Publicada em 15/01/2026 às 10h35
O podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica, recebeu o pesquisador Gerson Magalhães, da Perfeito Pesquisas, para uma conversa centrada no tabuleiro eleitoral de Rondônia em 2026. Em um diálogo ancorado em números e leitura de comportamento do eleitor, o convidado descreveu o que classificou como recuperação do governo Lula no plano nacional e, ao mesmo tempo, um cenário em que Rondônia seguiria com alta desaprovação ao presidente. No recorte estadual, Magalhães também apontou a consolidação de blocos de direita na corrida ao governo, avaliou obstáculos para uma eventual candidatura de Confúcio Moura ao Executivo e detalhou por que a corrida ao Senado, com dois votos, tende a ser mais aberta e mais imprevisível.
Logo no início, Robson Oliveira situou o tema a partir da leitura que faz de pesquisas nacionais e do desempenho histórico de Lula no estado, lembrando que Jair Bolsonaro obteve mais de 70% dos votos válidos em Rondônia. Na sequência, questionou se o presidente havia conseguido se recuperar localmente. Magalhães respondeu afirmando que houve melhora, mas manteve a avaliação de que a reprovação permanece elevada e, segundo ele, não se converteria em aprovação no estado. Ao falar do movimento recente, o pesquisador afirmou: “Eu ainda acho que A reprovação do governo Lula é irreversível.” Em seguida, explicou o conceito que usava para “reprovação” e apontou a métrica que considera determinante: “O que é reprovação? Aqui em Rondônia, 50% mais 1.”
Na entrevista, Magalhães disse que, em cinco meses, houve melhora em âmbito nacional e também no estado, embora com estagnação recente na curva. Ele descreveu o quadro geral como mais favorável do que antes: “Mas, de cinco meses pra cá, os números a nível de Brasil mostram que houve uma melhora. Melhora com um pouco de estagnação agora, mas que os números já mostram... Confortáveis.” Para Rondônia, apresentou um dado específico de variação: “E em Rondônia, ele diminuiu 10 pontos a rejeição dele.” Ao detalhar o ponto, comparou os percentuais: “Antes era uma reprovação de 80%. Agora é uma reprovação de 70 e alguns por cento.”
Robson reagiu ao número e conectou a redução de rejeição ao impacto nas disputas majoritárias. Ao ser perguntado se o movimento teria reflexo em candidaturas alinhadas à esquerda em Rondônia, Magalhães afirmou que sim e acrescentou recortes de segmentos onde percebe melhora na percepção do governo federal, citando renda e geografia: “É como se a percepção, principalmente num grupo específico de pessoas, e aí as segmentações nos mostram isso, que são as pessoas mais pobres, as pessoas mais da capital, por incrível que pareça, e alguns interiores específicos, longe dos centros do interior que são mais conservadores, mas entre essa população realmente há uma melhora do governo Lula e com certeza pode impactar sim uma eleição majoritária daqueles que rumam para a esquerda.” No mesmo bloco, mencionou a leitura de que há poucos nomes identificados como “efetivamente esquerda” no estado, mas reiterou a possibilidade de impacto.
A conversa avançou para a disputa pelo Governo de Rondônia em 2026, e Robson Oliveira descreveu o que chamou de formação de “dois grandes blocos” de direita, citando Odairton Fúria (PSD) e o senador Marcos Rogério (PL) como polos principais. Nesse contexto, o apresentador afirmou haver, nas palavras dele, uma “forçação de barra” de setores da centro-esquerda para lançar Confúcio Moura ao governo. Magalhães respondeu com uma avaliação que classificou como técnica, baseada na “fotografia” do momento. Ao comentar a hipótese de Confúcio candidato ao Executivo, o pesquisador disse: “O cenário pra governo pro Confúcio, ele se mostra um pouco mais desafiador.” Em seguida, apontou o fator que, segundo ele, pesa primeiro: “Seria um cenário mais difícil, mais dificultoso dele pra governo por causa, primeiro, da rejeição, tá?”
Na sequência, Magalhães explicou que, na segmentação, parte do eleitorado de direita enxerga Confúcio como esquerda e rejeita por isso, ao mesmo tempo em que ele disse notar que parcelas da esquerda não o reconhecem plenamente como tal. O pesquisador sintetizou o efeito do estigma na tentativa de montar uma candidatura ao governo, especialmente em um ambiente de dois turnos: “Exatamente, mas o estigma acaba pegando, traz uma rejeição difícil de ser revertida em voto por uma eleição para o governo. Principalmente uma eleição e historicamente nos leva a dois turnos.” Ele ressaltou que não afirmava ser impossível, mas manteve a linha de que seria mais difícil.
Robson Oliveira, então, trouxe uma hipótese específica para explicar a rejeição a Confúcio, citando a impressão de que decretos ambientais no fim do governo dele — mencionando a criação de “onze reservas ambientais” — teriam marcado negativamente o ex-governador em um estado que descreveu como “eminentemente agrícola”. Ao responder, Magalhães reconheceu que o tema poderia ter ajudado a alimentar um discurso, mas disse que, quando a pesquisa pergunta diretamente à população sobre o motivo da rejeição, esse elemento não aparece como central. Na formulação do pesquisador: “Mas quando a gente vai perguntar para a população efetivamente por que dessa rejeição, isso não sai. Esse elemento não.” Ele acrescentou que o ponto poderia ter impacto localmente, citando a microrregião do Vale do Jamari, mas voltou ao eixo que considera predominante: alinhamento político. Ao comentar a percepção do eleitor comum, disse: “mas quando a gente vai lá por volta e dizer para o seu João, para a dona Maria, não é esse o problema, mas é uma questão de alinhamento político mesmo.” Robson, no mesmo trecho, concluiu que não seria possível afirmar de modo peremptório que o decreto ambiental fosse o principal motivo, ainda que pudesse contribuir.
O debate sobre 2026 mudou de foco para o Senado, e Robson Oliveira afirmou que o cenário estaria “aberto”. Magalhães concordou e atribuiu a ausência de favoritismo claro ao volume de nomes com “recall político” e elevado conhecimento público. Ele citou, como exemplos presentes no cenário mencionado, nomes como Fernando Máximo, Sílvia Cristina, Confúcio Moura, Mariana Carvalho, Asir Gurgacz e o próprio Marcos Rogério, além do Delegado Camargo, lembrando que muitos têm baixo índice de desconhecimento, mas variam em rejeição. Segundo o pesquisador, o resultado é uma disputa “mais aberta” e “mais desafiadora”.
Dentro desse tabuleiro, Magalhães afirmou que Confúcio aparece entre os primeiros colocados e descreveu uma faixa de intenção de voto no recorte que mencionou: “Eu também acho que os números mostram que ele tá entre os tops 4 ou 5.” Ao ser provocado, detalhou: “14%, exatamente. De 12% a 14%, dependendo do cenário que você olha.” Para ele, esse patamar pode ser suficiente, a depender do desenho final, especialmente porque, como destacou, 2026 terá dois votos para o Senado, elemento que ele chamou de incógnita e de difícil mensuração.
O tema do “segundo voto” apareceu como um dos pontos centrais do episódio. Magalhães descreveu a possibilidade de o eleitor usar um voto como escolha ideológica e o outro como decisão pragmática, vinculada ao que considera melhor para Rondônia em relação ao governo federal. A formulação citada por Robson, e confirmada pelo pesquisador, foi: “O primeiro da minha paixão e o segundo pensando em Rondônia.” No desenvolvimento, Magalhães sustentou que essa lógica pode ganhar força se o eleitor perceber como relevante ter um senador alinhado ao Planalto, mesmo que não seja a primeira opção do votante.
A entrevista também deu amplo espaço à trajetória de crescimento do deputado estadual Delegado Camargo nas sondagens para o Senado, apresentada por Robson como um salto que chamou atenção. O apresentador mencionou que, em pesquisa anterior, ele aparecia com cerca de 5% e, na mais recente, teria chegado próximo de 9%, “quase chegando aos dois dígitos”. Magalhães, ao comentar o termo “surpresa”, ponderou que o avanço não deveria desmerecer o trabalho, mas reconheceu a mudança de patamar. Ele afirmou: “E realmente é, vamos dizer, é surpreendente, porque há um crescimento.” Na sequência, disse observar evolução quando compara levantamentos, inclusive não divulgados, e explicou o encaixe estatístico do nome no pelotão, combinando crescimento, nível de conhecimento menor que o de adversários e baixa rejeição.
Em uma frase que sintetizou a leitura competitiva do momento, Magalhães afirmou que, considerando margem de erro e o agrupamento dos candidatos, Camargo já estaria dentro da disputa direta: “eu posso dizer que hoje, hoje, hoje, na segunda, última pesquisa, ele não só tá no páreo, como você disse ali no retrovisor, como se você piscar, ele já tá do teu lado dando certo pra passar.” Ao justificar a dinâmica, o pesquisador conectou o desempenho ao fato de Camargo, segundo ele, ser um dos poucos a fazer oposição direta ao governo estadual, em um contexto em que Marcos Rocha não seria unanimidade. Na leitura apresentada, haveria espaço eleitoral nos 40% que desaprovam o governador, e o deputado estaria “surfando” nesse público ao vocalizar a crítica.
A discussão sobre Marcos Rocha apareceu, então, em duas frentes: aprovação do governo e intenção de voto ao Senado. Robson questionou o que chamou de possível contradição entre ter uma gestão aprovada (acima de 50%) e, ao mesmo tempo, figurar abaixo de 20% na corrida senatorial. Magalhães respondeu separando duas medidas usadas pela Perfeito Pesquisas: aprovação (binária) e avaliação (ótimo, bom, regular, ruim, péssimo, com desdobramentos). Ele explicou o raciocínio dizendo: “A aprovação é uma coisa, a avaliação é outra.” Em seguida, descreveu a leitura de “morno” para a gestão: “Mas quando a gente vai pra avaliação... a gente vê que os números dele de ótimo, são menores, é como se fosse uma avaliação morna. É um bom, é um regular para mais, é uma coisa mais morna.” E arrematou a ideia com a expressão usada no programa: “É o famoso, tá bom, mas poderia ser melhor.”
Ainda sobre o governador, Magalhães disse que, em pesquisas qualitativas, a imagem pessoal de Marcos Rocha tende a ser melhor do que a avaliação da gestão, o que, na visão dele, poderia ser uma vantagem em uma eventual candidatura ao Senado. Porém, explicou que, mesmo assim, o cenário é concorrido e os números mencionados no episódio não seriam “confortáveis”. Robson resumiu a linha dizendo que seriam “bons”, mas não garantiriam tranquilidade. O pesquisador concordou: “Não, não são confortáveis.” Ele também detalhou que a aprovação varia por microrregiões, citando diferenças entre áreas como Madeira-Mamoré, Porto Velho, Vilhena, Ariquemes e Zona da Mata, com pontos de maior e menor aprovação.
Somente no terço final da conversa, o programa entrou em pormenores de metodologia e bastidores da pesquisa, além de comentários sobre ambiente de campanha e plataformas do projeto. Robson abriu o episódio incentivando participação do público e descrevendo onde o conteúdo circula. No trecho de apresentação, ele afirmou: “Nós estamos em todas as plataformas, TikTok, Instagram, três Instagrams bombando, duas televisões, TV Rema, TV Jovem Pan News, Rádio Jovem Pan News, pelo site Rondônia Dinâmica, enfim.” Disse ainda: “Você pode encontrar o Resenha Política em todas as plataformas digitais.” O programa, na edição descrita, teve patrocínio citado pelo apresentador, ao dizer: “Hoje, com patrocínio da CES Brasil, tenho o maior prazer de receber aqui o que eu considero, tecnicamente, o melhor pesquisador de eleição no estado de Rondônia.”
Do lado do convidado, Magalhães descreveu a Perfeito Pesquisas como uma empresa voltada principalmente a levantamentos de “consumo interno” contratados por campanhas e partidos, com publicação apenas de parte dos estudos. Ao resumir a proposta, declarou: “A Perfeito Pesquisas é uma empresa que trabalha de uma forma muito séria.” E, ao ser provocado por Robson com um jogo de palavras, reforçou a marca: “Perfil ou pesquisa, exatamente. Essa é a nossa marca.” No encerramento, Robson agradeceu e citou que o tempo havia se esgotado, retomando rapidamente um nome que, segundo ele, merecia mais análise: Hildon Chaves. Magalhães comentou que o ex-prefeito teria força na capital, mas menor capilaridade no interior, e disse que, em testes para o Senado, aparece com percentuais que o colocariam na disputa, mencionando a faixa de 14% a 15% como suficiente para estar “misturado” com outros nomes no cenário desenhado.
Ao final, o apresentador encerrou reforçando o convite para continuidade do acompanhamento do Resenha Política e agradecendo a participação do pesquisador.
DEZ FRASES DE GESSON MAGALHÃES NO RESENHA POLÍTICA:
01) “Eu ainda acho que a reprovação do governo Lula é irreversível.”
A afirmação foi feita por Gerson Magalhães ao avaliar o cenário político de Rondônia, mesmo após reconhecer a recuperação recente do presidente em pesquisas nacionais e estaduais.
02) “Antes era uma reprovação de 80%. Agora é uma reprovação de 70 e alguns por cento.”
O pesquisador detalhou a queda da rejeição a Lula em Rondônia, apontando um recuo estatístico relevante, embora ainda em patamar elevado.
03) “Mas, de cinco meses pra cá, os números a nível de Brasil mostram que houve uma melhora.”
A fala surgiu ao comparar o momento atual do governo Lula com o que classificou como “fundo do poço” meses antes, destacando mudança no cenário nacional.
04) “O cenário pra governo pro Confúcio, ele se mostra um pouco mais desafiador.”
Magalhães avaliou a viabilidade eleitoral de Confúcio Moura para o Governo de Rondônia, indicando dificuldades maiores do que em outras disputas.
05) “Quem se diz de direita olha para o Confúcio e entende ele como esquerda e o rejeita por isso.”
A frase foi usada para explicar o nível de rejeição enfrentado pelo senador, especialmente entre eleitores conservadores do estado.
06) “Já quando você olha por aspectos políticos que se dizem de esquerda ainda não reconhecem o Confúcio totalmente como esquerda.”
O pesquisador apontou o isolamento político de Confúcio Moura, que, segundo ele, não é plenamente absorvido nem pela direita nem pela esquerda.
07) “Mas quando a gente vai perguntar para a população efetivamente por que dessa rejeição, isso não sai.”
A declaração surgiu ao comentar a tese de que decretos ambientais no fim do governo Confúcio teriam sido o principal fator de rejeição, algo que, segundo ele, não aparece de forma clara nas pesquisas.
08) “A eleição do ano que vem, em Rondônia, ela passa por um critério ideológico, mas pesarão coisas além disso.”
Magalhães indicou que a disputa de 2026 tende a ser menos polarizada e mais pragmática, focada em resultados e benefícios concretos.
09) “O primeiro da minha paixão e o segundo pensando em Rondônia.”
A frase sintetizou a lógica do “segundo voto” para o Senado, em que o eleitor pode dividir sua escolha entre ideologia e pragmatismo político.
10) “Ele não só tá no páreo, como se você piscar, ele já tá do teu lado dando certo pra passar.”
A avaliação foi feita ao comentar o crescimento do deputado estadual Delegado Camargo nas pesquisas para o Senado, indicando que ele já ameaça candidatos mais tradicionais.



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