Publicada em 14/02/2026 às 10h42
O Brasil é considerado internacionalmente o País do futebol e do samba. No futebol, há tempos a Seleção Brasileira não consegue um título mundial. O mais recente foi em 2002, quando conquistamos o pentacampeonato ao vencer (2x0) a Alemanha, com dois gols de Ronaldo Fenômeno.
Mas o assunto em pauta são as eleições gerais de outubro, quando os brasileiros terão condições de reeleger e eleger presidente da República, governadores e vices; duas das três vagas ao Senado de cada estado e do Distrito Federal; Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Só não teremos eleições para prefeito, vice e vereador, que foram realizadas em 2024.
Porto Velho, como as demais cidades brasileiras, respira carnaval e, há meses, a Festa de Momo vem sendo preparada, com desfiles pelas ruas e avenidas e destaque para a Banda Vai Quem Quer (BVQQ), fundada há 46 anos pelo saudoso Manoel (Manelão) Mendonça, o maior bloco de rua do Norte do país, com expectativa de levar cerca de 200 mil pessoas para o desfile de hoje (14), na capital.
Como estamos em ano eleitoral, mesmo com as restrições da Lei Eleitoral, os políticos certamente estarão marcando presença no desfile da BVQQ. Afinal de contas, não é sempre que ocorre uma concentração de milhares de pessoas como é comum no desfile da banda.
Depois do Carnaval teremos a Copa do Mundo (11 de junho a 19 de julho) em três países (Estados Unidos, México e Canadá), antes das eleições gerais de outubro, com o 1º turno no dia 3 e, onde houver necessidade, segundo turno no dia 25 do mesmo mês. Em Rondônia, a expectativa para a sucessão estadual é enorme e, após o Carnaval, as lideranças e os prováveis candidatos deverão botar os “blocos nas ruas” em busca de apoio para suas pretensões políticas.
As eleições presidenciais são importantes para o rondoniense, mas a sucessão estadual, as duas vagas ao Senado, as oito cadeiras na Câmara Federal e as 24 vagas na Assembleia Legislativa mobilizam o segmento político. Hoje temos uma dezena de prováveis pré-candidatos à sucessão estadual e boa parte com chances de sucesso, o que antecipa que teremos eleições “bem parelhas”, como dizem os gaúchos, devido ao equilíbrio das lideranças que já se posicionaram como pré-candidatas.
A disputa pelo Governo do Estado já é explícita e lideranças regionais já estão em campo em busca de apoio para suas futuras pretensões políticas. No mínimo, uma dezena de nomes da capital e do interior já se manifestou como pré-candidatos a governador, boa parte com chances reais de sucesso.
Com domicílio eleitoral em Porto Velho, temos nomes expressivos como o do ex-prefeito Hildon Chaves, de dois mandatos seguidos, que deixou a prefeitura da capital em janeiro de 2025 com cerca de 70% de aprovação, segundo empresas especializadas em pesquisas. Hildon estaria deixando a presidência do PSDB para se filiar à federação União Brasil, composta por UB e PP.
O deputado federal Maurício Carvalho (UB), que foi vice no segundo mandato de Hildon e renunciou após se eleger à Câmara Federal em 2022, comanda o União Brasil no estado. Após o Carnaval, Hildon deverá anunciar seu futuro político-partidário e, provavelmente, a filiação ao União Brasil, pois já é pré-candidato declarado a governador.
Ainda da capital temos o nome do vice-governador Sérgio Carvalho (UB), que também pretende concorrer à sucessão estadual. A expectativa é que o governador Marcos Rocha, que assumiu recentemente a presidência estadual do PSD, renuncie seis meses antes das eleições para candidatar-se ao Senado. Assim, Sérgio assumiria e disputaria a reeleição com a “máquina” administrativa em mãos.
Fica a dúvida de como ficarão Sérgio e Hildon no mesmo partido, com o mesmo objetivo de uma candidatura a governador. Caso Rocha permaneça até o final do mandato, Sérgio já estaria fora da disputa, porque não tem chances reais de se eleger fora do governo.
O deputado federal mais bem votado em 2022, ex-secretário de Saúde do estado, Fernando Máximo, espera a Janela Partidária (7 de março a 5 de abril), quando os deputados poderão trocar de partido sem implicações com a Lei Eleitoral, ou seja, não perderão o mandato. Ele deverá deixar o UB e também trabalha seu nome a governador. Somou mais de 85 mil votos na sua primeira eleição e tem chances reais de concorrer a governador, tendo como base seu domicílio eleitoral em Porto Velho.
Nos bastidores da política comenta-se que ele deverá se unir ao senador Marcos Rogério, que preside o PL no estado e já teria se definido como pré-candidato a governador. Caso ambos consigam formatar uma parceria, não importando quem seria o cabeça de chapa, é uma união com enormes condições de sucesso nas urnas, pois ambos já provaram que são bons de votos.
Porto Velho teria mais dois pré-candidatos que estariam dispostos a enfrentar as urnas daqui a oito meses. Um deles é o recém-filiado ao PT, ex-deputado federal e ex-presidente regional do PSD, Expedito Netto. Chegou recentemente ao PT, mas com perspectiva de disputar o Governo do Estado.
Ainda da capital, a Rede também tem o advogado Samuel Costa, pré-candidato. Corre por fora, mas, como em política tudo é possível, afirma que estará na disputa.
O interior também tem bons candidatos e, caso consigam formar parcerias com lideranças da capital, são nomes com chances de conseguir sucesso na sucessão estadual, além do senador Marcos Rogério, já citado, que é de Ji-Paraná.
Dois nomes despontam como pré-candidatos com potencial suficiente para conseguir chegar ao cargo executivo máximo de Rondônia. Ambos são prefeitos reeleitos nas eleições municipais (prefeito, vice e vereador) de 2024.
Flori Cordeiro (Podemos), de Vilhena, conseguiu se reeleger com mais de 74% dos votos válidos, mesmo enfrentando um grupo político forte, tendo como adversária Raquel Donadon (PRD), de família tradicional que há anos predomina politicamente na região do Cone Sul.
O Podemos é presidido no estado pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, e, caso Flori consiga um vice “bom de voto” na capital, terá muitas chances de se eleger governador.
Adailton Fúria, do PSD, reelegeu-se prefeito de Cacoal com 83,16% dos votos válidos e, desde então, é o nome do interior mais citado como pré-candidato a governador. Fúria já foi deputado estadual, renunciou após se eleger prefeito e conseguiu votação expressiva no processo de reeleição, sempre mais difícil que a eleição para um primeiro mandato.
Na relação de pré-candidatos a governador não pode faltar o nome do senador Confúcio Moura, presidente regional do MDB. Confúcio é uma liderança regional inconteste e sempre foi vencedor nos desafios político-eleitorais que enfrentou. Foi prefeito de Ariquemes em mais de um mandato, deputado federal, governador em dois mandatos seguidos e agora senador.
O futuro político do senador é uma interrogação. Em encontro político em Ji-Paraná, posicionou-se como pré-candidato a governador, inclusive convidando publicamente o ex-deputado estadual Airton Gurgacz, que foi seu vice no primeiro mandato, a ser novamente parceiro. Posteriormente, em reuniões pelo interior do estado, disse que concorreria à reeleição e, mais recentemente, comenta-se que até poderá ficar fora da disputa eleitoral deste ano.
Não será por falta de nomes que o eleitorado de Rondônia terá dificuldades para eleger o futuro governador. Certamente teremos mudanças. Alguns dos pré-candidatos citados poderão buscar novos horizontes na política, inclusive não concorrer, mas hoje o quadro do momento é o citado, com poucas chances de mudanças significativas.



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