Publicada em 28/01/2026 às 11h24
A BR-174, importante ligação entre os municípios de Juína, no noroeste de Mato Grosso, e Vilhena, em Rondônia, continua sendo um verdadeiro drama para motoristas, caminhoneiros e moradores da região.
O trecho de aproximadamente 240 quilômetros, que não possui pavimentação asfáltica, permanece em condições precárias, evidenciando o abandono por parte do Governo Federal, responsável pela manutenção da rodovia. É verdade que ainda há pequenos trechos em condições trafegáveis, mas logo necessitará de reparos.
O que antes poderia ser percorrido em cerca de três horas, hoje exige de cinco a seis horas de viagem, dependendo do tipo de veículo. Buracos, lama, atoleiros e trechos praticamente intrafegáveis transformam o trajeto em uma experiência perigosa, cansativa e desanimadora, especialmente durante o período chuvoso.
Para se arriscar na estrada, é indispensável estar com o veículo em perfeitas condições mecânicas, elétricas e com pneus adequados, pois qualquer pane pode resultar em dias de espera por socorro, já que a rodovia é isolada e possui baixo fluxo de veículos — justamente devido ao seu péssimo estado de conservação.
Neste ano, a situação chegou a tal ponto que empresas de transporte coletivo precisaram desviar o trajeto, passando por Sapezal, praticamente dobrando a distância percorrida, após ônibus ficarem atolados na BR-174.
A reportagem do site “Juína News” percorreu recentemente todo o trecho e sentiu na pele as dificuldades enfrentadas diariamente por quem depende da rodovia. Além do desgaste físico e emocional, os inúmeros buracos provocam danos constantes aos veículos, gerando prejuízos financeiros aos motoristas.
Como se não bastasse o abandono da infraestrutura, todos os veículos que transitam pela BR são obrigados a pagar pedágios à etnia indígena Enawenê-Nawê. Carros de passeio desembolsam R$ 75 para ir e mais R$ 75 para retornar, enquanto caminhões pagam R$ 100 por sentido. Para quem já enfrenta uma estrada em condições críticas, o custo adicional pesa ainda mais no bolso.
A rodovia é praticamente deserta e conta com pouquíssimos pontos de apoio. Há apenas duas lanchonetes ao longo do percurso: uma localizada a cerca de 60 quilômetros no sentido Juína–Vilhena (180) e outras duas, próximas entre si, também a aproximadamente 60 quilômetros no sentido contrário. As poucas pontes existentes ao longo da BR são, de madeira e apresentam riscos, exigindo extrema cautela na travessia.
Até o momento, não há informações oficiais sobre previsão de início de manutenção na via, que é estratégica para o acesso e o escoamento de produtos entre Mato Grosso e Rondônia. O cenário atual contrasta com outros períodos em que, mesmo durante as chuvas, a estrada apresentava condições um pouco melhores de tráfego e, na estiagem, já esteve em bom estado de conservação.
A situação exige providências urgentes. Mesmo em período chuvoso, é fundamental que os responsáveis iniciem trabalhos de manutenção para garantir, ao menos, condições mínimas de trafegabilidade e oferecer suporte aos caminhoneiros e demais usuários que sofrem diariamente para chegar ao destino final.
Vale reforçar que a BR-174 é uma rodovia federalizada, ou seja, a responsabilidade por sua manutenção é exclusiva do Governo Federal. O tão sonhado asfalto, na avaliação de muitos que utilizam a estrada, ainda deve demorar muito para se tornar realidade.
No entanto, é imprescindível que, ao menos no período de seca, seja realizado um serviço de qualidade, capaz de resistir às fortes chuvas e impedir que toda uma região continue esquecida pelo poder público.
Enquanto isso não acontece, quem depende da BR-174 segue enfrentando riscos, prejuízos e um descaso que se arrasta há anos.



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