano de 2027 pra você começar a atacar esses problemas, em 2028 dificilmente o próximo governador vai conseguir entregar o resultado rápido."
Fúria fez questão de deixar claro que, embora conte com o apoio do governador Marcos Rocha, não integrou nem participou das decisões da gestão estadual vigente. "Na verdade, eu não sou parte da continuidade de uma gestão do atual governador, eu sou um candidato apoiado. Na verdade, o governador é meu eleitor. O governador colocou na balança todos os possíveis candidatos a governador de Rondônia e colocou a história de cada um. E a minha história me traz até aqui. Eu nunca fiz parte da gestão do governador, eu nunca me consultou das decisões que ele tomou no estado de Rondônia", declarou.
Questionado sobre a pesquisa divulgada pelo Instituto Veritá, Fúria a classificou como fraudulenta e revelou ter ingressado com ação judicial para suspender sua veiculação. Disse ter identificado várias falhas no método utilizado e afirmou que o judiciário acolheu os indícios apresentados. "A gente entende que a pesquisa foi feita de maneira fraudulenta, a pesquisa foi feita com o objetivo de mudar os rumos políticos das eleições de 2026, e o judiciário, após analisar toda a parte de indícios probatórios que nós colocamos na peça inicial, identificou que realmente necessitava da suspensão, da vinculação daquela pesquisa, porque ela não seguia o rito convencional de uma pesquisa séria e honesta", declarou. O pré-candidato foi além ao levantar a questão do financiamento da pesquisa. "Alguém pagou por essa pesquisa. E a Justiça Eleitoral precisa apurar quem foi que pagou. A Veritá não ia vir em Rondônia fazer uma pesquisa que custa quase cem mil reais pra divulgar à toa", disse, encerrando com ironia: "Tomara que não seja o Rocara."
Outro episódio abordado foi o de um vereador e policial que, segundo Fúria, posicionou-se em frente à sua residência e filmou a entrada e saída de familiares. O pré-candidato disse ter exposto o caso nas redes sociais e que o vereador inicialmente negou o ocorrido antes de confirmar publicamente. "Enquanto eu não fui lá, solicitei a filmagem das câmeras e o vereador viu que realmente o negócio ia ficar feio, não tinha como escapar, aí veio a público e disse: não, realmente eu estava lá", narrou. Sobre os limites de sua tolerância, Fúria foi enfático: "Da próxima vez, o pau vai comer. Se vier na porta da minha casa, ficar filmando entrada e saída dos meus filhos, da minha esposa, e eu pegar, o bambu vai gemer, meu amigo. Eu não posso aceitar um negócio desse. Eu, como pai de família, não posso aceitar isso." Segundo ele, um inquérito policial foi aberto pela Polícia Civil e imagens foram apreendidas.
Ao comentar o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, Fúria rebateu a crítica sobre a diferença de experiência em gestão de grandes orçamentos com uma comparação direta. "Eu entreguei muito com pouco. E ele entregou muito com muito. Quando você tem o segundo maior orçamento do estado, que é o orçamento de Porto Velho, e você não consegue entregar um hospital municipal para o Porto Velhense, alguma coisa tá errada", afirmou. O pré-candidato relatou ainda ter telefonado para Hildon durante uma visita a uma unidade de saúde da capital. "Eu liguei pro Hildon e perguntei: Hildon, eu tô aqui na UPA do Ulysses, rapaz, você já veio aqui ver as condições dessa UPA? Isso eu fiz em 2024. E ele não soube me responder. Eu saí daqui muito admirado com as condições precárias da saúde pública municipal de Porto Velho." Sobre a diferença de idade levantada pelo adversário, Fúria respondeu com a frase que sintetizou seu tom ao longo de toda a entrevista: "Pode me faltar cabelos brancos, mas o que não me falta é coragem de mamar em onça."
A questão de qual seria o legado de sua administração em Cacoal foi tratada de forma abrangente, com Fúria rejeitando a ideia de reduzir sua gestão a uma única entrega. Citou o hospital municipal construído e entregue em quatorze meses, descrito como o mais amplo do estado e o único com equipamentos para cirurgia por vídeo. Mencionou o pronto-socorro infantil, que segundo ele é o primeiro do estado de Rondônia e o melhor da região Norte. Falou da maternidade, onde a taxa de mortalidade neonatal teria sido reduzida a zero, depois de registrar entre vinte e vinte e cinco mortes de bebês por ano quando ele assumiu. Lembrou do centro de hemodiálise que teria passado de uma situação de falência a referência regional. Destacou ainda que Cacoal atingiu 83% de esgotamento sanitário e 98% de água tratada, foi eleita pelo IPS Brasil a melhor cidade do estado em qualidade de vida, conta com sete escolas premiadas no Saero, recebeu o selo ouro do Ministério da Saúde e foi a cidade que mais executou convênios federais em Rondônia em 2024 e 2025. "Cacoal hoje tem transporte público tarifa zero, é a única cidade rondoniense que tem ponto de ônibus climatizado. Que cidade rondoniense tem ponto de ônibus climatizado? Nenhuma", afirmou. Sobre a área rural, onde disse ter obtido 93% dos votos, citou o programa Porteira Adentro, que oferece entre quatro e cinco horas de uso gratuito de máquinas para produtores rurais.
Sobre a situação do atual prefeito de Cacoal, Tony Pablo, que após assumir editou decretos e levantou questionamentos públicos sobre a situação financeira do município, Fúria minimizou o impacto político do episódio e ofereceu uma explicação técnica para os alegados débitos. Segundo ele, as despesas apontadas como irregulares seriam gastos habitualmente cobertos por emendas parlamentares, e a nova equipe técnica teria confundido a natureza do financiamento. "A nova equipe técnica entendeu que isso seria um furo no orçamento, quando na verdade são despesas que são pagas através de emenda parlamentar. E o prefeito foi a Brasília e conseguiu vinte milhões de reais em recursos parlamentares. Então, o que isso quer dizer? Que nós não temos dívida", declarou. Para Fúria, a repercussão do caso foi amplificada por veículos ligados a adversários políticos, mas não abala sua candidatura. "O povo de Cacoal conhece o meu trabalho. E o que eu entreguei tá feito, tá pronto."
O rompimento com o ex-senador Expedito Netto (PT), também pré-candidato ao Governo de Rondônia, foi relatado por Fúria com detalhes que revelam uma tensão surgida durante as eleições anteriores. Segundo o pré-candidato, Neto teria convencido a família a lançar sua esposa, Joliane Simões, a Joliane Fúria, como candidata a deputada federal, esperando que ela fosse apenas uma candidatura de composição. Ela teria se tornado a sexta deputada federal mais votada de Rondônia naquela eleição, superando o próprio Expedito Netto nas urnas. "Isso deixou ele muito aborrecido, porque na verdade ele queria que ela fosse pra uma campanha só pra encher linguiça de nominada. E eu falei: eu não vou pra uma campanha pra encher linguiça, eu vou pra ganhar a eleição", relatou. Após o resultado, segundo Fúria, Netto teria cortado qualquer apoio à campanha. "Ele simplesmente trancou tudo, travou tudo, falou que ali era ele que mandava. E aí nós abandonou pra lá, porque esse tipo de político a gente tá correndo dele." Em relação ao ex-senador Expedito Júnior, pai de Netto e ex-mandatário do PSD regional, Fúria afirmou não ter qualquer problema. "Um cara, inclusive, até muito bacana de você conversar com ele na rua. A gente não tem problema nenhum, não."
Ao ser perguntado sobre como administrou o período de polarização política nacional, que incluiu a pandemia e a transição do governo Bolsonaro para o governo Lula, Fúria descreveu uma postura deliberada de equilíbrio. Segundo ele, tomar partido publicamente poderia travar os repasses federais e prejudicar diretamente a população de Cacoal. "Por mais que eu seja um prefeito de direita, eu tenho que respeitar os dois lados, eu tenho que respeitar aquele que está ali no poder que direciona os recursos para o estado. Então, automaticamente, a gente fez esse trabalho de equilíbrio para poder entregar tudo aquilo que nós entregamos no município", afirmou. Sobre o período de transição, descreveu que os convênios praticamente paralisaram por oito meses. "Nós passamos um perrengue danado com a mudança de governo. Nós ficamos oito meses ali sem receber convênio, travando, destravando, então houve um problema muito sério", relatou.
Já em relação ao candidato do PSD à presidência da República, o governador de Goiás Ronaldo Caiado, Fúria foi direto: "O Ronaldo Caiado é um cara preparado. Não tem o que dizer de um cara igual ao Ronaldo Caiado. Eu acho que a gente vai carregar o nome do Ronaldo Caiado sem qualquer dificuldade." Fúria acrescentou, no entanto, que quem governará Rondônia não será um partido, mas uma pessoa. "Quem vai governar o estado de Rondônia se chama Adailton Fúria e não PSD."
Sobre o vice em sua chapa, o comunicador Everton Leone, Fúria explicou que a escolha foi motivada pela popularidade do nome na capital, que ainda não o conhece como político. "O porto-velhense não me conhece, não sabe da minha história, não sabe de onde eu vim, o que eu fiz, o que eu entreguei, o que eu deixei de entregar. E o Everton é um cara muito popular e muito querido aqui em Porto Velho", disse. Revelou ainda que o ex-governador Ivo Cassol já havia cogitado publicamente Leoni como vice em eventual candidatura própria, o que, segundo Fúria, já sinalizava o potencial do nome para o posto. O pré-candidato afirmou que já colheu resultados da escolha nas pesquisas internas realizadas por região. "A gente tem as pesquisas de consumo interno que mostram os resultados parcialmente no estado, que você consegue ter uma visão panorâmica de cada pré-candidato no estado de Rondônia. A gente vê isso com bons olhos e vamos tocando para frente."
Ao encerrar a entrevista, Fúria sintetizou sua candidatura como algo construído sobre trabalho concreto e uma visão clara de prioridades. "Não deixei uma prefeitura para vir ser pré-candidato a governador do estado de Rondônia para fazer mais do mesmo. Eu venho lá de baixo, já fui vereador, já fui deputado, prefeito, prefeito reeleito. Então nós temos uma base política que nos dá amparo e sustentação para fazer as mudanças que o estado de Rondônia precisa", afirmou. E encerrou com a frase que resume tanto sua origem quanto sua ambição: "Eu tenho quarenta anos, sou nascido aqui, sou casado há vinte anos com a mesma mulher, e eu tenho uma estrutura familiar muito forte que vai me ajudar muito nas tomadas de decisões", encerrou.



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