PORTO VELHO, RO - Milhares de pessoas participaram de uma marcha em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas ruas do Centro de Porto Velho no domingo, 11 de outubro, sem estimativa oficial de público. Convocada por coletivos de juventude, a mobilização começou na Praça das Três Caixas d'Água e percorreu importantes vias da região central da capital. Em entrevistas exclusivas concedidas ao Rondônia Dinâmica, a ex-senadora e deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT), a ex-candidata ao Senado Luciana Oliveira (PT) e o secretário estadual de Movimentos Populares do partido, Ramon Cujuí, analisaram a manifestação, a participação dos jovens e os efeitos do resultado do primeiro turno sobre a mobilização eleitoral.
A concentração ocorreu a partir das 16h. Os manifestantes saíram da Praça das Três Caixas d'Água, desceram a Avenida Presidente Dutra, passaram pela Rua 7 de Setembro, seguiram pela Avenida Percival Farquhar e retornaram ao ponto de partida. Durante o percurso, houve uma parada nas proximidades de uma unidade de ensino. A caminhada reuniu estudantes, professores, familiares, representantes de movimentos sociais e integrantes de organizações políticas em defesa da candidatura petista no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Fátima Cleide: Ex-senadora da República e deputada estadual eleita pelo PT, Fátima Cleide afirmou, em entrevista exclusiva ao Rondônia Dinâmica, não se recordar de uma manifestação com tamanha participação popular em Porto Velho desde as grandes mobilizações de décadas anteriores / Reprodução
Fátima Cleide, que já exerceu mandato no Senado Federal e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia nas eleições deste ano, foi uma das participantes. Em declaração exclusiva ao Rondônia Dinâmica, a parlamentar eleita comparou a dimensão da manifestação com mobilizações políticas de décadas anteriores e afirmou não recordar de uma caminhada semelhante na capital.
"Há muito tempo eu não via uma manifestação tão grande nas ruas de Porto Velho, né?", declarou.
Ao explicar a comparação, Fátima recuperou experiências vividas durante o período de mobilização pelas eleições diretas e das grandes greves que marcaram os anos 1980 e o começo da década seguinte.
"Eu, para falar a verdade a você, assim, eu me lembro da gente botar muita gente na rua na época das diretas dos anos 80, sabe?", afirmou. Em seguida, acrescentou: "Mas como ontem em Porto Velho eu não tenho lembrança de outro momento."
A deputada estadual eleita também apresentou sua interpretação sobre a diferença entre o comportamento dos apoiadores de Lula no primeiro turno e a movimentação registrada depois da votação de 4 de outubro. Segundo Fátima, havia entre parte da militância uma expectativa de vitória antecipada do presidente, enquanto a eleição de candidatos ligados à direita acabou provocando uma reação de setores juvenis que anteriormente não estavam tão envolvidos nas atividades de rua.
"E as pessoas estavam bem tranquilas com relação a isso", disse, ao recordar o ambiente político anterior à abertura das urnas.
Na avaliação da petista, as organizações juvenis vinculadas ao PT, PCdoB e PSOL já participavam da campanha, mas o movimento realizado no domingo conseguiu incorporar outros segmentos. Ela relacionou essa ampliação à preocupação dos participantes com o resultado das eleições e com a possibilidade de retorno de políticas às quais se opõem.
"A moçada resolveu se manifestar também. Entendeu que não dá para ficar parado de braços cruzados na internet, que é preciso tomar a internet e tomar também as ruas, né?", declarou.
A parlamentar ainda atribuiu a mobilização a uma maior preocupação com os direitos individuais, civis e coletivos. Ao abordar as propostas em discussão na eleição presidencial, criticou a possibilidade de redução de direitos trabalhistas e sociais, que associa ao programa defendido pelo adversário de Lula. Entre os temas mencionados esteve o debate sobre o encerramento da escala de trabalho 6×1.
Fátima defendeu a adoção de uma jornada que assegure dois dias de descanso por semana aos trabalhadores, mas afirmou que sua posição pessoal vai além dessa proposta.
"Na realidade, eu já estou um pouco mais adiantada, porque eu já sou defensora da escala 4x3", declarou.
A deputada eleita argumentou que a redução da jornada permitiria ampliar o tempo disponível para estudo, lazer e convivência familiar. Também sustentou que essa mudança poderia trazer benefícios à organização do trabalho e à geração de empregos, avaliação apresentada por ela durante a entrevista.
"Então, eu acredito que o resultado dessa conscientização é a mobilização de rua", afirmou, ao relacionar as reivindicações trabalhistas à participação política.

Luciana Oliveira: Ex-candidata ao Senado pelo PT, Luciana Oliveira destacou o protagonismo dos jovens na marcha pró-Lula e ressaltou que a manifestação foi organizada por coletivos juvenis, com apoio estrutural do partido / Reprodução
Outra liderança presente na marcha, Luciana Oliveira, que disputou uma das vagas ao Senado Federal pelo PT nas eleições de 2026 e alcançou mais de 96 mil votos, destacou o caráter juvenil da organização. Em entrevista exclusiva ao Rondônia Dinâmica, ela fez questão de diferenciar a iniciativa dos estudantes da estrutura partidária tradicional.
"Eu acho que é importante destacar que esse não é um movimento do PT. Foi uma grande manifestação puxada, organizada pela juventude de Rondônia", declarou.
Luciana explicou que sete grupos se articularam depois do primeiro turno e passaram a trabalhar na preparação da caminhada. Segundo ela, a estrutura do Partido dos Trabalhadores colaborou com as condições necessárias à realização da atividade, mas não assumiu o protagonismo da organização.
"Eram sete grupos que se formaram após o primeiro turno e aí sim o PT deu todo o suporte que pôde, com segurança, com estrutura, né? E ajudou nessa mobilização", afirmou.
A jornalista também chamou a atenção para a presença de estudantes acompanhados dos pais. Para ela, a participação de pessoas de diferentes faixas etárias demonstrou que a manifestação ultrapassou os grupos tradicionais da militância petista.
"São duas gerações de progressistas, de pessoas que optam por militar para a reeleição do presidente Lula", declarou. Logo depois, reforçou: "Mas, sem sombra de dúvidas, foi um grande levante de juventude. Não do PT."
A presença de lideranças políticas e militantes históricos também foi confirmada por Luciana, que mencionou a participação de Fátima Cleide e de pessoas ligadas à fundação do partido em Rondônia. Segundo seu relato, havia jovens que manifestavam interesse em ingressar no PT, inclusive participantes que declararam ter realizado a filiação recentemente.
Luciana afirmou ainda ter encontrado pessoas que historicamente votam em candidatos de direita, mas que passaram a apoiar Lula na segunda etapa da disputa. A declaração foi apresentada como uma percepção pessoal da comunicadora, que, além de participar, ainda transmitiu o evento nacionalmente através do portal Brasil 247.
Na avaliação dela, a mobilização teve importância especial por ter acontecido em uma cidade na qual Flávio Bolsonaro obteve ampla vantagem nas urnas. Luciana Oliveira reconheceu que o grupo reunido nas ruas representa apenas parte do eleitorado da capital, mas considerou a atividade relevante para a organização dos apoiadores petistas.
"Esse movimento de ontem, essa manifestação, ela é muito simbólica", afirmou.
Ela também reconheceu dificuldades de comunicação e aproximação entre o PT, o governo federal e setores da população. Ao comentar a disputa política no estado, avaliou que essa distância precisa ser enfrentada pela legenda.
"Então há um vácuo do Partido dos Trabalhadores, do governo Lula, que precisa ser preenchido para que essas pessoas não recorram a promessas fáceis", declarou.
A estratégia para o segundo turno também ocupou parte da entrevista. Luciana afirmou que a campanha pretende buscar eleitores que se abstiveram no primeiro turno, além de dialogar com indecisos e tentar conquistar votos anteriormente destinados a outros candidatos.
"Estamos permanentemente mobilizados para que as pessoas que não foram votar no primeiro turno, por algum motivo, agora compareçam às urnas", afirmou.
A ex-candidata acrescentou que a mobilização nas ruas não representa, por si só, uma alteração do resultado eleitoral, mas considera que a presença de apoiadores pode estimular novas atividades até a votação definitiva.

Ramon Cujui: Secretário estadual de Movimentos Populares do PT em Rondônia, Ramon Cujui explicou que sete coletivos de juventude organizaram a marcha e avaliou que o resultado do primeiro turno provocou uma reação entre os apoiadores de Lula / Reprodução
O secretário estadual de Movimentos Populares do PT em Rondônia, Ramon Cujuí, também conversou exclusivamente com o Rondônia Dinâmica e apresentou informações sobre a organização da marcha. Segundo o dirigente, sete coletivos estudantis e juvenis participaram da preparação do evento, entre eles Juventude de Rondônia, Marcha pela Democracia e Jovens pela Cultura.
Ramon explicou que o partido participou das primeiras conversas de organização e colaborou com a estrutura utilizada na caminhada, incluindo carro de som. Entretanto, reforçou que a condução da atividade ficou sob responsabilidade dos coletivos de juventude.
Ao abordar a relação entre os organizadores e o partido, afirmou que "a estratégia nossa é deixar a sociedade tomar conta da campanha do Lula".
O dirigente petista explicou que a orientação adotada pretende ampliar a participação de apoiadores que não integram necessariamente as estruturas partidárias, permitindo que movimentos sociais e grupos de estudantes desenvolvam suas próprias ações de campanha.
Questionado sobre a diferença entre a mobilização do domingo e o ambiente observado no primeiro turno, Ramon reconheceu que parte da militância não demonstrava a mesma disposição antes da votação de 4 de outubro.
"Olha só, me parece que havia uma certa acomodação, havia até um sentimento de vitória no primeiro turno e que o resultado espantou, deu um susto em todo mundo", declarou.
O secretário afirmou que a reação não ficou restrita a Porto Velho e apontou manifestações semelhantes em outras regiões brasileiras. Na avaliação dele, o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas provocou uma mudança no comportamento dos apoiadores do presidente, incluindo integrantes do próprio partido.
Ramon também destacou que a caminhada ocorreu sem registros de intercorrências durante o percurso. Segundo ele, uma das jovens envolvidas na coordenação havia recebido ataques e ameaças nas redes sociais antes da manifestação.
Apesar das preocupações relatadas, o dirigente afirmou que "tudo correu ontem sem nenhuma intercorrência, foi muito tranquilo".
A mobilização em Porto Velho ocorreu em um cenário eleitoral desfavorável ao PT em Rondônia. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro conquistou 652.988 votos no estado, equivalentes a 67,45% dos votos válidos. Lula recebeu 250.667 votos, correspondentes a 25,89%. A diferença entre os candidatos ultrapassou 402 mil votos.
Na capital, o candidato do PL também terminou a primeira etapa da eleição na liderança. Flávio Bolsonaro recebeu 169.992 votos, ou 59,37% dos válidos, enquanto Lula obteve 90.889 votos, equivalentes a 31,74%. A distância de 27,63 pontos percentuais entre os dois candidatos em Porto Velho integra o contexto em que apoiadores do presidente organizaram a manifestação de domingo.
A caminhada realizada na capital fez parte de uma programação mais ampla de atividades em apoio à candidatura de Lula. Um levantamento do Comitê Popular de Luta relacionou 156 ações em 76 cidades brasileiras, entre marchas, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens. O levantamento reuniu registros e programações de mobilização, sem representar necessariamente uma contagem independente de todas as atividades efetivamente realizadas.
Além de Porto Velho, Luciana Oliveira mencionou a realização de movimentos em outros municípios de Rondônia, incluindo Cacoal, Jaru, Ji-Paraná, Rolim de Moura e Guajará-Mirim. A ex-candidata relacionou essas atividades à articulação de grupos contrários ao bolsonarismo, embora não tenha apresentado números de participação ou detalhes sobre os percursos em cada cidade.
Em São Paulo, a Avenida Paulista recebeu uma marcha com a presença do próprio Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de outras lideranças políticas. O ato contou com a participação de movimentos estudantis, organizações sociais e grupos de apoiadores. Durante a manifestação, o presidente abordou temas


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