O 8 de março foca na denúncia e combate ao feminicídio, violência doméstica e proteção da vida das mulheres
CARO LEITOR, o 8 de março representa o Dia Internacional da Mulher, um dado oficializado pela ONU em 1977 para celebrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, além de ser um dia de luta contra a violência de gênero, o machismo estrutural, misoginia e a desigualdade salarial no mercado de trabalho. A origem histórica remonta às manifestações e greves de trabalhadores no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos, reivindicando melhores condições de trabalho, igualdade de direitos e do direito ao voto. Atualmente, a data foca na denúncia e combate ao feminicídio, violência doméstica e proteção da vida das mulheres. Em face disso, o dia é marcado para marchas, atos públicos e debates, consolidando-se como um momento de visibilidade, resistência e luta das mulheres por igualdade de gênero, não apenas de comemoração.
Lembrete
O 8 de março é um lembrete para a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea e a necessidade de políticas públicas que garantam sua segurança, respeito, reconhecimento e igualdade de gênero.
Mulheres
A presença feminina na política é fundamental para a construção de uma sociedade mais representativa, justa e igualitária. As mulheres representam mais da metade da população em todo o mundo, portanto, precisam deixar de ser sub-representadas na política.
Presença
Os espaços de poder e de tomada de decisões são um ambiente que predomina, de forma esmagadora, a presença masculina. As mulheres encontram grandes dificuldades e barreiras para se inserir nesses espaços, serem eleitas e ter voz na tomada de decisões.
Nome
O eleitoral de Rondônia, por mais que tenha se tornado conservador ao longo do tempo, abre oportunidades para mulheres na política. Neste caso, a história política rondoniense conta com nomes femininos que se tornaram governadora, vice-governadora, senadora, deputadas federais e estaduais, prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras.
Governadora
A paraibana de Campina Grande, advogada Janilene Vasconcelos de Melo, ex-secretária de estado de Planejamento, ocupou por 42 dias a cadeira de governadora interinamente no ano de 1984 durante a gestão do ex-governador Coronel Jorge Teixeira, sendo a pioneira em chefiar um estado no Brasil.
Vice-governadora
A Odaisa Fernandes foi a primeira mulher eleita vice-governadora de Rondônia, assumindo o cargo em 1º de janeiro de 2003, na chapa do ex-governador Ivo Cassol (PSDB). Ela atuou como vice-governadora durante o mandato de 2003 a 2006. Antes foi vereadora de Porto Velho pelo MDB e deputada estadual e federal pelo PSDB.
Presidir
Para quem não sabe, Odaisa Fernandes é reconhecida historicamente como a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa do Estado (ALERO). Neste caso, ela presidiu a Casa de Leis de 1988 a 1989. Ela abriu caminhos para a representação feminina no legislativo estadual rondoniense.
Senadora
A sindicalista, professora portovelhense Fátima Cleide (PT), foi a primeira senadora eleita por Rondônia. Fátima foi beneficiada pela onda Lula nas eleições de 2002. Fátima foi relatora da PEC da transposição dos servidores e teve um mandato atuante para instalação do IFRO e emendas para fortalecer a educação em escala local.
Perdeu
A ex-senadora Fátima Cleide (PT) disputou o governo nas eleições de 2006 e foi derrotada pelo ex-governador Ivo Cassol (PPS). Nas eleições de 2010, ela perdeu a reeleição para o Senado. Em seguida, Fátima foi derrotada nas eleições de 2012, quando disputou a Prefeitura de Porto Velho.
Derrotada I
Nas eleições de 2014 e 2018, a ex-senadora Fátima Cleide (PT) tentou retornar ao Congresso Nacional como deputada federal e senadora, respectivamente, mas foi derrotada pelas urnas. No pleito de 2022, Fátima ganhou e não levou, mesmo ficando na quinta colocação geral para deputado federal, a nominta do PT não atingiu o quociente eleitoral.
Derrotada II
Nas eleições de 2022, a ex-deputada federal Mariana Carvalho tentou se eleger senadora pelo Republicanos, mas foi derrotada pelo neófito em política e candidato bolsonarista, empresário Jaime Bagattoli (PL). Mariana conquistou 263.559 votos (34,84%) dos votos, se tornando a mulher mais votada na história política de Rondônia para uma vaga ao Senado.
Vítima
No pleito eleitoral municipal de 2024, a ex-deputada federal Mariana Carvalho (União Brasil) concorreu à Prefeitura de Porto Velho, mas foi derrotada no segundo turno pelo então candidato Léo Moraes (Podemos). Mariana, durante toda a campanha, foi vítima do machismo estrutural e de erros estratégicos de campanha. Em face disso, teve menos votos no segundo turno em relação ao primeiro turno.
Federal
A professora e jornalista Rita Furtado foi eleita deputada federal pelo PDS nas eleições de 1982. Neste caso, Rita foi a primeira deputada federal eleita por Rondônia. Nas eleições de 1986, a comerciante de Guajará-Mirim, Raquel Cândido, foi eleita deputada federal pelo PFL, tornando-se a única parlamentar mulher rondoniense que participou da elaboração da Constituição de 1988.
Estreou
A ex-primeira dama, professora Marinha Raupp (MDB), estreou na política nas eleições de 1994. Marinha, filiada ao PSDB, foi eleita pela primeira vez deputada federal. Foi reeleita por outras cinco vezes consecutivas e, nas eleições de 2010, sagrou-se a deputada federal mais votada na história política de Rondônia.
Queda
No pleito eleitoral de 2014, a deputada federal Marinha Raupp (MDB) foi reeleita com a votação em queda em relação às eleições de 2010, quando conquistou 100.589 votos (15,58%). Contudo, Marinha foi reeleita em 2014 com 61.419 votos (7,69%) e continuou sendo a mais votada.
Vertiginosa
No pleito eleitoral de 2018, Marinha Raupp buscou sua sexta reeleição para a Câmara dos Deputados, mas ela sofreu uma vertiginosa derrota nas urnas. Ela obteve apenas 18.223 votos (2,06%). Neste caso, o eleitor cansou de votar em Marinha tantas vezes para o mesmo cargo, por sua vez, foi atropelada pela onda de renovação na política na onda bolsonarista.
Negra
Falando nas eleições de 2018, Rondônia elegeu pela primeira vez, em 36 anos de existência, a primeira mulher negra ao cargo de deputada federal. Silvia Cristina se elegeu pelo PDT e foi a sexta mais votada no estado, com mais de 33 mil votos. Silvia se reelegeu em 2022 pelo PL, está atualmente filiada ao PP e busca uma cadeira no Senado.
Estadual
A ex-vereadora de Ouro Preto do Oeste, líder comunitária Joselita Araújo, foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Rondônia no pleito eleitoral de 1986. Neste pleito, ela foi a campeã de votos. Em 1988, foi eleita prefeita de Ouro Preto do Oeste, renunciando ao mandato legislativo. Em 1994, filiada ao PTB, não conseguiu um novo mandato para a Assembleia.
Bancada
A Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO) conta com a maior bancada feminina em toda a sua existência. As deputadas estaduais Ieda Chaves (União Brasil), Rosangela Donadon (União Brasil), Gislaine Lebrinha (União Brasil), Claudinha de Jesus (PT) e Dra. Taissa Souza (Podemos). Dessa bancada feminina, Ieda Chaves foi a mulher mais votada na história da ALERO, eleita em 2022 com 24.667 votos (2,86%).
Prefeita
A professora Lúcia Tereza foi a primeira prefeita eleita no estado de Rondônia. Em 1982, foi candidata à Prefeitura de Espigão do Oeste pelo PDS, concorreu com cinco candidatos e terminou eleita com 2.126 votos. Lúcia depois conquistou quatro mandatos de deputada estadual e mais dois de prefeita de Espigão do Oeste, totalizando três como chefe do Poder Executivo municipal daquela cidade. O Plenário da ALERO leva o seu nome.
Vereadoras
Advogada Aliete Alberto Matta Morhy e a professora Marise Magalhães Costa Castiel foram as primeiras mulheres eleitas vereadoras em Porto Velho, marcando a história política local em 1976. Ambas foram fundamentais na abertura de espaços para mulheres no legislativo municipal.
CMPV
Atualmente, a Câmara Municipal de Porto Velho (CMPV) conta com duas mulheres vereadoras eleitas nas eleições municipais de 2024. A sindicalista Ellis Regina (União Brasil) cumpre seu quinto mandato como vereadora e a vendedora de espetinho Sofia Andrade (PL) é estreante na política.
Representação
A coluna de hoje (09) é dedicada às mulheres que escreveram e continuam escrevendo a história política de Rondônia. Além disso, para despertar o interesse da mulherada para participar ativamente da política como candidatas a cargos eletivos. A representação feminina nos espaços de poder e de tomada de decisões prioriza áreas sociais como educação, saúde, combate à violência contra a mulher e fortalece a equidade de gênero.
Sério
Falando sério, para superar as dificuldades e barreiras para se inserir nos espaços de poder e de tomada de decisões, as mulheres precisam participar ativamente na política, seja nos movimentos sociais, nas comunidades, nas igrejas, clubes, sindicatos e disputando cargos eletivos. Neste caso, as mulheres, quando ocupam cargos políticos, mudam a cultura política atual e criam ambientes mais acolhedores e de inclusão de mulheres na política.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!