Publicada em 01/01/2026 às 09h20
COLUNAS (RE)PUBLICADAS
Pedindo a Deus que 2026 seja muito melhor que o ano que acabou. Que Nossa Senhora interceda por nós.
Publicada – 25.7.2020
Republicada – 1.1.26
1964 em RO
O Legado de 1964 para Rondônia (I)
Consultoria: Historiadores Abnael Machado e Francisco Matias, e
pesquisador Anísio Gorayeb, historiador.
Nelson Rodrigues, teatrólogo, jornalista, filósofo, dizia que toda unanimidade é burra. Dizem os mais experientes que uma coisa nunca é tão inteiramente má ou não é tão inteiramente boa. Concordo com as duas assertivas, razão pela qual acolhi sugestões a respeito do tema deste capítulo, “O legado de 1964 para Rondônia”.

Durante a década de 1970 cresceu mais o sentimento de que, como disse várias vezes o médico Jacob Atallah, depois deputado estadual e um dos redatores da 1ª Constituição do novo Estado, “Rondônia não pode mais caber nas amarras do Território”, enquanto o governador Humberto Guedes se insurgiu publicamente contra àquela condição, cobrando tratamento diferenciado do Ministério do Interior. Para Guedes, “manter Rondônia como Território é não reconhecer nosso trabalho e desincentivar o nível que já chegamos”.
A criação do Estado já vinha na pauta desde a década de 1960. Em 1962 o deputado Aluízio Ferreira anunciou um projeto de lei criando a nova Unidade da Federação, a ideia não vingou, mas estudantes em férias em Porto Velho e Guajará-Mirim criaram o grupo “Pró-Rondônia Estado”, com reuniões, debates etc.
Um fato interessante é que, apesar de todas divergências ideológicas, governistas e oposicionistas tinham o mesmo anseio, a criação do Estado. “Território é um aborto constitucional e sua manutenção um crime contra Rondônia”, repetia a voz mais respeitada do MDB na Câmara portovelhense, o vereador Cloter Mota.
Em 1977, quando foram criados cinco municípios e muita gente era contra, no discurso do “isso não vai dar certo”, o jornalista e vereador Amizael Silva, dizia: “Por melhor que seja um distrito, ele nunca vai oferecer as oportunidades de um município, e por melhor que seja o Território ele não oferecerá o que oferece um Estado”.
Nos dois períodos, 1977 e 1981, a maior resistência em 1977 era de comerciantes e profissionais liberais, e isso, conforme o chefe do posto da Receita Federal, tinha uma explicação: O Território praticamente não se recolhia impostos mas, além dos federais e das taxas municipais, o Estado também teria os seus.
Em 1979 Rondônia recebeu mais um governador, Jorge Teixeira de Oliveira que desde sua primeira visita a Porto Velho, ainda em março, dizia que vinha “com a missão de transformar Rondônia em Estado”, e sem ligar para os críticos da ideia, foi a todos os lugares do Território com o mesmo discurso. Em 1981 o presidente João Figueiredo assinou a lei extinguindo o Território e colocando Rondônia dentre as estrelas que compõem a Bandeira do Brasil.
Deputado Federal entre 1971 e 1983 Jerônimo Santana apresentou dois projetos de criação do Estado, nunca acatados. Por ironia do destino Santana, quando em 1981 era votada a criação do Estado, ausentou-se do plenário, alegando orientação de seu partido, o MDB.
Médico Jacob Atallah era crítico da manutenção de Rondônia como Território
Para o deputado Amizael Silva manter Rondônia como Território causou prejuízo
Teixeira chegou falando o discurso que todos queriam



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