PORTO VELHO, RO - O senador Marcos Rogério (PL), candidato ao Governo de Rondônia nas eleições de 2026, afirmou que o prefeito de Cacoal, Tony Pablo, assumiu o comando do município em um cenário de dificuldades e com o caixa da Prefeitura “praticamente zerado”. A declaração ocorreu durante entrevista concedida ao Cidade Alerta, sob comando do jornalista Diego Maia, quando o candidato foi questionado sobre sua relação política com o atual chefe do Executivo municipal.
A resposta surgiu depois de Marcos Rogério mencionar o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, entre as lideranças que atualmente estão próximas de seu projeto político. Na sequência, Diego Maia perguntou se, além de Léo Moraes, o senador também contava com Tony Pablo.
Marcos Rogério respondeu que mantém relação de colaboração administrativa com o prefeito de Cacoal, mas deixou claro que Tony Pablo ainda não havia tomado uma decisão sobre apoio político. Ao explicar a aproximação, o senador mencionou as condições em que, segundo ele, a atual administração recebeu a Prefeitura.
“Não, o prefeito Tony Pablo eu tenho ajudado muito ele, o prefeito Cacual assumiu a prefeitura num ambiente de dificuldade, tanto que está mostrando isso para o estado de Rondônia, o caixa praticamente zerado”, declarou.
A declaração ocorre no contexto da sucessão municipal de Cacoal. Tony Pablo sucedeu Adaílton Fúria (PSD), ex-prefeito do município e atual concorrente de Marcos Rogério na disputa pelo Governo de Rondônia em 2026. Na sequência da resposta, o senador afirmou que foi informado pelo atual prefeito sobre dificuldades encontradas especificamente na área da saúde.
“Quando ele me mostrou a situação da saúde de Cacual, eu fiquei impactado com aquilo”, afirmou Marcos Rogério.
Marcos Rogério afirmou ainda que poderia ter deixado de ajudar o município pelo fato de o gestor que deixava a Prefeitura concorrer contra ele, mas disse que decidiu atuar para viabilizar recursos destinados a Cacoal.
“E naquele primeiro momento eu podia até dizer, olha, eu não vou fazer porque faz parte da gestão, de quem tá saindo vai concorrer comigo. Mas naquele momento eu olhei para a população de Cacoal e disse ao prefeito Tony, Tony, independente da questão política, você conte comigo”, disse.
O senador afirmou que, depois dessa conversa, mobilizou integrantes da bancada federal para assegurar recursos destinados à saúde do município. Segundo ele, participaram da articulação o senador Jaime Bagattoli e o deputado federal Coronel Chrisóstomo, além da bancada do PL.
“Mobilizei o senador Jaime Bagatori, o deputado coronel Crisóstomo e a bancada do PL assegurou para a saúde de Cacoal, para salvar o hospital que foi feito aqui, 25 milhões de reais de custeio à disposição dele”, declarou.
Na mesma resposta, Marcos Rogério separou a parceria administrativa da definição eleitoral de Tony Pablo. O senador afirmou que a relação existente naquele momento tinha como objetivo atender às necessidades de Cacoal e reconheceu que o prefeito ainda não havia anunciado posição na corrida pelo Governo.
“Então, a parceria com o prefeito Tony de Cacoal é uma parceria para poder atender Cacoal, mas politicamente ele ainda não tomou a decisão dele, eu respeito”, disse.
Questionado diretamente por Diego Maia sobre a expectativa de receber o apoio de Tony Pablo, Marcos Rogério confirmou que gostaria de contar com o prefeito, assim como com outras lideranças do Estado, mas declarou respeitar o momento político vivido por ele.
“Dele e de outras lideranças que a gente tem no Estado, que são importantes. Gostaria muito de ter o apoio dele, obviamente. Mas eu respeito o momento político que ele está vivendo”, afirmou.
A entrevista avançou posteriormente para outros temas da disputa estadual e reuniu críticas de Marcos Rogério à atual estrutura administrativa de Rondônia. Na segurança pública, o candidato afirmou que o Estado estaria enfrentando expansão da criminalidade organizada e declarou que determinadas áreas da capital e do interior estariam sob influência de facções.
“Rondônia está refém do crime. E a gente fala muito de organizações criminosas, de facções, que realmente é um problema. Tem áreas dominadas na capital e no interior. Hoje você tem situações em que empresários, comerciantes, recebem ordens para fechar o comércio”, afirmou.
Marcos Rogério também declarou que o crime organizado teria avançado sobre atividades empresariais. Segundo o candidato, haveria empresários submetidos a coação para vender seus negócios ou aceitar integrantes de organizações criminosas na composição societária.
“Hoje o crime organizado está tão sofisticado que há empresários sendo coagidos ou para vender empresa ou para se tornar sócio de integrantes de organização criminosa. Ou seja, você tem um braço do crime organizado que ele está entrando para o campo financeiro, o campo empresarial, e isso é algo que está se alastrando pelo Estado inteiro”, declarou.
Ao tratar da atuação das forças estaduais, Marcos Rogério afirmou que o problema não estaria na qualidade dos profissionais, mas na condução da política pública. Ele elogiou as polícias Militar, Civil, Penal e Científica, além do Corpo de Bombeiros, e sustentou que caberia ao governante organizar e liderar o sistema.
Foi nesse contexto que retomou sua atuação na CPI da Pandemia e afirmou que pretende adotar, caso eleito, postura semelhante diante de problemas considerados sensíveis.
“E aí, aquele Marcos Rogério, que Rondônia conheceu, que o Brasil conheceu, naquela CPI da pandemia, batendo na mesa, chamando pra si a responsabilidade, enfrentando o Renan Calheiros, enfrentando o Omar Aziz, enfrentando poderosos da política nacional, vai ser esse Marcos Rogério que, nessas questões mais sensíveis, vai ter a coragem de chamar para si a responsabilidade”, declarou.
Em outros temas abordados na entrevista, Marcos Rogério disse que há uma distorção salarial entre oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e classificou a situação financeira de Rondônia como “caótica”, sustentando que o aumento do custeio da máquina reduziu a capacidade de investimento e deixou o Estado, segundo ele, “colapsado, quebrado, inviabilizado e refém do crime”. Na saúde, defendeu a substituição do Hospital João Paulo II por um novo Hospital de Urgência da Capital, criticou a tentativa de alterar a destinação de recursos reservados à obra e propôs a construção, em Ji-Paraná, de um Hospital de Traumas financiado com recursos do Detran. Na infraestrutura, afirmou que faltam investimentos em novas ligações rodoviárias, criticou o nível de custeio do setor e relatou situações em que prefeituras precisariam fornecer combustível e até alimentação para servidores responsáveis pela manutenção das estradas estaduais.


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