“Esse estado precisa ser destravado, tá parado, é um estado com potencial maravilhoso”. Com uma postura propositiva, Marcos Rogério (PL) marcou sua participação no primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia, realizado nesta terça-feira (18), pelo Grupo Rondovisão, afiliado à Band. Ao longo do encontro, apresentou propostas para saúde, infraestrutura, produção e desenvolvimento econômico, defendeu a descentralização dos serviços públicos e reforçou a necessidade de transformar planejamento e orçamento em entregas para a população.
Realizado na sede do Singaro, em Porto Velho, com mediação do jornalista Marcelo Reis, o debate reuniu os seis candidatos ao Governo. Logo no primeiro bloco, ao tratar da saúde, Marcos Rogério defendeu uma mudança na forma de conduzir o Estado, assumindo, como governador, a responsabilidade pela execução das políticas públicas.
“Eu queria dizer que as pessoas que me acompanham há muito tempo me conhecem como senador da República, trabalhando de fora para dentro, de terno e gravata. Agora o jogo é outro, é trabalhar de dentro para fora, como governador”, disse ao explicar o motivo pelo qual quer ser governador.
Saúde mais perto das pessoas
Na saúde, Marcos Rogério apontou a descentralização como prioridade. O candidato defendeu levar especialistas e exames para mais perto da população do interior, reduzindo a necessidade de deslocamentos até Porto Velho. Entre as ferramentas apresentadas estão a telemedicina e o telematriciamento, além do fortalecimento da atenção especializada.
“A gente tem que descentralizar, fazer o atendimento chegar perto das pessoas. Custa mais barato, tira as pessoas do sofrimento e funciona”, afirmou.
O candidato também defendeu a construção de um novo hospital de urgência em Porto Velho e de um hospital de trauma no interior, além de uma atuação mais direta do governo para reduzir filas e garantir atendimento.
Infraestrutura para conectar Rondônia
Na infraestrutura, Marcos Rogério associou conectividade e desenvolvimento. Segundo ele, Rondônia precisa voltar a pavimentar rodovias estaduais, recuperar estradas e construir ligações capazes de aproximar municípios, distritos e regiões produtoras.
“O que deve puxar o desenvolvimento, melhorar a qualidade de vida da população, de quem trabalha, de quem produz, é asfalto, é conexão”, disse.
Entre as obras citadas estão a pavimentação da RO-101, ligando Porto Velho a União Bandeirantes; da RO-458, entre Alto Paraíso e Triunfo; e da RO-420, no Vale do Jamari. Marcos Rogério também defendeu a retomada da Rodovia do Boi como alternativa para reduzir a dependência da BR-364.
Produção e logística
Ao tratar do escoamento da produção, Marcos Rogério destacou que o avanço da soja mudou o perfil de utilização das rodovias de Rondônia. Com cargas circulando também durante o período chuvoso, defendeu estradas melhores, pontes de concreto, bueiros adequados e mais pavimentação.
“O Estado precisa voltar a pavimentar, voltar a construir asfalto”, reforçou.
Segundo o candidato, Rondônia possui entre seis e sete mil quilômetros de rodovias estaduais, mas apenas cerca de 1,5 mil quilômetros são asfaltados. Para ele, melhorar essa estrutura significa reduzir o custo logístico, garantir segurança no escoamento e transformar a força do setor produtivo em desenvolvimento.
Competitividade, emprego e impostos
No campo econômico, Marcos Rogério criticou os impactos da reforma tributária sobre estados que utilizam incentivos fiscais para gerar competitividade. Ele defendeu medidas para proteger empregos e investimentos, argumentando que compensações financeiras não substituem postos de trabalho eventualmente perdidos.
O candidato também rejeitou o aumento de impostos como alternativa para elevar a arrecadação. “Essa é a receita errada, é a receita do atraso”, afirmou. Para Marcos Rogério, infraestrutura, produção e crescimento econômico devem ampliar a capacidade de desenvolvimento e geração de receita do Estado.
Capacidade de fazer acontecer
Marcos Rogério também relacionou os problemas enfrentados por Rondônia à falta de planejamento e capacidade de execução. Ao citar a evolução do orçamento estadual, sustentou que o desafio está nas escolhas e na capacidade de transformar dinheiro público em obras e serviços.
Nas considerações finais, retomou a própria história. Nascido em uma linha rural do município de Ji-Paraná, lembrou que ainda criança ouvia falar do potencial de Rondônia e de um futuro de prosperidade que, segundo ele, ainda precisa se concretizar.
“Eu não quero que outra criança continue ouvindo aquela promessa que eu ouvia há 40 anos e que até hoje a gente não viu acontecer. Nós temos que fazer acontecer”, declarou.
Marcos Rogério encerrou defendendo união e capacidade de execução para fazer o Estado avançar. “Só tem um caminho pra gente sair dessa situação. É parar com a divisão, é parar com as brigas, com as intrigas, é unindo um time, é unindo propósitos pra fazer aquilo que o estado precisa, pra caminhar pra frente, pra ser destravado”, concluiu.


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