Publicada em 09/01/2026 às 09h10
As forças de Vladimir Putin usaram o supermíssil Orechnik durante um grande ataque aéreo à Ucrânia na noite desta quinta-feira (8). O modelo balístico de alcance intermediário russo desenhado para guerras nucleares havia sido testado contra o país em novembro de 2024.
Segundo o Ministério da Defesa russo, a ação foi uma vingança contra a tentativa de Kiev de alvejar uma residência de verão de Putin com aviões-robôs no fim de dezembro. O presidente Volodimir Zelenski negou a iniciativa e disse que Moscou queria tumultuar as negociações de paz que travava com os EUA e a Europa.
O ataque também ocorre em meio à europeia por um acordo favorável a Kiev na guerra iniciada por Vladimir Putin em 2022, e um dia depois de forças dos Estados Unidos apreenderem um petroleiro de bandeira russa com óleo embargado venezuelano. Até aqui, Moscou havia reagido de forma discreta ao caso.
Na manhã desta sexta (9), a chancelaria ucraniana convocou uma reunião de emergência com a Otan e do Conselho de Segurança da ONU. O alvo do Orechnik (aveleira, em russo) foi o maior depósito de gás subterâneo da Europa, em Strii. O local fica na região de Lviv, a principal cidade do oeste ucraniano, a menos de 100 km da fronteira da Polônia, país membro da aliança militar ocidental.
Câmeras de segurança captaram os clarões às 23h46 (18h46 em Brasília), antecipando uma noite com diversos ataques em vários pontos do país. Foram empregados 36 mísseis e 242 drones. Em Kiev, ao menos quatro pessoas morreram.
Na ocasião, o Kremlin havia dito que já tinha selecionado alvos para o ataque retaliatório, levando a temores de que o Orechnik fosse empregado. Em 2024, Putin havia chegado a dizer que poderia usar a arma contra "os centros de decisão" em Kiev, ou seja, matar Zelenski.
Mais cedo nesta quinta, Zelenski havia dito em seu usual pronunciamento noturno que havia movimentações suspeitas no centro de lançamento de Kasputin Iar, em Astrakhan, de onde o Orechnik lançado contra Dnipro há pouco mais de um ano.
O local fica a cerca de 1.800 km de Lviv. O supermíssil não tem alcance divulgado, mas se encaixa na categoria que pode variar de 550 km a 5.000 km, segundo as definições internacionais.
Segundo o Comando Oeste da Força Aérea ucraniana, as ogivas atingiram o alvo a Mach 11 (13,5 mil km/h), exatamente o registrado no primeiro ataque do Orechnik, contra a cidade de Dnipro (leste).
Vídeos gravados por moradores mostraram a reentrada na atmosfera de múltiplas ogivas em altíssima velocidade e envoltas em plasma incandescente, exatamente como ocorreu em Dnipro. Uma unidade de segurança nuclear de Lviv foi ao local procurar resíduos radioativos, mas não encontrou nada.
Um alerta de lançamento de Kasputin Iar havia sido declarado 11 minutos antes das explosões. Houve apagões na região. O mesmo ocorrreu em outras regiões, como Kiev, onde cerca de metade da cidade ficou no escuro.



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