A eleição de 2026 em Rondônia já não se comporta mais como um exercício de futurologia. Os pré-candidatos começaram a agir — e, quando agem, dizem mais do que quando discursam. Os últimos movimentos deixam menos espaço para interpretação livre e mais evidência de estratégia em curso.
Marcos Rogério (PL), por exemplo, não apenas apareceu bem posicionado em pesquisa recente*. Ele tratou de dar consequência política a esse cenário. O apoio declarado de sete prefeitos do Cone Sul, movimento encabeçado por Flori Cordeiro, prefeito de Vilhena, tem peso específico. Flori não é um ator secundário: desejava disputar o governo e, ao abrir mão dessa possibilidade e compor com Rogério, ajuda a consolidar um bloco regional relevante. Isso ocorre na esteira do lançamento da pré-candidatura com a presença da cúpula nacional do PL e de Flávio Bolsonaro, inserindo o senador de forma mais direta no projeto nacional do partido. Quando Rogério afirma que, em 2022, a ausência de apoio explícito de Jair Bolsonaro foi determinante para sua derrota, ele não está apenas olhando para trás — está explicando o que mudou agora. E, neste caso, o que mudou é justamente o nível de alinhamento.
Hildon Chaves (União Brasil), por sua vez, já apresenta um desenho mais concreto de chapa ao surgir ao lado do deputado estadual Cirone Deiró como pré-candidato a vice. Não é especulação, é composição. Ao mesmo tempo, ao aparecer em agenda no interior ao lado da senadora Tereza Cristina, ex-ministra do governo Bolsonaro, Hildon faz um movimento que foi interpretado como aceno direto ao agronegócio. Em Rondônia, esse tipo de gesto não é trivial. Trata-se de um dos setores mais organizados e influentes do estado, com forte presença no debate político. Ao se vincular publicamente a uma liderança nacional desse campo, Hildon sinaliza disposição de dialogar com esse eleitorado — e, mais do que isso, de disputar espaço nele.
Adaílton Fúria (PSD) também saiu do plano das intenções e entrou no terreno dos fatos. Ao confirmar sua saída da Prefeitura de Cacoal em solenidade marcada para esta quinta-feira (02/04), com a presença do governador Marcos Rocha, transforma a agenda institucional em ato político com data, hora e cenário definidos. Não se trata apenas de deixar o cargo, mas de marcar posição no tabuleiro estadual. Na mesma linha, ao citar o jornalista Everton Leoni como uma das alternativas para vice — “seria uma opção minha”, disse —, Fúria indica que já trabalha na formação de chapa e testa, de forma pública, nomes que possam agregar ao projeto.
Expedito Netto (PT), por outro lado, opta por um posicionamento mais direto e sem mediações. Durante evento no interior, reafirmou ser o candidato do presidente Lula em Rondônia e declarou que entra na disputa para enfrentar a direita no estado. Ao fazer isso, delimita com clareza o campo político em que pretende atuar, sem buscar suavizações. E, nesse caso, o tom também é parte da estratégia. Como observou o jornalista Robson Oliveira, da coluna Resenha Política, “os adversários que se preparem porque Neto é ousado, agressivo e capaz de colocar qualquer um em situação constrangedora num debate público.” Não é apenas uma característica pessoal — é um indicativo de como pretende conduzir a campanha.
O que se vê até aqui não é um cenário indefinido, mas um conjunto de movimentos concretos: alianças regionais sendo firmadas, chapas começando a ganhar forma, agendas sendo utilizadas como sinal político e discursos delimitando campos. Ainda não há debate aprofundado sobre propostas, mas já há, de maneira bastante objetiva, disputa por espaço, narrativa e influência. Em Rondônia, a eleição de 2026 já começou — não no calendário, mas na prática.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!