PORTO VELHO, RO - A presença de pessoas de esquerda no movimento Legendários, a permanência de famílias tradicionais na política e as articulações para a presidência da Assembleia Legislativa de Rondônia estiveram entre os assuntos abordados pelo deputado estadual eleito Wiveslando Neiva (PL) em entrevista ao jornalista Vinícius Canova. Durante participação no podcast RD Entrevista, realizado pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia, o futuro parlamentar também comentou a vitória de Marcos Rogério, a relação que pretende estabelecer com o PT e os acontecimentos que comprometeram o planejamento eleitoral de seu pai, Ezequiel Neiva.
Uma das passagens mais controversas da conversa ocorreu quando Wiveslando explicou o funcionamento dos Legendários, movimento masculino de orientação cristã do qual participa. O deputado eleito afirmou que as atividades incluem uma experiência de 72 horas, semelhante a um retiro espiritual, durante a qual os participantes são incentivados a refletir sobre suas responsabilidades familiares, profissionais e sociais.
Segundo ele, os integrantes são identificados por números e não pelos nomes, procedimento que teria como finalidade estabelecer uma relação de igualdade entre os participantes. Ao apresentar as características do grupo, revelou que o número 13 não é utilizado na identificação dos homens que participam das atividades.
A informação levou Vinícius Canova a questionar se o movimento admitia pessoas identificadas com a esquerda, considerando a associação do número 13 ao Partido dos Trabalhadores. Wiveslando rejeitou a possibilidade de impedimento e respondeu que gostaria, inclusive, de ver integrantes desse campo político participando dos encontros.
"Não, pelo contrário, né? A gente quer que vá muitos esquerdistas pra lá, até pra eles poderem se converter e andar pelo caminho certo", declarou o deputado eleito, ao responder à provocação sobre a participação de pessoas de esquerda nas atividades dos Legendários.
Na sequência, Wiveslando esclareceu que a experiência não determina necessariamente uma mudança de comportamento ou de posicionamento individual. Conforme explicou, alguém pode completar as atividades e continuar da mesma maneira, porque eventuais transformações dependem da disposição pessoal de cada participante.
O entrevistado negou que os Legendários organizem pedidos de voto, indiquem candidatos ou desenvolvam atividades eleitorais formais. Afirmou que o movimento se dedica principalmente à espiritualidade e à aproximação dos homens com os princípios cristãos, embora tenha reconhecido uma identificação desses valores com setores políticos da direita.
"Não é feito política lá dentro, a única política que a gente faz lá é dizer que somos cristãos, pessoas que trabalham com princípios cristãos e claro que isso aí se identifica muito com a direita", afirmou Wiveslando, ao explicar a distinção que faz entre as atividades religiosas e a militância partidária.
Ele citou encontros realizados nas proximidades das Três Caixas-d'Água, em Porto Velho, nas manhãs de segunda-feira, durante os quais os participantes se reúnem para orar pelas famílias, pela cidade e pelas autoridades públicas. Segundo o deputado eleito, o grupo não utiliza essas reuniões para promover candidaturas, embora as afinidades entre seus integrantes possam produzir conexões políticas indiretas.
O assunto ganhou relevância porque Wiveslando identificou outros integrantes dos Legendários entre os vencedores das eleições de 2026. Ele mencionou Marcos Rogério, eleito governador, Lúcio Mosquini, eleito deputado federal, e Lucas Torres, eleito deputado estadual. Os quatro, incluindo o próprio entrevistado, pertencem ao PL.
Wiveslando disse que o resultado das urnas confirmou a força da legenda em Rondônia, mas reconheceu que a dimensão da votação obtida por alguns candidatos superou suas expectativas. Atribuiu parte do desempenho partidário à identificação de parcelas do eleitorado com o bolsonarismo, especialmente nos municípios do Cone Sul.
Ao avaliar a responsabilidade política do PL após os resultados das eleições de 2026, Wiveslando afirmou que o grupo não poderá justificar uma eventual falta de resultados diante da força conquistada nas urnas. "Agora, o que nós não temos é desculpa. Esse grupo não tem mais desculpas de dar errado ou de não conseguir fazer coisas, de não fazer", declarou o deputado eleito. Na sequência, mencionou a bancada de sete deputados estaduais do PL, a presença de aliados de outras legendas e a vitória de Marcos Rogério no primeiro turno como fatores que ampliam a responsabilidade do grupo na próxima gestão.
A relação com a esquerda também apareceu em outro momento da entrevista, quando Vinícius Canova questionou como seria a convivência entre os representantes do PL e as duas parlamentares do PT na Assembleia Legislativa.
ASSISTA:
Wiveslando mencionou Cláudia, que já exercia mandato estadual, e Fátima Cleide, que retornará ao Legislativo após uma trajetória política que incluiu oito anos no Senado Federal. Ao comparar as duas, associou Fátima Cleide a uma tradição mais antiga do Partido dos Trabalhadores, enquanto apresentou Cláudia como uma representante política de maior disposição para o diálogo.
Ele recordou que Cláudia participou da legislatura anterior como única integrante do PT e afirmou não ter identificado, nesse período, episódios de grande constrangimento nas relações com os demais parlamentares. A partir dessa avaliação, manifestou expectativa de que a próxima composição da Assembleia preserve as condições para o debate entre correntes políticas diferentes.
"Eu tenho certeza que tanto eles, do PT, quanto nós do PL, o objetivo nosso é trabalhar para a população. É servir o povo. Nosso objetivo é comum, né? E a disputa acaba sendo para ver quem faz mais pelo povo", afirmou, ao explicar como considera possível estabelecer uma relação institucional entre governo e oposição.
Wiveslando sustentou que as divergências deverão ser resolvidas por meio da discussão de projetos e da formação de maiorias nas votações. Para ele, a diferença entre os partidos não impede que os representantes busquem resultados para a população, ainda que mantenham posições ideológicas distintas.
Outra pergunta de Vinícius Canova abordou diretamente a influência de famílias que acumulam mandatos ao longo de gerações. Filho do deputado estadual Ezequiel Neiva, Wiveslando foi convidado a avaliar se a permanência de determinados grupos familiares no exercício do poder representa uma característica saudável da democracia.
O entrevistado defendeu a continuidade dessas famílias quando associada à prestação de serviços públicos e à aprovação dos eleitores. Em sua avaliação, a experiência política construída durante muitos anos pode permitir a manutenção de projetos e compromissos que ultrapassam um único mandato.
Em contraposição, Wiveslando criticou o que chamou de candidaturas aventureiras, caracterizadas, segundo ele, por pessoas que chegam à política sem um planejamento duradouro e deixam a atividade pública depois de uma única experiência eleitoral.
"Na política a gente também vê muito aventureiro. A pessoa que aparece do nada como político, se candidata, ganha ali e tal, quatro anos fazendo algazarra por aí, meio perdido. E na eleição seguinte perde e some, acabou", declarou, ao estabelecer a diferença que considera existir entre projetos de continuidade e participações passageiras na vida pública.
O deputado eleito mencionou as famílias Donadon e Oliveira entre os exemplos de grupos políticos com longa presença no Legislativo estadual. Ao falar sobre os Donadon, recordou a trajetória de Marcos Donadon e Rosângela, associando a família a uma sequência de mandatos que, segundo suas contas, se estendeu por aproximadamente 36 anos.
No caso da família Oliveira, comentou a permanência de Jean de Oliveira na Assembleia e fez referências ao histórico político de seu pai. Wiveslando utilizou os exemplos para argumentar que a continuidade de grupos familiares não elimina a necessidade de conquistar votos a cada nova eleição.
Quando o assunto chegou à própria família, o entrevistado empregou a expressão "feudinho" para descrever, de maneira descontraída, uma tradição que considera ainda em desenvolvimento. Afirmou que a confiança dos moradores de Cerejeiras, Corumbiara e outros municípios do Cone Sul foi construída por meio de relações políticas mantidas durante anos, sobretudo pelo trabalho de Ezequiel Neiva.
"Se as pessoas estão votando e escolhendo, eu penso que é o trabalho que está sendo realizado", afirmou, ao defender que o julgamento sobre a continuidade de representantes de uma mesma família deve considerar a decisão do eleitorado.
Wiveslando também reconheceu que a força eleitoral concentrada nas cidades de origem da família já não é suficiente para assegurar uma vaga na Assembleia. Segundo explicou, o crescimento das votações individuais e a concorrência entre candidatos exigiram a expansão das alianças para municípios de diferentes regiões de Rondônia.
A discussão sobre a concentração de poder político avançou para a eleição da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Wiveslando afirmou que deputados eleitos pelo PL e representantes de outras siglas já participam de conversas sobre a escolha dos futuros presidentes da Casa.
Segundo ele, a bancada liberal, formada por sete parlamentares, deverá buscar entendimentos com integrantes do Podemos, do Novo e com outros deputados politicamente próximos de Marcos Rogério. A expectativa apresentada é de que esse conjunto de parlamentares consiga reunir condições para assumir o comando do Legislativo.
O deputado eleito ressaltou, entretanto, que as articulações ainda não haviam produzido nomes definidos. Ele admitiu a possibilidade de participar da disputa, mas observou que existem outros integrantes do grupo igualmente interessados na presidência.
"Pode ser qualquer um de nós, até mesmo eu, até mesmo qualquer outro colega, porque, se perguntar quem quer ser presidente dessa Legislativa, vai ter 24 candidatos lá, todos querem ser", afirmou, ao comentar o interesse dos parlamentares pela direção da Casa.
Wiveslando disse acreditar que as negociações poderão resultar, até janeiro, em dois nomes de consenso para presidir a Assembleia durante os dois biênios da legislatura. Apesar de reconhecer o caráter competitivo da escolha, apresentou uma avaliação favorável à capacidade de entendimento entre os representantes recém-eleitos.
Ao tratar da disputa pela Mesa Diretora, Vinícius Canova relembrou uma entrevista antiga com o ex-presidente da Assembleia Hermínio Coelho, na qual foram mencionadas práticas de isolamento de parlamentares em resorts durante negociações políticas. O apresentador questionou se Wiveslando já havia recebido abordagens semelhantes.
O deputado eleito afirmou conhecer relatos sobre esse tipo de comportamento, mas considerou que a prática pertence a uma fase anterior da política estadual. Segundo ele, a desconfiança entre deputados chegava ao ponto de integrantes de determinados grupos permanecerem afastados durante semanas para evitar abordagens de adversários.
"Realmente, assim, a situação era tão feia que os próprios colegas políticos desconfiavam tanto um do outro e tinham que fugir por semanas escondidos para que os outros políticos não conseguissem conversar com eles, porque eles poderiam mudar de lado a qualquer momento", afirmou, ao descrever os episódios antigos mencionados durante a conversa.
O entrevistado declarou esperar que a nova legislatura estabeleça uma dinâmica diferente, com acordos construídos por meio de diálogo direto entre os parlamentares. Na avaliação apresentada por ele, a existência de um grupo renovado na Assembleia pode favorecer negociações menos dependentes de disputas pessoais pelo poder.
As relações políticas com o governo eleito também foram abordadas quando Wiveslando recebeu uma pergunta sobre a possibilidade de assumir algum cargo no Executivo estadual. Ele afirmou não ter planejado essa alternativa, destacando que sua intenção é tomar posse e exercer efetivamente o mandato conquistado nas urnas.
O parlamentar eleito ponderou que um eventual convite de Marcos Rogério poderia ser analisado, mas esclareceu que a hipótese não fazia parte de seus planos no momento da entrevista.
A situação de Ezequiel Neiva, porém, foi apresentada como uma possibilidade concreta de participação no próximo governo. Wiveslando revelou que mantém conversas com o governador eleito e com integrantes da equipe de transição sobre o aproveitamento da experiência administrativa e parlamentar do pai.
Ele apontou a Secretaria de Estado da Agricultura como a área considerada nessas conversas, principalmente em razão da dedicação de Ezequiel a iniciativas destinadas aos pequenos produtores rurais.
Wiveslando destacou que o pai já havia atuado em funções relacionadas à administração estadual e acumulado três mandatos parlamentares. Também lembrou o trabalho desenvolvido na destinação de recursos para máquinas agrícolas, tratores, implementos e insumos utilizados por associações e produtores familiares.
Segundo ele, a agricultura familiar precisa de uma atenção específica do poder público porque muitos trabalhadores não dispõem de recursos para adquirir equipamentos capazes de elevar a produtividade de suas propriedades.
O deputado eleito relatou visitas realizadas ao lado do pai durante as quais conheceu agricultores que trabalhavam com ferramentas manuais e enfrentavam dificuldades para ampliar a produção. Posteriormente, segundo sua descrição, algumas dessas propriedades passaram por mudanças com a chegada de máquinas e equipamentos viabilizados por meio de apoio público.
Para Wiveslando, o suporte dado aos grandes produtores deve se concentrar principalmente em infraestrutura, como estradas e pontes necessárias ao transporte da produção. Já as pequenas propriedades, conforme defendeu, necessitam também de assistência material e tecnológica para aumentar a capacidade produtiva.
As conversas sobre o futuro de Ezequiel ocorreram depois de uma campanha marcada por dificuldades relacionadas à impossibilidade de o deputado disputar a reeleição à Câmara Federal. Wiveslando relatou que a família havia planejado as duas candidaturas de maneira integrada e esperava obter uma definição jurídica antes de qualquer substituição.
Conforme explicou, o partido realizou a mudança depois do indeferimento do registro de candidatura, sem que fosse aguardada uma análise do recurso que a família pretendia apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral.
Wiveslando manifestou descontentamento com esse encaminhamento, principalmente porque a candidatura escolhida para substituir a de Ezequiel teria participado da disputa sub judice. Ele afirmou que a diferença entre as situações gerou questionamentos dentro do próprio grupo político.
A retirada da candidatura federal também prejudicou, segundo seu relato, o planejamento financeiro e a estrutura de divulgação que haviam sido organizados para a campanha. Wiveslando disse que materiais publicitários já produzidos perderam utilidade e que os recursos eleitorais esperados para a candidatura do pai deixaram de fazer parte das previsões iniciais.
Além das consequências financeiras, as lideranças políticas ficaram sem direcionamento durante alguns dias. O deputado eleito relatou que a mobilização precisou ser reorganizada, com novas visitas, telefonemas e contatos para assegurar a continuidade da disputa.
Apesar do episódio, conquistou 18.610 votos e uma cadeira na Assembleia Legislativa. Segundo afirmou, a eleição foi decidida em condições de forte concorrência, com diferenças pequenas entre candidatos e votações individuais superiores às registradas em disputas anteriores.
Ele mencionou que a votação de 2026 confirmou uma transformação na competição proporcional em Rondônia. Como exemplo, comparou os resultados atuais com eleições antigas nas quais candidatos conseguiam destaque estadual com quantidade significativamente menor de votos.
A conquista da cadeira também ocorreu em um cenário de expansão eleitoral do PL. Além de formar a maior bancada da Assembleia, o partido venceu o Governo de Rondônia no primeiro turno e elegeu dois representantes ao Senado Federal.
Wiveslando afirmou ter sido surpreendido pela votação de alguns integrantes da legenda, apesar de já esperar um desempenho expressivo em razão do ambiente político favorável ao partido. Segundo ele, a força da candidatura de Marcos Rogério e a identificação bolsonarista de parte do eleitorado contribuíram para o resultado.
O deputado eleito destacou que a vitória para o governo estadual ainda no primeiro turno permitiu ao grupo iniciar antecipadamente as conversas sobre a composição da próxima administração, sem a necessidade de negociar apoios adicionais para uma segunda etapa da disputa eleitoral.
Ao comentar as responsabilidades da futura gestão, defendeu uma atuação integrada entre Executivo e Legislativo. Para Wiveslando, a presença de aliados políticos nas diferentes instâncias oferece condições para desenvolver iniciativas consideradas prioritárias pelo grupo.
Entre elas, apontou a regionalização da saúde pública, com a ampliação de atendimentos no interior e a redução de deslocamentos de pacientes para Porto Velho. Segundo argumentou, a capital já concentra uma demanda elevada de seus próprios moradores e recebe pessoas encaminhadas de municípios distantes, o que aumenta a pressão sobre a rede de serviços.
O deputado eleito defendeu a implantação de uma estrutura regional capaz de atender às necessidades dos moradores do Cone Sul. Ele afirmou que viagens de centenas de quilômetros em busca de tratamento representam uma dificuldade adicional para pacientes e acompanhantes, além dos riscos próprios do transporte rodoviário.
Outro projeto citado foi uma ligação rodoviária pelo interior de Rondônia, apresentada como alternativa à BR-364 e à cobrança de pedágios. Wiveslando afirmou que a proposta integra o planejamento de Marcos Rogério e conta com seu apoio.
Na área econômica, o deputado eleito manifestou preocupação com a redução da capacidade de investimento do governo estadual. Ele mencionou dados que, segundo relatou, foram apresentados pelo Tribunal de Contas durante conversas com candidatos ao Executivo e apontou a aproximação entre as despesas e as receitas como um problema a ser enfrentado.
Wiveslando também defendeu o compromisso atribuído ao governador eleito de controlar os gastos administrativos sem aumentar impostos. Na avaliação dele, a população e os agentes econômicos já enfrentam uma carga tributária elevada, sendo necessário melhorar a relação entre os valores arrecadados e os serviços públicos efetivamente oferecidos.
Em outra parte da conversa, o deputado eleito relembrou sua formação e a trajetória profissional anterior à disputa eleitoral. Nascido em Colorado do Oeste e criado em Cerejeiras até os 17 anos, Wiveslando contou que exerce a advocacia desde 2012 e que também trabalhou no Tribunal de Contas e na Secretaria de Estado da Agricultura.
Antes de ingressar nas disputas eleitorais, dedicou-se aos estudos para concursos da magistratura. Relatou ter alcançado uma etapa avançada de um concurso do Tribunal de Justiça do Acre, mas afirmou que a interrupção das seleções durante a pandemia alterou seu planejamento profissional.
Nesse período, aproximou-se do trabalho de Ezequiel Neiva na Assembleia Legislativa e passou a considerar a possibilidade de atuar diretamente na política. Segundo explicou, o acompanhamento das atividades parlamentares o levou a perceber oportunidades de contribuição à sociedade por meio da formulação e implementação de políticas públicas.
A primeira candidatura ocorreu em 2022, quando disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados e obteve quase 11 mil votos. Wiveslando afirmou que, naquela ocasião, não dispunha de toda a estrutura de lideranças políticas que acompanhava o pai, uma vez que parte do grupo já havia assumido compromissos com outros candidatos.
Em 2026, a situação foi diferente. Com a mobilização do grupo familiar, expandiu sua campanha para diferentes regiões do estado, embora tenha preservado Cerejeiras e municípios vizinhos como referências de sua trajetória política.
O entrevistado explicou que a influência das administrações municipais pode alterar significativamente o resultado de uma disputa proporcional. Segundo ele, prefeitos de cidades maiores conseguem reunir quantidades expressivas de votos em torno de candidaturas específicas, enquanto municípios menores frequentemente dividem seus apoios entre vários concorrentes.
Como exemplos, mencionou a votação de Paulo Moraes em Porto Velho e o desempenho eleitoral de um candidato apoiado pela administração municipal de Ji-Paraná. Também comentou que, no Cone Sul, a necessidade de manter relações com diferentes deputados costuma provocar a distribuição dos apoios políticos locais.
Ao falar sobre suas origens, Wiveslando recordou que o avô exerceu o cargo de prefeito de Cerejeiras e participou da formação da Associação Rondoniense de Municípios ao lado de outros prefeitos da época. A presença de familiares em cargos municipais também foi apresentada como parte da tradição política que influenciou sua trajetória.
O deputado eleito afirmou que a política faz parte de sua convivência familiar desde muito cedo e que não considera necessário modificar sua personalidade para disputar mandatos. Ao mesmo tempo, reconheceu que a eleição de 2026 exigiu um trabalho territorial mais amplo e uma estrutura eleitoral diferente da utilizada nas disputas anteriores.
Na conclusão da entrevista, Vinícius Canova pediu que Wiveslando explicasse quais motivos deveriam levar a população rondoniense a confiar em sua atuação na Assembleia Legislativa.
O deputado eleito respondeu que pretende cumprir os compromissos assumidos durante a campanha, preservar os princípios que apresentou aos eleitores e construir uma relação política fundamentada na confiança.
"Não quero ficar causando surpresa ou susto em ninguém", afirmou Wiveslando, ao explicar que deseja ser reconhecido como um representante previsível, capaz de manter coerência entre o discurso eleitoral e as decisões tomadas no exercício do mandato.


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