Israel acrescentou uma licitação para 2.167 moradias ao seu plano de expansão do assentamento E1, afirmaram grupos israelenses de direitos humanos sobre um projeto que, segundo críticos, ameaça a criação de um futuro Estado palestino.
O projeto dividiria a Cisjordânia ocupada por Israel e a isolaria de Jerusalém Oriental, fragmentando o território que os palestinos esperam que venha a constituir o núcleo de um Estado.
Antes da confirmação, os governos de 12 países, incluindo Canadá, Reino Unido e França, anunciaram no início de setembro um pacote de sanções contra o governo de Israel em retaliação à expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.
O governo britânico acusou ainda Tel Aviv de permitir uma situação que, segundo o chanceler Ed Miliband, configura "limpeza étnica".
A licitação para 2.167 unidades soma-se a outra, para 1.234 unidades, anunciada no fim de agosto, elevando o total de moradias para 3.401, informou o grupo israelense de direitos humanos Ir Amim em comunicado divulgado na noite de quarta-feira (16).
A decisão foi condenada nesta quinta-feira (17) por um representante do presidente palestino, Mahmoud Abbas, que afirmou que as licitações do E1 violam o direito internacional.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, ultranacionalista extremista que integra a coalizão governista de direita, afirmou que o plano "enterraria" um Estado palestino.
A licitação deverá ser aberta para propostas em 25 de outubro, dois dias antes da data prevista para Israel realizar eleições parlamentares.
O Ir Amim afirmou que a data da licitação demonstrava a determinação do governo de levar adiante o projeto E1 e "criar uma realidade cada vez mais irreversível no terreno antes das eleições".
O gabinete do primeiro-ministro não respondeu de imediato a um pedido de comentário da agência Reuters.
Sob o governo de coalizão de direita de Israel, houve uma expansão maciça dos assentamentos na Cisjordânia.
Órgãos da ONU, os palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais à luz das convenções internacionais -posição contestada por Israel- e um grande obstáculo à paz.
Os assentamentos são comunidades residenciais construídas na Cisjordânia, território ocupado militarmente por Israel desde 1967 e reivindicado pelos palestinos como parte de seu futuro Estado.
O governo de Netanyahu, o mais direitista da história de Israel, liderou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia e estabeleceu postos avançados de colonos na região.
Os assentamentos são ilegais perante o direito internacional –a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada.
Atualmente, a Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses.


Comentários
Seja o primeiro a comentar!