Publicada em 29/01/2026 às 08h30
REPERCUSSÃO
Não foi surpresa para este cabeça-chata a enorme repercussão da entrevista com o prefeito de Vilhena, Delegado Flori (pré-candidato a governador). E a razão é simples: ele se elegeu fora dos esquemas partidários, das articulações empresariais e dos acordos escusos. Por isso, conseguiu implementar mudanças administrativas necessárias sem ser pressionado por fiadores eleitorais — esses padrinhos invisíveis que costumam cobrar a conta depois da eleição.
INCOMODANDO
Também pesou, e muito, a objetividade com que o entrevistado tratou temas que a maioria dos políticos prefere escamotear, escondendo o essencial atrás de discursos vazios e frases de efeito. Entre todas as entrevistas já realizadas pelo podcast Resenha Política, esta continua repercutindo, provocando discussões e incomodando justamente porque disse, sem rodeios, o que muitos insistem em calar. É um nome novo que pode dar muito trabalho numa eleição que foi antecipada, mas que ainda não chegou ao fim.
PERFIL
Mariana Carvalho tornou-se, ao longo da última década, um fenômeno curioso da política rondoniense. Figura recorrente nas pesquisas, quase sempre bem posicionada, ela aparece como favorita no início das disputas, mas coleciona derrotas quando o voto real substitui a intenção declarada.
BALÃO
Foram duas campanhas à Prefeitura de Porto Velho em que largou na frente e terminou derrotada. Na última eleição ao Senado, o roteiro se repetiu: liderança confortável nas pesquisas, queda abrupta na reta final e mais uma frustação nas urnas. Agora, em 2026, volta a ensaiar o mesmo movimento, avaliando nova candidatura ao Senado, novamente embalada por números positivos. Pelo menos é o que declarou o irmão, Maurício Carvalho.
CAVALO PARAGUAIO
Mas a história recente impõe cautela. Mariana carrega o estigma de “cavalo paraguaio”, forte na largada, frágil na chegada. Há capilaridade eleitoral, sem dúvida. Pesam contra ela também fatores estruturais e simbólicos: por meio do pai, ex- vice-governador, recene ainda uma rejeição que nunca foi totalmente dissipada. Além disso, o negócio da família — universidades de medicina — cobra mensalidades que beiram a obscenidade social, entre 12 a 13 mil reais por aluno, num estado marcado por desigualdades profundas, explorada pelos adversários. Mas o estigma de ‘Cavalo Paraguaio” começa a grudar e em campanha é meme fácil de colar.
ESTATÍSTICA
Mariana segue sendo a “queridinha” das pesquisas, mas, eleição após eleição, o carinho não vira voto. Enquanto não enfrentar essas contradições, seu favoritismo continuará sendo apenas estatístico e não eleitoral.
BLEFE
Em Rondônia, a pré-candidatura de Maurício Carvalho ao governo nasce mais como um ato de vontade do que como um projeto político. Após três anos e dois meses de mandato como deputado federal, falta-lhe um legado concreto que dialogue com os grandes dilemas do estado. Não há uma agenda clara, estruturada e objetiva que aponte soluções para Rondônia.
SILÊNCIO
Nas pautas ambientais, onde o estado sangra entre embargos e insegurança jurídica, sua atuação foi, no mínimo, discreta. Na questão das rodovias federais e do pedágio mais caro do Brasil, o silêncio falou mais alto que qualquer discurso. O eleitor não viu enfrentamento, nem protagonismo. Maurício é um deputado federal que está no Congresso Nacional mais pela força econômica do que por virtudes políticas. Embora seja uma pessoa de bom trato é muito ausente com os rondonienses.
QUIXOTESCO
O conflito entre interesse público e interesse privado nunca foi enfrentado com transparência. O mandato seguiu sem marca, sem bandeira e sem coragem política. Ainda assim, ele se lança candidato a governador de forma isolada. Sem base social visível, sem entusiasmo político real. Uma candidatura insistente no discurso, mas que, até aqui, não convenceu nem o eleitor nem o próprio cenário político de Rondônia. Tem todas características de um balão de ensaio.
SUMIU
Lançado, também por ele próprio, a pré-candidatura de Expedito Neto ao governo de Rondônia soa menos como fato político e mais como encenação. Em duas semanas, o ex-deputado surgiu como furacão nas manchetes ao se anunciar pelo PT, partido no qual jamais militou. Nunca leu regimento, não conhece a base e construiu toda a sua trajetória na direita. Foi deputado federal duas vezes por legenda conservadora e votou pelo impeachment de Dilma Rousseff. À época, disse fazê-lo “a favor do combate à corrupção”, discurso oposto ao que agora tenta ensaiar. Até agora ninguém viu a ficha filiação ao lado de Lula, conforme anunciaram. Após todo barulho, sumiu.
RETORNANDO
Jesualdo Pires surge como um nome consistente e necessário no cenário político de Rondônia para 2026, como pré-candidato a deputado federal. Ex-prefeito de Ji-Paraná, ele assumiu o município em um dos momentos mais críticos de sua história recente. A cidade vinha de gestões desastrosas, marcada pelo abandono, pela desorganização administrativa e pela perda da autoestima coletiva.
PLANEJAMENTO
Foi nesse ambiente adverso que Jesualdo promoveu uma verdadeira reconstrução. Ji-Paraná tornou-se um amplo canteiro de obras, com intervenções visíveis e duradouras em todas as regiões do município. As obras não apenas existiram: foram bem executadas, planejadas e entregues com qualidade.
FICHA
Sua gestão foi marcada pelo zelo com o dinheiro público e pelo respeito às normas legais. Todas as contas da administração municipal foram aprovadas pelo Tribunal de Contas. Num ambiente político tantas vezes tomado pela incompetência, Jesualdo representa um ponto fora da curva. É ficha limpa, não responde a processos e possui experiência legislativa como ex-deputado estadual. Trata-se de um político qualificado, preparado e intelectualmente capaz de representar Rondônia em Brasília. Tentaram colar nela malfeitos, mas a vida política e a ficha eleitoral falam por si.
DIGNIDADE
Sua pré-candidatura ilumina um cenário obscurecido por sucessivas decepções na Câmara Federal. A atual bancada, em grande parte, virou as costas para o Estado após eleita. Foram votos conquistados e mandatos desperdiçados. Jesualdo Pires simboliza a possibilidade concreta de mudar esse quadro. É a chance de elevar o nível da representação federal de Rondônia. Mais que um nome, ele é um projeto de dignidade política. E uma esperança real de que Rondônia volte a ser respeitada em Brasília.
ENTREVISTA
Nesta quinta-feira, o podcast Resenha Política coloca no ar uma entrevista longa, didática e esclarecedora com o ex-prefeito de Ji-Paraná e ex-deputado estadual Jesualdo Pires. É uma oportunidade para o eleitor de Rondônia acompanhar uma conversa qualificada e aprender com a experiência de quem sabe honrar os votos que recebe e representar o povo com dignidade em todos os cargos que exerceu. Assista, portanto, nesta quinta-feira, no podcast Resenha Política, a entrevista com Jesualdo Pires.
EXCEÇÃO
Não se apresenta como salvador de nada, mas é uma pessoa séria que fala direto o que tem que ser falado. Não é costume de a coluna enaltecer político: seja qual espectro político que professe. No entanto, Pires é um ponto fora da curva. Razão pela qual abrimos esta arriscada exceção. E Rondônia merece bons representantes.
HERANÇAS
Concordo com a avaliação do jornalista Rubens Coutinho, do site TudoRondônia, ao apontar que entre as principais dificuldades eleitorais que o senador Confúcio Moura (MDB) terá de enfrentar na campanha pela reeleição são duas heranças incômodas: as reservas ambientais criadas no apagar das luzes do seu governo e, sobretudo, a tarifação dos pedágios.
CARAPUÇA
No caso do pedágio, como bem observa Coutinho, o experiente senador acabou caindo na própria armadilha ao vestir, com surpreendente voluntarismo, a carapuça das tarifas. E a ironia na política costuma ser implacável: o piadista quase sempre termina como personagem da própria anedota.
INÁBIL
As críticas, é verdade, recaíam sobre toda a bancada federal, omissa quando deveria gritar e barulhenta apenas quando o fato consumado já está instalado. Mas Confúcio, talvez movido por excesso de confiança ou por impulso de protagonismo, decidiu “matar no peito” a bola — e acabou empurrando-a, com rara habilidade, para dentro do próprio gol.
PROVÉRBIO
Basta um deslize verbal, desses que escapam da boca de candidatos apressados, para que a campanha se converta em flecha errante: voa, corta o vento, mas já não sabe onde deve chegar. Ao que parece, mantendo a língua solta, Confúcio Moura começa a flertar com a aposentadoria.



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