O Governo Federal autorizou, nesta terça-feira (31), o avanço das obras de pavimentação da BR-319, com investimento estimado em R$ 678 milhões no chamado “trecho do meio”, considerado o mais crítico da rodovia. A estrada é a única ligação terrestre entre Porto Velho (RO) e Manaus (AM) e enfrenta há décadas problemas de trafegabilidade.
Segundo o Ministério dos Transportes, o edital de licitação será publicado no dia 10 de abril, com recebimento de propostas a partir do dia 30. A previsão é que as obras sejam executadas ao longo de três anos, com início ainda no período de estiagem, aproveitando as condições climáticas da região amazônica.
O trecho contemplado compreende 339,4 quilômetros entre o km 250,7 e o km 590,1, no segmento entre o Igarapé Atií e o distrito de Realidade, no município de Humaitá (AM). Essa área concentra os principais desafios logísticos da BR-319, especialmente durante o inverno amazônico, quando a rodovia fica praticamente intrafegável.
Além da pavimentação, o governo também confirmou a construção da ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia. Com 320 metros de extensão e investimento de R$ 44,1 milhões, a estrutura substituirá a travessia por balsa, garantindo maior segurança e fluidez ao tráfego.
A retomada das obras foi viabilizada após mudança no entendimento jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU), que passou a classificar as intervenções como melhoramentos em uma rodovia já existente, dispensando etapas mais complexas de licenciamento ambiental e acelerando os trâmites.
A BR-319 é alvo de impasses históricos. De um lado, o governo e defensores argumentam que a recuperação da estrada é essencial para integrar o Amazonas ao restante do país. De outro, ambientalistas alertam para riscos de desmatamento e pressão sobre áreas sensíveis da Amazônia.



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