O meu nome é Adalberto Cans, este não é o meu sobrenome original que é Silva, um sobrenome muito comum em Campina Grande – PB onde nasci. Aliás um sobrenome muito comum no Brasil. Inclusive alguns amigos da cidade de Porto em Portugal, explicaram-me que este sobrenome português foi distorcido no Brasil. Lá em Portugal, quando não se conhecia a origem de uma pessoa se dizia, por exemplo: Euclides da Selva, Manoel da Selva e no Brasil se tornou da Silva e posteriormente Silva.
O meu orientador de doutorado, Prof. Dr. Méricles Thadeu Moretti, que inclusive honra-me com o prefácio deste livro, quando viu Adalberto Silva, falou – vamos criar um sobrenome literário para você, senão você terá muitos homônimos como autor na academia.
Pois bem, graduado em matemática na UEPB, vim em 1990, aos 24 anos, para Rondônia. Hoje tenho aqui, na terra das oportunidades, 35 anos trabalhando como professor de matemática. Me apaixonei por esta terra, constituí família e hoje, como os números apontam, já sou mais rondoniense do que paraibano.
Aqui fiz Mestrado na UNIR. Posteriormente, me foi oportunizado, pelo Governo do Estado, fazer doutorado na UFSC. No período de 2020 a 2024, este foi meu compromisso.
Por oportunidade da conclusão do curso, stricto sensu, apresentamos uma pesquisa (tese) que foi muito bem avaliada pela banca examinadora, sugerindo que a pesquisa precisava romper os “muros” da academia, inclusive indicando-a ao prêmio UFSC de melhor tese de Educação de 2025.
Essa convergência de acontecimentos favoráveis foi a mola propulsora para que a tese fosse transformada em livro. E aqui está o fruto desse trabalho, a obra “O Momento Eureka”, que trago com muito prazer para Rondônia. Nosso objetivo é contribuir com a formação do professor no nosso estado, é tornar essa obra o livro de cabeceira do professor, oferecendo-lhe uma nova teoria de aprendizagem que irá fortalecer o processo ensino-aprendizagem da matemática.
O Momento Eureka propõe mudança de paradigma no processo ensino-aprendizagem da Matemática e dialoga com estudos da linguagem
O debate sobre alfabetização científica e letramento matemático ganha novo fôlego com o lançamento, previsto para março, do livro O Momento Eureka, de Adalberto Cans. A obra apresenta uma tese clara: a dificuldade em matemática não reside apenas no conteúdo, mas na forma como o pensamento matemático é estruturado e mediado por representações semióticas.
No Capítulo 2, dedicado ao referencial teórico, o autor fundamenta sua análise na Teoria dos Registros de Representação Semiótica (TRRS), também conhecida como Teoria Semiocogitiva de Aprendizagem, de Raymond Duval. Segundo essa perspectiva, o objeto matemático não é acessado diretamente (materialmente); ele se manifesta por meio de registros — numérico, algébrico, gráfico, geométrico e principalmente linguístico — estes registros são sistemas semióticos que exigem operações cognitivas específicas, como formação, tratamento e conversão.
Cans sustenta que a prática pedagógica tradicional privilegia a face visível da matemática — fórmulas, operações, teoremas — e negligencia a face oculta, cognitiva — interpretação, memorização, raciocínio, cálculo e a criatividade; que sustentam a apreensão do conhecimento. De modo que, o chamado “Momento Eureka” não é um evento súbito ou mágico, mas o resultado de uma reorganização mental, uma conexões de neurônios que ocorre, segundo sua pesquisa, na presença de algumas variáveis, e com muito mais facilidade quando o estudante consegue articular diferentes formas de representação semiótica para o mesmo objeto matemático. Modelo de aprendizagem pouco ou mesmo não ensinado na matemática.
Matemática e linguagem: sistemas de signos
A proposta do autor dialoga com a Semiótica, estudo dos signos. Peirce “pai da semiótica” definiu o signo por uma estrutura triádica: objeto, representâmen (representante) e interpretante (representado), já Saussure trata o signo linguístico como diático: a união de significante e significado, afirmando que não há pensamento estruturado fora de um sistema de signos. Na mesma direção, Mikhail Bakhtin ampliou essa compreensão ao afirmar que “a palavra é o fenômeno ideológico por excelência” e que ela funciona como “ponte entre mim e o outro”.
A convergência é evidente: tanto na linguagem quanto na matemática, o conhecimento não se reduz à forma externa. A expressão simbólica é apenas a superfície de um processo interno de significação.
No campo das Letras, é recorrente a defesa de que a palavra possui duas faces — uma material e outra ideológica. Essa concepção encontra paralelo direto na tese de Cans: também na matemática há uma dimensão formal e uma dimensão cognitiva. O erro pedagógico, em ambos os campos de conhecimento, ocorre quando se absolutiza a forma simbólica e se negligencia o processo de construção do sentido.
Regras, fórmulas e compreensão
O livro também permite uma reflexão interdisciplinar relevante. Uma vez que a fundamentação apresentada a partir de Duval nasceu como Teoria Semiocognitiva de Aprendizagem Intelectual, depois focou na aprendizagem da matemática. Por exemplo, aprender uma língua estrangeira moderna, exige domínio estrutural de regras gramaticais que se organizam de maneira sistemática, semelhante às fórmulas matemáticas. Contudo, o domínio técnico das regras não garante compreensão senão houver internalização do sistema que organiza o significado.
De modo análogo, memorizar fórmulas matemáticas não assegura aprendizagem se o estudante não compreende o funcionamento lógico que as sustenta. Em ambos os casos, trata-se de compreender os sistemas simbólicos estruturados, que demandam operações cognitivas complexas: raciocínios, interpretação, coordenação de sistemas semióticos entre outras.
Formação docente em foco
Ao inserir-se no debate contemporâneo sobre formação docente, O Momento Eureka propõe uma mudança de paradigma: ensinar matemática não é apenas transmitir resultados consolidados, mas desenvolver competências cognitivas que permitam ao estudante transitar entre diferentes registros de representação.
A obra evidencia a necessidade de professores que compreendam o funcionamento semiocognitivo da aprendizagem, capazes de transformar a sala de aula em espaço de aquisição intelectual, e não apenas de reprodução mecânica.
O lançamento em março projeta-se como contribuição relevante ao cenário educacional brasileiro, especialmente em um momento que avaliações externas e indicadores de desempenho apontam desafios persistentes na aprendizagem matemática.
Mais do que apresentar uma teoria, o livro provoca uma revisão epistemológica: compreender matemática é compreender como o pensamento opera por meio dos signos. E, nesse ponto, matemática e linguagem deixam de ser campos isolados para revelar uma convergência estrutural — ambos dependem de sistemas de representação semiótica que exigem não apenas domínio formal, mas construção efetiva de seus sentidos.
No caso da matemática essa última afirmação torna-se evidente, quando Duval afirma que “cada representação mostra apenas uma faceta do objeto estudado”. Deste modo, quanto mais representações distintas de um mesmo objeto matemático o aluno for capas de acessar maior será sua objetivação (domínio daquele conceito), hipótese fundamental da aprendizagem segundo a teoria em comento.
Portanto, se você se sentiu instigado a conhecer essa obra, essa nova visão da aprendizagem em matemática, sinta-se convidado para o lançamento do livro “O Momento Eureka”, que ocorrerá na Casa da Cultura Ivan Marrocos, no próximo dia 14 de março de 2026, a partir das 18 horas. Temos uma oportunidade de colocar Rondônia como protagonista da melhoria do processo educacional. Venha nos prestigiar e participar de uma grande festa.
O livro já está disponível na loja da Editora Dialética – SP e pode ser adquirido pelo QR-Code a seguir.



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