PORTO VELHO, RO - Duas campanhas diferentes ocuparam simultaneamente a atuação de Nelson Canedo nas eleições de 2026. O advogado eleitoralista coordenou os jurídicos de Marcos Rogério na disputa pelo Governo de Rondônia e de Fernando Máximo na corrida pelo Senado Federal. Ambos foram eleitos.
Marcos Rogério venceu a eleição estadual no primeiro turno, com 56,86% dos votos válidos. Na avaliação de Canedo, o resultado ganhou dimensão particular porque, em 36 anos de eleições diretas em Rondônia, apenas uma disputa anterior pelo Governo havia terminado no primeiro turno, em uma eleição de reeleição.
Fernando Máximo, por sua vez, foi eleito senador com 570.799 votos. Conforme relata Canedo, a votação fez dele o candidato ao Senado mais votado da história de Rondônia.
“Duas campanhas simultâneas. Duas estruturas. Duas disputas com desafios completamente diferentes. E a responsabilidade de comandar juridicamente ambas até uma vitória histórica”, afirmou.
A atuação em campanhas eleitorais, no entanto, antecede as disputas deste ano. Em 2024, Canedo coordenou juridicamente a candidatura de Léo Moraes à Prefeitura de Porto Velho.
Léo terminou o primeiro turno com 25,65% dos votos e chegou à segunda etapa quase 19 pontos percentuais atrás da primeira colocada. No segundo turno, venceu com 56,18%.
Segundo Canedo, foi a maior virada registrada entre as capitais brasileiras que tiveram segundo turno naquele ano. Depois da eleição, ele integrou a equipe de transição e continuou como advogado pessoal de Léo Moraes.
Dois anos antes, o eleitoralista estava do outro lado de uma disputa que teria um desdobramento particular em 2026. Na eleição de 2022, coordenou o jurídico da campanha de reeleição do então governador Marcos Rocha.
Naquele primeiro turno, Rocha recebeu 38,96% dos votos, enquanto Marcos Rogério alcançou 36,89%. A definição ocorreu no segundo turno, quando Marcos Rocha venceu por 52,47% a 47,53%, com 458.370 votos contra 415.278.
“Foi uma das eleições mais difíceis que já acompanhei”, recordou.
Canedo afirmou que aquela disputa foi acompanhada “voto a voto, município a município, detalhe por detalhe” e destacou também as questões jurídicas posteriores ao resultado.
“Sem esquecer da batalha jurídica para manter os eleitos no mandato. E deu certo”, declarou.
Após a eleição, Canedo passou a atuar como advogado pessoal de Marcos Rocha. Quatro anos depois, Marcos Rogério, adversário naquela disputa, tornou-se o candidato ao Governo cuja campanha seria coordenada juridicamente por ele.
“Há uma ironia que só a política proporciona”, resumiu.
O histórico relatado pelo advogado inclui ainda a eleição municipal de 2016. No segundo turno daquele ano, Canedo reforçou a coordenação jurídica da campanha de Hildon Chaves à Prefeitura de Porto Velho.
Hildon havia terminado a primeira etapa com 27,20% dos votos e chegou a 65,15% no segundo turno, quando venceu a eleição. Nos anos seguintes, Canedo também atuou como advogado de Hildon em questões relacionadas à administração municipal.
A trajetória mencionada por ele recua ainda a 2012, quando trabalhou na campanha de Mauro Nazif para prefeito de Porto Velho. Nazif chegou àquela eleição depois de ter disputado anteriormente duas vezes a Prefeitura e uma vez o Governo de Rondônia.
“Muita gente já não acreditava”, afirmou Canedo.
Nazif avançou ao segundo turno e venceu com mais de 63% dos votos válidos.
“Foi uma daquelas campanhas que ensinam que, na política, muitas vezes a vitória começa justamente quando quase ninguém mais acredita nela”, declarou.
Canedo foi posteriormente nomeado coordenador da equipe de transição de Mauro Nazif, ao lado de Mário Medeiros e de uma equipe técnica. Durante os quatro anos seguintes, permaneceu como advogado pessoal do prefeito.
Ao descrever sua forma de atuação, Canedo afirma que não limita a coordenação jurídica à elaboração de peças processuais.
“Coordenar juridicamente uma campanha nunca foi, para mim, apenas fazer petição”, disse.
Segundo ele, o trabalho envolve acompanhar a estratégia e agir diante de problemas antes que eles avancem.
“É antecipar problema. É entender a estratégia. É proteger a campanha. É decidir rápido quando um detalhe pode mudar o rumo de uma eleição.”
Canedo relaciona as experiências de 2012, 2016, 2022, 2024 e 2026 a uma trajetória construída em disputas eleitorais que exigiram decisões sob pressão.
“Foram muitas eleições, madrugadas, liminares, recursos, crises, reuniões e decisões tomadas sob pressão”, afirmou.
O advogado ressalta que os episódios mencionados representam apenas parte das campanhas das quais participou.
“Quando olho para trás, percebo que minha trajetória no Direito Eleitoral foi construída ao longo dos anos justamente nas campanhas em que o resultado parecia mais difícil, mais improvável ou dependia de detalhes que poucos enxergavam.”
Ao sintetizar os anos que escolheu destacar, Canedo enumerou: “2012. 2016. 2022. 2024. 2026. E essas são apenas algumas das campanhas que marcaram minha trajetória.”
E concluiu: “Nunca foi sorte. Foi uma história construída eleição após eleição, sempre na linha de frente.”


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