Um membro da Assembleia de Especialistas responsável pela escolha do novo líder supremo do Irã disse que Mojtaba Khamenei foi selecionado com base na orientação do antecessor Ali Khamenei de que o escolhido deveria ser "odiado pelo inimigo". Segundo a Reuters, a declaração ocorreu após o anúncio oficial neste domingo (8).
Mojtaba Khamenei substituirá seu pai, morto em ataques dos Estados Unidos e de Israel no primeiro dia da guerra, que ocupava o cargo desde 1989.
"Até o Grande Satã (EUA) mencionou o nome dele", disse o aiatolá Heidari Alekasir.
Antes do anúncio do nome, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia classificado a escolha de Mojtaba como "inaceitável".
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou Trump.
Ainda sobre o processo de escolha, o republicano disse que o próximo líder supremo do Irã “não vai durar muito” se Teerã não obtiver sua aprovação.
Irã anuncia Mojtaba Khamenei como novo líder supremo
Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019. — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File
Mesmo ostentando o título de aiatolá, Mojtaba é um clérigo de nível intermediário e é uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano.
Ele perdeu não só o pai nos bombardeios do dia 28, mas também a mãe, a mulher e um filho pequeno, segundo a imprensa iraniana.
Mojtaba é conhecido por ter uma postura linha-dura e tem laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã, considerada a força político-militar mais poderosa do país e peça central na defesa do regime.
Há anos ele é considerado um dos principais candidatos a suceder o pai.
Apesar de muito poderoso nos bastidores, pesa contra ele o fato de ser filho do antecessor.
A passagem de poder de pai para filho não é bem vista dentro da corrente xiita do Islã.
Segundo o jornal "The New York Times", Mojtaba é discreto e raramente visto em público.
Ele construiu influência principalmente dentro do gabinete do pai, onde teria participado da coordenação de operações militares e de inteligência.
Ele também é conhecido por dar aulas em seminários xiitas, atividade que ajudou a consolidar sua posição dentro da hierarquia religiosa do Irã.
Apesar da influência nos círculos de poder, pouco se sabe sobre suas posições políticas ou estilo de liderança fora do núcleo mais próximo do regime.
Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que sua escolha representa um sinal claro de continuidade do sistema político iraniano, especialmente em um momento de forte pressão externa e de escalada militar na região.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!