Por Notícia ao Minuto - Portugal
Publicada em 04/02/2020 às 15h31
O Presidente da Bielorrússia, Aleksander Lukashenko, que falava depois de um encontro no fim de semana com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, exortou a vizinha Rússia, o seu principal aliado e fornecedor, a prosseguir o envio de petróleo e gás para o seu país a baixo preço.
No entanto, o Kremlin suprimiu os subsídios de energia, ao argumentar que a Bielorrússia deveria aceitar o reforço da integração política e económica para garantir petróleo e gás mais barato.
Lukashenko disse que espera encontrar-se na sexta-feira com o seu homólogo russo Vladimir Putin para uma nova ronda de conversações, um encontro confirmado pelo porta-voz de Putin, Dmitry Peskov.
Os dois líderes encontraram-se em dezembro mas não conseguiram ultrapassar as divergências, e em resposta a Rússia decidiu reduzir os fornecimentos à Bielorrússia no início de 2020.
O fornecimento de petróleo russo em direção à Europa através da Bielorrússia prosseguiu sem limitações, mas as refinarias bielorrussas foram reduzidas a uma capacidade mínima. No passado, o país também garantiu dividendos através da exportação de produtos feitos à base de petróleo russo mais barato.
Lukashenko parece procurar fontes de fornecimento alternativas, e em janeiro a Bielorrússia adquiriu crude proveniente da Noruega. Na terça-feira, o ministro lituano dos Negócios Estrangeiros, deslocou-se a Minsk para abordar possíveis fornecimentos de petróleo num futuro próximo.
Em paralelo, o Presidente bielorrusso elogiou o encontro que manteve no passado fim de semana com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que considerou um sinal das novas relações de amizade com Washington.
"A preocupação da Rússia está a aumentar", assinalou hoje o chefe de Estado bielorrusso durante a visita uma fábrica. "A Bielorrússia determina a sua própria política externa enquanto nação soberana e independente".
Pompeo, o primeiro secretário de Estado norte-americano a visitar a Bielorrússia nos últimos 26 anos, disse que os Estados Unidos podem fornecer este país com 100% do seu petróleo e gás, e sublinhou que pretendem ajudar Minsk a manter a sua soberania.
Lukashenko lidera a ex-república soviética há mais de 25 anos em estilo autoritário, demonstrando pouca tolerância com a dissidência e preservando o seu poder através de processos eleitorais muito criticados pelo ocidente.
No entanto, e nos últimos anos, protagonizou uma aproximação ao ocidente na sequência das tensões com a Rússia, e os Estados Unidos e União Europeia aboliram algumas das suas sanções após Minsk anunciar a libertação de diversos presos políticos.
Lukashenko tem-se oposto com frequência às pressões do Kremlin e acusado diversos responsáveis russo de pretenderem que a Bielorrússia prescinda da sua soberania.
Em 1997 a Rússia e a Bielorrússia assinaram um acordo de união que previa estreitas relações políticas, económicas e militares, mas que não consumou a formação de uma nação comum.
Em Minsk, receia-se que Putin, no poder há duas décadas, procure uma unificação com a Bielorrússia como uma forma de manter a liderança num novo Estado unificado após cumprir do atual mandato presidencial, que expira em 2024.
Observadores citados pela agência noticiosa Associated Press (AP) interpretam as declarações de Lukashenko como o prosseguimento das suas velhas táticas destinadas a garantir concessões de Moscovo, mas na atual situação sugerem que o Kremlin pode responder de forma semelhante.
"Não existe uma verdadeira alternativa ao petróleo e gás russos, as outras opções são significativamente mais dispendiosas", considerou Valery Karbalevich, um analista político de Minsk.
"O Kremlin diz a Minsk em termos claros que terá de pagar pela sua independência, mas Lukashenko não pretende tornar-se no governador de uma província da Rússia e responde que está pronto para um confronto".
imprimir

