Publicada em 07/01/2026 às 15h46
Um projeto de extensão desenvolvido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ji-Paraná, levou informação, diálogo e acolhimento sobre a menstruação a estudantes de uma escola estadual do município de Ouro Preto do Oeste. Intitulada “Princesas que menstruam: uma estratégia de fortalecimento da Dignidade Menstrual”, a iniciativa foi realizada entre os meses de maio e outubro de 2025 e teve como foco a promoção da saúde, do autocuidado e da quebra de tabus relacionados ao ciclo menstrual.
Coordenado pela Enfermeira Rosiele Pinho, com a participação da bolsista Antônia Érica, o projeto contou com apoio financeiro do Departamento de Extensão do Campus Ji-Paraná. As ações ocorreram por meio de encontros presenciais e rodas de conversa, que possibilitaram espaços de escuta e troca de experiências entre as participantes, favorecendo a construção e a ressignificação de saberes sobre a menstruação. A ação se soma a outras atividades extensionistas da instituição voltadas à inclusão social, à promoção da saúde e à garantia de direitos, atuando de forma integrada com a comunidade escolar no enfrentamento da pobreza menstrual e na construção de uma educação mais equitativa e humanizada.
A proposta buscou levar conhecimento sobre a fisiologia menstrual, a importância do autocuidado e o entendimento da menstruação como um sinal de saúde feminina. O projeto também abordou a chamada pobreza menstrual, conceito que se refere à falta de acesso a recursos, infraestrutura e informação adequados para que meninas e mulheres possam cuidar da menstruação de forma digna, realidade vivenciada especialmente por jovens em contextos de maior vulnerabilidade social.
Ao escolher adolescentes da rede pública estadual como público-alvo, o projeto integrou três áreas centrais da sociedade: saúde, educação e juventude. A iniciativa considerou que muitas jovens não recebem orientações em casa e que, em alguns contextos escolares, o tema ainda é tratado como tabu, o que contribui para desinformação, preconceitos e estigmas. A precariedade no acesso a absorventes, água, saneamento e higiene também impacta diretamente o desenvolvimento socioemocional, a autoestima e a permanência escolar das estudantes.
Para a Coordenadora do projeto, a experiência reforçou “ações de enfrentamento à desinformação e de conscientização sobre a menstruação enquanto fenômeno natural que deve ser acolhido e cuidado. O desenvolvimento de nosso trabalho esteve alicerçado na problemática associada às questões menstruais, fisiologia e anatomia dos órgãos genitais femininos, promovendo discussões e reflexões críticas sobre a dignidade menstrual”.
Para finalizar, Rosiele aponta a escola como espaço estratégico para a promoção da dignidade menstrual, ao garantir o acesso ao conhecimento e favorecer o diálogo sobre saúde e direitos. Ao final das atividades, cada turma recebeu kits de higiene menstrual, como forma de contribuir diretamente para o cuidado e a permanência das estudantes na escola.



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