Prof. Herbert Lins – MTE 1143
Entre recados, desconfianças e ruídos, a política expõe suas contradições
CARO LEITOR, especialistas juravam que o Paraguai era o novo tigre da América do Sul. A promessa de crescimento e segurança para investidores parecia incontestável. Mas o caso Ueno Bank expôs o avesso da vitrine: concedeu empréstimos a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, entrou em resolução por problemas de solvência e deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro. O escândalo alcançou Santiago Peña, ex-acionista do grupo, do Partido Colorado e alinhado à direita radical e ao trumpismo, inclusive à tese do escudo da América. Sob pressão e diante do avanço do impeachment, Peña renunciou. A lição é amarga: não há milagre econômico quando interesses privados se confundem com o poder e a fiscalização falha. O tigre ainda pode ter pés de barro.
Paraíso
Críticos das amarras burocráticas brasileiras diziam que o Paraguai não sofria com tantas regras e resoluções que emperram o crescimento do Brasil. Vendido como paraíso para empreender, investir e enriquecer, o país virou destino de brasileiros descontentes com a política e a economia nacional.
Fragilidade
Entretanto, o escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição que concentrava cerca de 40% das contas bancárias do país, inclusive de aposentados, revelou que a realidade paraguaia estava longe da propaganda. A crise expôs fragilidades no sistema financeiro e abalou a confiança de milhares de correntistas.
Burros
Brasileiros que atravessaram a fronteira em busca de prosperidade, segurança econômica e menos burocracia acabaram dando com os burros n’água. Afinal, trocar o endereço não significa encontrar um paraíso. Às vezes, muda-se de país, mas os riscos continuam do outro lado da fronteira.
Scheid I
O senador eleito Bruno Scheid (PL) deverá integrar a tropa de choque em apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à Presidência do Senado. Marinho já reuniu 40 senadores aliados na sede nacional do PL essa semana, em Brasília.
Scheid II
Entretanto, a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) ainda precisa conquistar novos apoios para alcançar os votos necessários à vitória. Nessa articulação, Bruno Scheid (PL) poderá desempenhar papel estratégico, por ser uma das figuras em ascensão no PL e gozar da confiança da cúpula nacional da legenda.
Projeto
O deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil) lançou o projeto Direito em Mãos, com a proposta de distribuir exemplares do Vade Mecum a estudantes dos cursos de Direito das instituições de ensino superior. A iniciativa busca ampliar o acesso às ferramentas de estudo.
Retomar
Em publicação de #TBT, Maurício Carvalho (União) prometeu retomar o projeto com a maior brevidade possível. A iniciativa merece continuidade, sobretudo por beneficiar estudantes em situação de vulnerabilidade econômica, especialmente os das instituições públicas de ensino superior, como a Universidade Federal de Rondônia (Unir).
TDAH
Falando em iniciativa, o ex-vice-governador de Rondônia e médico psiquiatra Aparício Carvalho (Republicanos) acaba de lançar mais um livro. Desta vez, a obra tem como título “Observando o TDAH – compreender para acolher”.
Desconfiei
Sempre desconfiei que carregava algo diferente em mim. Essa percepção me acompanhou durante toda a vida e trouxe dificuldades, inclusive nas relações profissionais e emocionais. Mesmo assim, segui em frente, sem compreender o que acontecia.
Alerta
Quando meu filho Luiz Renato chegou, comecei a perceber nele alguns comportamentos semelhantes aos que marcaram minha infância. Foi quando acendeu o sinal de alerta. Passei a observar com mais atenção e buscar respostas para aquilo que, até então, não conseguia explicar.
Agradecimento
Já adulto, ao ter contato com os laudos do meu filho, decidi procurar acompanhamento médico e psicológico. Faço aqui um agradecimento público ao médico psiquiatra Justino Gonçalves e à psicóloga Fabiana Prado, que me ajudaram a compreender o TDAH e a olhar para minha própria história com outra perspectiva.
Condição
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento, com forte componente genético, que afeta funções cerebrais relacionadas à atenção, ao controle dos impulsos e à autorregulação.
Acolhimento
Compreender o TDAH é romper com rótulos, preconceitos e julgamentos. Diagnosticar não é limitar ninguém, mas oferecer condições para que cada pessoa compreenda suas dificuldades e desenvolva suas potencialidades. Informação também é acolhimento.
Resposta
O ex-deputado estadual Jair Montes, presidente do Avante em Rondônia, em conversa comigo, negou a existência de uma crise interna na legenda. A declaração foi uma resposta à análise que fiz no podcast Papo Ideal, apresentado pelo jornalista Juan Pantoja, sobre o pedido de desfiliação do deputado estadual Marcelo Cruz à Justiça Eleitoral.
Reivindicar
Para Jair Montes, Marcelo Cruz, ainda um cristão-novo no Avante, cometeu um erro ao recorrer à Justiça Eleitoral para deixar a legenda. Segundo ele, caso o parlamentar tenha cometido irregularidade no pedido, o Diretório Nacional poderá reivindicar o mandato por infidelidade partidária.
Desconfiança
No podcast Papo Ideal, com Juan Pantoja, manifestei minha desconfiança sobre a iniciativa de Marcelo Cruz (Avante) de deixar a legenda antes da diplomação e da posse. Na ocasião, levantei uma questão: por qual partido seria expedido seu diploma de deputado estadual?
Armadilha
Afinal, se o pedido de desfiliação for acolhido antes da diplomação, surge uma questão jurídica relevante sobre sua situação partidária. O documento será expedido em nome de qual legenda como exige a legislação eleitoral? Marcelo pode ter entrado em uma armadilha jurídica, cujas consequências ainda precisam ser esclarecidas.
Risco I
Nos bastidores da política, nem toda porta de saída representa liberdade. Às vezes, pode ser uma armadilha. Resta saber se Marcelo Cruz calculou os riscos da iniciativa ou se alguém o convenceu de que estava fazendo um bom negócio político.
Risco II
O ex-deputado estadual Jair Montes também comentou as notícias que circulam sobre a intenção do vereador Zé Paroca de deixar o Avante. Segundo Jair, o parlamentar só poderá sair da legenda em março de 2028 sem colocar seus mandatos em risco.
Avaliação
Na avaliação de Jair Montes, caso Zé Paroca deixe o Avante antes do prazo, poderá perder o mandato de vereador e o direito à primeira suplência de deputado estadual. A questão, segundo ele, vai além de uma simples mudança de legenda.
Crise
Jair Montes afirmou que, antes de falar em crise no Avante, é preciso discutir a crise de compromisso de alguns políticos com suas próprias legendas. Para ele, há parlamentares que ainda não compreenderam o significado de pertencer a um grupo político e respeitar suas decisões coletivas.
Destacou
O ex-deputado Jair Montes foi enfático ao lembrar que mandatos são passageiros, enquanto os partidos permanecem. Ele destacou que sempre haverá novas eleições e candidatos, mas a falta de compromisso e de palavra deixa marcas difíceis de apagar na trajetória política.
Regras
Por fim, Jair sustentou que os mandatos pertencem ao partido e que o Avante continuará tendo seus suplentes, independentemente de onde seus atuais representantes estejam ou para quais legendas decidam migrar. Em caso de vacância, a sucessão seguirá as regras eleitorais.
Deixar
O vereador Zé Paroca (Avante) nunca declarou que pretende deixar a legenda. A informação que circulou nos bastidores políticos foi fruto de especulações de setores da imprensa, sem confirmação do próprio parlamentar.
Polêmica
Um comentário do vereador Zé Paroca (Avante) em uma publicação do ex-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou polêmica nas redes sociais. A manifestação questionava a diferença superior a 10 milhões de votos que garantiu a vitória do presidente Lula (PT-SP).
Cognitivo
Na ocasião, Paroca teria escrito: “Mr M fez isso, só pode”. Diante da repercussão, o vereador afirmou a coluna que houve um problema cognitivo e de interpretação por parte de quem leu a mensagem. Segundo ele, a intenção era sugerir que os votos de Flávio teriam desaparecido num passe de mágica.
Ruídos
Vale lembrar que Zé Paroca votou e pediu votos para o número 22. A polêmica agora gira em torno da interpretação de sua manifestação: entre o que o vereador escreveu, o que pretendia dizer e aquilo que os leitores entenderam, a política digital continua produzindo ruídos.
Sério
Falando sério, não precisa mandar recados por intermédio do ex-deputado Jair Montes (Avante) ou de qualquer outra pessoa. Pegue o telefone e me ligue ou mande mensagem. Sou aberto a críticas e ao diálogo. O que não admito é ser enganado, tratado com deslealdade e infidelidade.


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