Porto Velho, RO – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25). Com 99,77% das seções totalizadas, o petista somava 64.078.503 votos, o equivalente a 51,76% dos válidos, contra 59.728.246 de Flávio Bolsonaro (PL), ou 48,24%. A diferença entre os dois é de 4.350.257 votos. O Tribunal Superior Eleitoral classificou a disputa como eleição matematicamente definida e declarou Lula eleito. Será o quarto mandato dele no cargo.
Foram 123.806.749 votos válidos em todo o país, além de 1.427.684 votos em branco, 1,12% do total, e 2.716.823 nulos, 2,12%. O comparecimento foi de 127.951.256 eleitores, 80,79%, e a abstenção, de 30.418.253, ou 19,21%. O eleitorado apto era de 158.745.502 pessoas.
Em Rondônia, onde a apuração chegou a 100% das seções, o resultado foi o inverso e por margem ainda maior que a nacional. Flávio Bolsonaro teve 674.382 votos no estado, 69,61% dos válidos, contra 294.446 de Lula, 30,39%. Foram 968.828 votos válidos nas 4.698 seções rondonienses, com 988.489 eleitores comparecendo e 277.437 ausentes, de um eleitorado de 1.265.926.
A apuração atravessou uma noite marcada por uma decisão judicial que mexeu no horário das urnas em todo o país e suspendeu a divulgação dos resultados por quase duas horas.
A votação terminou sob uma decisão do Supremo
Às 16h32min49s, horário de Brasília, quando faltavam menos de trinta minutos para o fim da votação, deu entrada no Supremo Tribunal Federal uma reclamação da Coligação Brasil Pronto Pra Mais contra os municípios de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A ação alegava que a redução da frota de ônibus nessas cidades impedia eleitores de chegar às seções.
Um minuto depois o processo foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin, que concedeu a liminar com alcance bem maior que o do pedido: prorrogação por duas horas, até as 19h de Brasília, do encerramento da votação em todas as seções do país.
O TSE suspendeu a totalização dos votos logo em seguida. O último arquivo divulgado antes da pausa registrava 1.225 das 499.248 seções, apenas 0,25% do total. Os números ficaram congelados até as 18h02, no horário de Rondônia, quando a divulgação foi retomada.
Pouco depois, o próprio Zanin proferiu uma segunda decisão restringindo o alcance da primeira. Informado pelo TSE de que urnas já haviam sido fechadas às 17 horas, determinou que a prorrogação valesse apenas onde as seções ainda estavam abertas, e que nas demais os votos fossem computados e totalizados normalmente. Nesse segundo despacho, registrou que as duas candidaturas que disputavam a Presidência haviam alegado problemas no transporte de eleitores.
O que decidiu o tribunal de Rondônia
Em Rondônia a votação já havia terminado às 16h locais. Sem comunicação oficial do TSE, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Raduan Miguel Filho, convocou sessão extraordinária. Em cerca de meia hora, por unanimidade, a corte decidiu cumprir a ordem do Supremo estendendo o horário até as 18h locais apenas nas seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos — mesma solução a que Zanin chegaria depois.
Em nota oficial, o TRE-RO esclareceu que "não foram registradas intercorrências relacionadas ao transporte público ou acesso aos locais de votação no estado".
Como foi o primeiro turno
Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 de Lula, 45,16%. Foram 119.300.788 votos válidos no país.
Em Rondônia a diferença já era grande e aumentou no segundo turno. Flávio Bolsonaro obteve 652.988 votos no estado em outubro, 67,45% dos válidos, enquanto Lula ficou com 250.667, ou 25,89%.
O estado não teve disputa estadual neste domingo. O governo foi decidido já no primeiro turno, com a eleição de Marcos Rogério (PL), que teve 56,86% dos votos válidos, à frente de Adailton Furia (PSD), com 20,06%, Hildon Chaves (União), com 14,22%, e Expedito Netto (PT), com 7,71%. As duas vagas do Senado também ficaram definidas em outubro, com Dr. Fernando Máximo (PL), com 31,97%, e Bruno Scheid (PL), com 26,56%.
Do sindicato ao quarto mandato
Nascido em Pernambuco e criado no ABC paulista, Lula construiu a carreira política a partir do chão de fábrica. Metalúrgico, chegou à presidência do sindicato da categoria e liderou as greves que marcaram o fim dos anos 1970, quando o movimento operário da região se tornou um dos focos de oposição ao regime militar. Em 1980 participou da fundação do Partido dos Trabalhadores.
Disputou a Presidência pela primeira vez em 1989 e perdeu no segundo turno para Fernando Collor de Mello, por 46,97% a 53,03% dos votos válidos. Foi derrotado outras duas vezes por Fernando Henrique Cardoso, ambas ainda no primeiro turno, em 1994 e em 1998. Venceu em 2002, no segundo turno contra José Serra, com 61,27%, e se reelegeu em 2006 diante de Geraldo Alckmin, com 60,83%. Ficou fora da disputa de 2018, quando estava preso e teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Voltou em 2022 e ganhou de Jair Bolsonaro no resultado mais apertado da série histórica, 50,90% a 49,10%. Com a vitória deste domingo, chega ao quarto mandato.
A reclamação que motivou a prorrogação segue em tramitação no Supremo, sob relatoria de Zanin, que registrou em sua decisão que as apurações sobre os fatos narrados ocorrerão oportunamente.


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