O escândalo do Banco Master já entrou para aquela categoria rara de crises brasileiras que parecem não ter fundo. Quanto mais se mexe, mais coisas aparecem. O caso já sugou personagens graúdos da República, atravessou tribunais, contaminou ambientes políticos em Brasília e, como costuma acontecer nessas histórias, começa agora a descer a ladeira rumo aos estados.
Rondônia entrou no radar no último final de semana.
O prefeito de Vilhena, Delegado Flori Cordeiro (Podemos), publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que cerca de R$ 6 milhões da previdência municipal foram parar em fundos ligados ao banco do empresário Daniel Vorcaro. Dinheiro que deveria estar garantindo aposentadoria de servidor público acabou, segundo a denúncia, evaporando em aplicações que hoje valem praticamente nada.
Em política, dinheiro de previdência é como gasolina perto do fogo.
E o episódio de Vilhena pode não ser um caso isolado. Em Porto Velho, já surgiram questionamentos sobre investimentos do IPAM que chegariam a cerca de R$ 9 milhões, o que levou vereadores a cobrar explicações públicas. Na Assembleia Legislativa, também começaram perguntas sobre possíveis conexões indiretas com investimentos feitos pelo IPERON.
É aí que a história deixa de ser financeira e passa a ser política.
Escândalos dessa natureza têm uma característica curiosa no Brasil: eles nunca pertencem apenas à Justiça ou aos tribunais de contas. Muito antes de qualquer sentença, viram narrativa eleitoral.
E Rondônia está entrando exatamente nesse momento do roteiro.
O estado caminha para um novo ciclo de eleições majoritárias e legislativas. Em períodos assim, crises nacionais funcionam como um presente inesperado para quem deseja subir no palanque denunciando o sistema.
Alguns políticos certamente tentarão vestir o figurino do moralizador indignado. Outros apontarão dedos para gestões passadas. Alguns fingirão surpresa. E haverá também quem descubra, subitamente, que sempre suspeitou de tudo.
É a política em sua forma mais clássica.
Quando um escândalo envolve bilhões, ministros do Supremo e um banco no centro da tempestade, a tentação de transformar tudo isso em capital eleitoral regional é simplesmente irresistível.
Não é difícil imaginar discursos inflamados em tribunas, vídeos nas redes sociais e promessas de investigações “até o fim”. Também não seria surpresa se o tema virasse combustível em campanhas eleitorais.
Afinal, escândalos têm utilidade política.
Servem para destruir reputações, criar heróis instantâneos, reorganizar narrativas e — em alguns casos — lançar candidaturas.
Por isso, a pergunta que começa a circular nos bastidores da política rondoniense não é apenas quem perdeu dinheiro com o Banco Master.
A pergunta real é outra:
Quem vai tentar ganhar eleição com isso?
Porque, na política brasileira, escândalos raramente são apenas tragédias administrativas.
Eles costumam ser também oportunidades.
E Rondônia acaba de ganhar a sua.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!