Publicada em 03/02/2026 às 15h15
Com a descoberta da cassiterita no final da década de 1950, primeiro nas terras do seringalista Joaquim Pereira da Rocha, houve uma “corrida” rumo à selva da região com a chegada, por aviões e/ou barcos, de milhares de garimpeiros atraídos para a possibilidade de coletar o minério praticamente a céu aberto.
Ouvi de antigos garimpeiros que era tanta cassiterita “que parecia que o dinheiro brotava do chão”, ou histórias, de boêmios e jornalistas, de quando eles chegavam nos bordéis carregando sacos de 50 quilos cheios de dinheiro e anunciavam: “Fecha tudo, ninguém mais entra e nem sai. A despesa é minha porque de onde eu vim tem muito mais, é só pegar do chão”.
Conhecido notívago, o jornalista Euro Tourinho (1922/2019) contava que algumas vezes estava em algum desses lugares e aparecia um garimpeiro “bamburrado”. Ele lembrava: “Quem mais gostava eram as mulheres, porque a noitada ia ser boa para elas, mas a turma casada tinha de dar o jeito me sair antes do dia amanhecer”.
Com cada vez chegando mais garimpeiros, muitos deles abrindo a selva rumo a novos grotões, isso cobrava ao centro maior, Porto Velho, um comércio mais bem aparelhado, o que fazia os preços subirem muito, ainda mais porque podiam pagar bem, numa concorrência desleal com os trabalhadores da cidade.
A “vila Papagaio”, como chamavam a “Velha Ariquemes”, que em 1976 passaria a ser a nova cidade de Ariquemes, onde havia uma pequena pista de pouso inaugurada com uma “revoada” de aeroplanos no início da década de 1950, foi expandida e passou a receber vários pousos e decolagens todos os dias.
A garimpagem se expandiu, desde a vila de Tabajara, onde ficavam as terras do sr. Rocha e pequenas currutelas começaram a surgir, originando novas vilas, como Campo Novo de Rondônia e outras, depois elevadas a municípios, ajudando a formar a estrutura do Estado.
Até 1970 a garimpagem foi boa para os garimpeiros e para o comércio de Porto Velho que vendia com bons lucros, atraindo comerciantes de vários estados, alguns deles se instalando na pequena vila de Ariquemes, a 200 KM da capital e ligada pela rodovia BR-29 (depois 364) e dali entrando na selva abrindo caminho para o surgimento de outras vilas que, depois, ajudaram a formar novos municípios.



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