Publicada em 20/01/2026 às 15h31
Porto Velho (RO) - A divulgação do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), feita na segunda-feira, 19 de janeiro, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, provocou forte reação do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em entrevista ao TMC, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo — conselheiro federal por Rondônia — afirmou estar “muito preocupado” com os números do Enamed e alertou para os riscos à população.
Leia também: De Rondônia: FIMCA, UNINASSAU, Metropolitana e Afya são reprovados no Exame Nacional de Formação Médica
“O dado é crítico. A população brasileira não merece médico mal formado”, declarou Hiran Gallo, ao comentar o levantamento que enquadrou 107 cursos entre os reprovados, por obterem conceitos 1 e 2. Segundo ele, o cenário revela uma “radiografia gravíssima” do ensino médico no país.
Rondônia aparece entre os estados com instituições abaixo da faixa considerada satisfatória. Quatro cursos de Medicina em funcionamento no estado foram reprovados no Enamed, de acordo com a lista divulgada pelo Inep: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (conceito 2); Afya Centro Universitário de Porto Velho (conceito 2); Faculdade Metropolitana (UNNESA), em Porto Velho (conceito 1); e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul (conceito 2).
Na entrevista, o presidente do CFM explicou que o critério usado na avaliação considera a proporção de estudantes concluintes que atingem desempenho mínimo. “A população brasileira vai ficar em risco quando essas pessoas receberem seu CRM e estão inaptos para atender”, afirmou. Ele também defendeu a criação de um exame nacional obrigatório para egressos da Medicina, nos moldes da OAB, como condição para o exercício profissional.
“O médico, o egresso, tem que ser submetido a uma prova para saber se ele está qualificado para atender a nossa população brasileira. O CFM não poderá aceitar”, reforçou.
Ao analisar o perfil dos cursos com pior desempenho, Hiran Gallo afirmou que a maior parte dos reprovados está concentrada na rede privada. “Das 24 faculdades de medicina que obtiveram conceito 1, 17 são particulares. Entre as 83 com nota 2, 72 pertencem à rede privada”, disse, apontando preocupação com o crescimento acelerado de vagas sem fiscalização adequada.
O dirigente ainda citou tentativas de instituições privadas de impedir judicialmente a divulgação do resultado, mas elogiou a manutenção da transparência. “Quero enaltecer o MEC, que não se curvou, e a Justiça que derrubou essa tentativa de não levar ao conhecimento da população brasileira esse mau desempenho”, afirmou.
Hiran Gallo também atribuiu ao MEC a responsabilidade histórica pela autorização de novos cursos e expansão de vagas. “Quem autoriza as escolas médicas é o MEC pela lei. Estavam autorizando ou aumentando o número de vaga indiscriminadamente sem fazer essa avaliação. Essa omissão vem de governo a governo”, declarou, ponderando que o problema não seria exclusivo da gestão atual.
Apesar das críticas, ele reconheceu a relevância do Enamed como instrumento de diagnóstico, mas cobrou respostas concretas após a publicação do ranking. “Agora tem que vir um resultado. O que é que vai acontecer com essas escolas que tiveram rendimento pífio? Aí fica a pergunta”, disse.
ASSISTA:



Comentários
Seja o primeiro a comentar!