Prof. Herbert Lins – MTE 1143
Da guerra de narrativas na eleição à sujeira nas ruas e nos bastidores do poder
CARO LEITOR, esta é a nona campanha presidencial em que acompanho debates entre candidatos à Presidência da República. Sinceramente, o debate da Band, na noite de ontem (18), escancarou a incompetência das equipes de marketing eleitoral e me fez sentir saudades dos marketeiros Paulo de Tarso, Duda Mendonça, João Santana e até Marcos Valério. O espetáculo protagonizado pelo presidente Lula (PT-SP), que busca a reeleição, e pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um show de horrores, com ataques, provocações e promessas sem orçamento. A pergunta que fica é: o eleitor indeciso que permaneceu em casa no primeiro turno foi estimulado a sair para votar ou ganhou mais motivos para desacreditar da política? Faltaram propostas consistentes, respostas objetivas e, sobretudo, explicações sobre de onde virá o dinheiro para pagar a conta. Quando o debate vira ringue e o marketing fracassa, quem perde é o eleitor. E o Brasil paga a conta.
Estratégias
Debates eleitorais são vencidos por duas estratégias: retórica, argumentos e poder de persuasão; ou estratagemas, como o whataboutism, que desvia o foco e cria momentos virais. Na Band, o confronto expôs essa diferença e seus efeitos.
Perdeu
O presidente Lula (PT-SP), candidato à reeleição e veterano em disputas presidenciais, pouco explorou a retórica para impor sua agenda. Ao reagir às provocações, perdeu oportunidades de apresentar argumentos consistentes e responder às dúvidas do eleitor indeciso.
Recorreu
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recorreu ao whataboutism, desviando acusações para as do adversário e buscando cortes virais. A tática lembra confrontos de dos presidenciáveis Donald Trump (Republcianos) contra Hillary Clinton (Democratas) em 2016, quando ataques também dominaram a cena eleitoral.
Intervir
A jornalista Adriana Araújo, mediadora do debate da Band, precisou intervir três vezes para pedir que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parasse de ficar atrás de Lula no palco. A cena expôs como a provocação pode sufocar o debate de ideias e roubar do eleitor respostas essenciais.
Voto
O ponto alto do debate da Band foi o confronto sobre votos de presos. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou Lula (PT-SP) sobre os supostos 73%. Lula retrucou: “Quero os 100%, até o voto do teu pai!”
Desinforma
O mais grave é dois presidenciáveis alimentarem uma narrativa sem esclarecer a lei: condenados com sentença definitiva perdem os direitos políticos, mas presos provisórios podem votar. Confundir essas situações distorce o debate e desinforma o eleitor.
Agradecer
O governador eleito Marcos Rogério (PL) percorre Rondônia com parlamentares eleitos do partido para agradecer os votos e pedir apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. A meta é ampliar os 67,45% obtidos pelo presidenciável no estado.
Mapear
A equipe de transição do governador Coronel Marcos Rocha (PSD) e do governador eleito Marcos Rogério (PL) realiza hoje (19) a primeira reunião. O objetivo é levantar dados técnicos da máquina pública e mapear desafios para orientar a nova gestão.
Especulação
Marcos Rogério afirma que a escolha do secretariado e dos cargos de primeiro e segundo escalões ficará para depois; por ora, tudo não passa de especulação. Nos bastidores, porém, aliados próximos já circulam promessas de nomeações para o novo governo.
Montar
Marcos Rogério acerta ao priorizar o diagnóstico antes da distribuição de cargos. Montar um governo exige estratégia e critérios: há nomeações fáceis de fazer, mas difíceis de desfazer. A pressa para acomodar aliados pode custar caro à nova gestão.
Transição I
A equipe de transição do governador eleito Marcos Rogério (PL) reúne nomes conhecidos, além do deputado federal Lúcio Mosquini (PL). Entre eles está Walter Silvano, que presidiu o IPERON durante o governo Confúcio Moura (MDB), com uma gestão considerada de excelência.
Transição II
Também integram a transição a jornalista Ludmila Lucas Tavares, assessora de Marcos Rogério, e Edemir Brasil Neto e Gustavo Nobre, que atuaram na Secretaria de Obras da gestão Hildon Chaves e colaboraram no plano de governo de Mariana Carvalho quando disputou a Prefeitura de Porto Velho nas eleições de 2024.
Transição III
A equipe conta ainda com o ex-juiz eleitoral e advogado eleitoralista Juacy dos Santos Loura Júnior, o ex-gerente da Usina Santo Antônio Valdemar Camata Júnior e Marco Aurélio Blaz Vasques, de Cacoal, ampliando o perfil técnico do grupo.
Listando
O senador eleito Fernando Máximo (PL) publicou nas redes sociais um vídeo listando dez obras que atribui à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro em Rondônia. A iniciativa reacende a discussão sobre investimentos federais e entregas no estado.
Promessa
Com a lista em mãos, Fernando Máximo (PL) pode provocar o advogado Samuel Costa (PSB) e o ex-senador Ernandes Amorim a cumprir a promessa de dar um carro a quem apontasse obras entregues por Bolsonaro em Rondônia. Agora, a disputa é pelos fatos.
Participaram
O deputado federal reeleito Maurício Carvalho (União), a ex-candidata ao Senado Mariana Carvalho (Republicanos) e seus pais, Aparício e Maria Silvia Carvalho, participaram ontem (18) do ato do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na Avenida Paulista.
Desapareceu
O ex-candidato ao governo de Rondônia Expedito Netto (PT) desapareceu da campanha no segundo turno do presidente Lula (PT-SP) e virou alvo de questionamentos da própria militância petista. Nos bastidores, a pergunta é uma só: por onde anda o neófito do PT?
Praxe
Segundo denunciantes, as supostas rachadinhas nas rescisões da Câmara Municipal de Porto Velho seriam praxe no fim de cada gestão da Mesa Diretora. Na conta deles, R$ 1 mil de cada um dos 700 exonerados renderia R$ 700 mil. Isso por baixo!
Visível
A SISTEMMA, responsável pela limpeza pública de Porto Velho, parece não dar conta do serviço, apesar do contrato milionário. A Avenida José Camacho, ao lado do Ministério Público, é um exemplo visível de que o dinheiro não garante cidade limpa.
Sério
Falando sério, nem tudo é culpa dos marqueteiros. Treino políticos para debates e sei que candidato tem vontade própria e nem sempre obedece. Mas prever ataques, ensaiar respostas e preparar estratagemas para escapar de armadilhas é trabalho de marqueteiro. E faltou tudo isso a dois profissionais que, juntos, embolsaram R$ 46 milhões do FEFC, mas não demonstraram dominar o básico da literatura ou fazer seus clientes aplicarem o que aprenderam.


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