O candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) reforçou, nesta quinta-feira (3), que pretende exercer um mandato independente em Brasília, sem subordinar suas decisões à polarização política. Durante entrevista ao Bom Dia Rondônia, da TV Rondônia, conduzida pelo jornalista Jefferson Carvalho, Acir criticou a pena aplicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, admitiu a possibilidade de apoiar uma anistia e defendeu que pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal sejam efetivamente analisados pelo Senado.
Ao ser questionado sobre a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, Acir classificou a punição como excessiva.
“Eu acho que essa condenação do ex-presidente foi exagerada. Ela poderia ter sido de uma forma muito mais branda. Eu entendo que é quase que inaceitável o tamanho dessa condenação.”
A declaração reforça uma linha que Acir vem apresentando durante a campanha: independência para analisar temas nacionais sem seguir posições automáticas de esquerda ou direita. Com experiência de 14 anos no Senado, ele sustenta que o parlamentar precisa ter liberdade para avaliar cada caso e decidir de acordo com os fatos e os interesses da população.
Essa postura também apareceu quando o assunto foi anistia. Acir afirmou que a proposta pode ser aprovada, mas que seu voto dependerá do texto e dos fundamentos apresentados.
“Temos que analisar o processo para poder saber como votar. Não dá para antecipar o voto sem ter um processo, sem ter o argumento.”
Para Acir, o Senado não pode funcionar como extensão automática de governo ou oposição.
“Não podemos votar a favor porque é situação ou contra porque é oposição. Acho que este não é o papel. Nosso papel é levantar quais são os fundamentos para fazer um voto independente.”
O mesmo princípio foi defendido ao tratar dos pedidos de impeachment contra ministros do STF. Acir afirmou que esses processos precisam tramitar e ser analisados pelos senadores, algo que, segundo ele, não vem ocorrendo.
“Eu entendo que o processo de impeachment deve existir. O fato de votar a favor ou votar contra depende das provas.”
Acir foi além e deixou claro que, diante de provas de ilegalidade, não hesitaria em votar pelo afastamento de um ministro.
“Se você tiver provas que há uma ilegalidade, votaremos a favor do impeachment. Se não houver provas, não votarei a favor do impeachment. O que eu defendo é que haja a tramitação que até hoje não aconteceu.”
Para o candidato, impedir previamente a análise de pedidos significa esvaziar uma das atribuições constitucionais do Senado. Sua posição é de que os processos sejam examinados e que cada senador assuma a responsabilidade pelo voto depois de conhecer as provas e os fundamentos apresentados.
A independência defendida por Acir também vale para a relação com o Palácio do Planalto. Durante a entrevista, ele lembrou que exerceu mandato durante os governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro e manteve diálogo com todos eles.
“Eu não tenho nenhuma preocupação em trabalhar com um governador que não seja do meu campo político ou com um presidente da República que também não seja do meu campo político.”
Segundo Acir, Rondônia perde quando seus representantes ficam presos à lógica de escolher entre um lado ou outro. Para ele, o senador precisa ter liberdade para concordar, discordar, fiscalizar e, principalmente, buscar resultados para o Estado.
“Essa polarização não ajuda em nada, principalmente no mandato”, afirmou.
Além das pautas nacionais, Acir apresentou propostas para Rondônia ao longo da entrevista. Entre elas estão a duplicação da BR-364, o reasfaltamento da BR-319, hospitais regionais em Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena, maior presença da Polícia Federal na fronteira, revisão do Código Florestal, avanço na regularização fundiária e implantação de escolas em tempo integral.
Para Acir, experiência, independência e capacidade de diálogo precisam voltar a caminhar juntas na representação de Rondônia em Brasília. A proposta é manter liberdade para enfrentar temas nacionais sem abrir mão daquilo que considera a principal missão de um senador: defender os interesses do Estado, independentemente de quem esteja no Governo Federal.


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