Publicada em 09/01/2026 às 09h12
Irã vive maior onda de protestos contra o governo desde 2009. Movimento escalou de insatisfação com economia para pedir que líder supremo deixe o poder. Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã caso regime Khamenei mate manifestantes.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira (9) que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos generalizados que ocorrem pelo país há quase duas semanas e acusou manifestantes de agirem para "agradar" o presidente dos EUA, Donald Trump.
Em seu primeiro pronunciamento desde que os protestos escalaram e tomaram uma nova proporção, ainda nas primeiras horas de 2026, Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, em um discurso transmitido pela TV estatal.
“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei. Ele acusou os manifestantes “estarem destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”, em referência a Trump. O líder iraniano disse para o líder norte-americano “cuidar do seu próprio país”.
Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.
As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP. Até o momento, os protestos já deixaram mais de 40 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.
Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irã. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo regime Khamenei e disse que "atingirá muito duramente" o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de "arrogante" e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.
Na quinta-feira, os protestos ganharam uma nova proporção após Khamenei ter ordenado um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os manifestantes (leia mais abaixo). A quarta-feira foi considerada o "dia mais sangrento" dos protestos até o momento, em que foram registradas as mortes de 13 manifestantes.
Protestos no Irã
O Irã intensificou a repressão contra manifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira (8), no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país.
Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático.
"Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente", disse o presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.
Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso da moeda local, o rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Outras pautas foram incluídas por outros manifestantes.
Desde então, os atos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da AFP, e deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.



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