PORTO VELHO, RO - A deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT) contestou a interpretação de declarações que geraram polêmica na campanha e negou ter afirmado que a Polícia Militar de Rondônia “não vale nada”. Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, a ex-senadora disse que tratava da letalidade policial no Brasil e acusou o responsável por uma entrevista anterior de retirar sua fala do contexto.
“Foi mal interpretado. E acho que houve má-fé de quem me entrevistou, porque descontextualizou a minha fala.”
Ao abordar o tema, Fátima afirmou que também havia se colocado à disposição para defender concursos públicos e melhores salários para os militares estaduais. Segundo ela, o efetivo precisa ser ampliado, para atender regiões com pouco policiamento. A petista sustentou que melhorar a formação e as condições de trabalho das corporações é parte de sua proposta de segurança pública.
“Não me referi especificamente à Polícia Militar de Rondônia, me refiro à Polícia Militar como um todo no Brasil.”
A entrevista também tratou do desempenho do PT em Rondônia. Fátima atribuiu parte do enfraquecimento da legenda à perda da unidade construída nos anos em que esteve à frente da direção estadual e citou conflitos internos a partir de 2008. Ela disse esperar que a eleição de dois deputados estaduais pelo partido ajude a recuperar sua organização e apontou as eleições municipais de 2028 como horizonte para ampliar a representação petista.
“Nós somos uma força que está adormecida.”
Questionada sobre a relação da esquerda com o agronegócio, a parlamentar negou incompatibilidade entre o setor e os governos petistas. Afirmou, porém, que existem divergências sobre os direitos dos trabalhadores e a fiscalização das relações de trabalho. Também criticou o peso da propaganda do agro no debate público e manifestou preocupação com o uso de agrotóxicos em Rondônia, tema que, em sua avaliação, exige mais investigação.
“O problema está no respeito que o governo democrático popular tem para com o trabalhador, com relação aos seus direitos.”
Na parte final, Fátima reagiu à crítica de que teria sido eleita sem morar em Rondônia. Recordou o trabalho em escolas do estado e a atuação na Presidência da República e no Ministério das Mulheres, em Brasília. Segundo a deputada eleita, a experiência no governo federal não significou afastamento das bases locais. Ela considerou que o questionamento sobre seu endereço procura desqualificar sua trajetória política por ser mulher.
“Eu acho que isso também é uma violência política. Traz misoginia, traz preconceito e traz medo da minha atuação.”
Assista na íntegra:


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