Publicada em 16/02/2026 às 10h44
PORTO VELHO, RO - O senador Confúcio Moura, do MDB, descreveu, em relato publicado no último domingo, 15, as circunstâncias que envolveram a desapropriação de um motel desativado e de uma igreja de madeira nas proximidades do Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho, durante o período em que exerceu o governo de Rondônia. No texto, ele contextualiza a medida dentro do cenário de calamidade pública na saúde decretado no início de sua gestão.
Segundo o relato, a rede estadual enfrentava condições consideradas críticas. O então governador afirmou que, à época, pacientes eram atendidos no chão do João Paulo II e que a Policlínica Oswaldo Cruz funcionava em um galpão improvisado na zona sul da capital. Ele também registrou que o hospital contava com dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Quando assumi o governo de Rondônia, decretei estado de calamidade pública na saúde. A situação era realmente grave”, escreveu.
Ainda de acordo com o texto, o gestor informou ter buscado alternativas para ampliar rapidamente a capacidade de atendimento. Ele relatou viagem ao Rio de Janeiro para conhecer modelos de hospitais pré-moldados em aço naval e, posteriormente, a procura por áreas próximas ao João Paulo II. A solução encontrada, conforme descreveu, foi a desapropriação de um pequeno motel desativado e de uma igreja evangélica, após localização dos proprietários e avaliação técnica.
O senador afirmou que o processo ocorreu com base em interesse público, com avaliação e pagamento dos imóveis, seguidos de demolição. No local, segundo o relato, foi construída a Assistência Médica Intensiva (AMI), com 40 leitos destinados a reforçar o atendimento do pronto-socorro. “Tudo dentro da lei: avaliado, pago e demolido”, registrou.
No texto, Confúcio Moura também menciona que, anos depois, passou a responder a processo que o acusava de superfaturamento na compra dos imóveis. Ele declarou que não participou de negociações de valores e que não teve contato direto com os proprietários. O senador relata ter enfrentado tramitação judicial por doze anos até que, conforme escreveu, houve decisão judicial reconhecendo a prevalência do interesse público na medida adotada.
O relato encerra com a afirmação de que a intervenção resultou na ampliação da estrutura de atendimento emergencial e que, segundo ele, “valeu a pena”.
Entre um motel, uma igreja e a saúde pública
Por Confúcio Moura
15/02/2026
Quando assumi o governo de Rondônia, decretei estado de calamidade pública na saúde. A situação era realmente grave — coisa de tirar o sono.
Fiquei aflito, perdido, apelando até para São José: “E agora, o que faço?”
No Pronto-Socorro João Paulo II, pacientes estavam sendo atendidos no chão. A Policlínica Oswaldo Cruz funcionava em um galpão improvisado na zona sul — um verdadeiro sufoco para profissionais e doentes. E o JP contava com apenas dez leitos de UTI.
Pensei em tudo. Viajei ao Rio de Janeiro para conhecer modelos de hospitais pré-moldados em aço naval. Voltei decidido a agir rápido.
Passei dias rodando os arredores do João Paulo II em busca de um terreno. Nada disponível. Até que encontrei um pequeno motel desativado e, ao lado, uma modesta igreja evangélica de madeira. Mandei localizar os proprietários, pedi avaliação técnica e decretei a desapropriação por interesse público.
Tudo dentro da lei: avaliado, pago e demolido.
Em tempo recorde, construímos ali a AMI — Assistência Médica Intensiva — com 40 leitos para reforçar o atendimento do JP.
Missão cumprida. Vida que segue.
Mas, anos depois, veio a dor de cabeça: um processo me acusando de superfaturamento na compra do motel e da igreja. Nunca negociei valores pessoalmente. Nunca vi os donos. Apenas fiz o que precisava ser feito diante da urgência.
Aprendi, então, que no serviço público nem sempre a boa intenção basta.
Brinco dizendo que talvez as reclamações de antigos frequentadores do motel e de alguns fiéis tenham se unido em uma espécie de “corrente espiritual” contra mim — porque passei doze anos peregrinando pelos desertos da Justiça.
Até que, enfim, um juiz iluminado reconheceu o óbvio: o interesse público falou mais alto.
E valeu a pena.



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