A escalada no preço do petróleo e o reajuste no querosene de aviação já começam a impactar diretamente o transporte aéreo no Brasil. Companhias do setor reduziram a oferta de voos previstos para maio, em um movimento associado ao aumento expressivo dos custos operacionais.
Levantamento baseado em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aponta que mais de 2 mil voos mensais deixaram de ser programados. A redução representa uma queda de quase 3% na malha aérea doméstica.
Os cortes, neste primeiro momento, atingem principalmente rotas consideradas menos lucrativas. Estados como Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará e Paraíba aparecem entre os mais afetados pela diminuição da oferta.
Nos bastidores, executivos do setor atribuem a decisão ao aumento de 54% no valor do querosene de aviação aplicado no início de abril. O combustível é um dos principais componentes de custo das companhias e sofre reajustes mensais pela Petrobras.
Há ainda expectativa de um novo aumento no início de maio, o que pode ampliar os impactos e levar a novos cortes na malha aérea, caso os preços internacionais do petróleo continuem elevados.
Dados recentes indicam que a média diária de voos previstos caiu de 2.193 para 2.128 operações, o que resulta em cerca de 10 mil assentos a menos por dia e na retirada de aeronaves de médio porte de circulação.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou os efeitos do aumento do combustível como “gravíssimos” e afirmou que mantém diálogo com o governo para tentar reduzir os impactos sobre o setor e os passageiros.
Medidas anunciadas recentemente, como a redução de tributos e o parcelamento do reajuste do combustível, foram consideradas positivas, mas insuficientes pelas empresas. A aplicação de juros acima do esperado nesse parcelamento também gerou insatisfação no setor.
As companhias defendem novas ações, como mudanças tributárias e condições mais favoráveis para financiamento, para conter a pressão sobre os custos e evitar novos cortes de voos.



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