PORTO VELHO, RO - Os candidatos ao Governo de Rondônia usaram o Pacto em Defesa da Democracia e Combate à Desinformação nas Eleições 2026, promovido pela OAB-RO na quarta-feira (19), em Porto Velho, para defender compromissos contra fake news e fazer críticas políticas. O ato teve início às 19 horas.
Expedito Netto (PT) abriu os pronunciamentos defendendo campanha sem ataques pessoais. Disse que não entraria em “jogo sujo”, inteligência artificial ou fake news e, ao mencionar eventual exploração da vida privada de candidatos, disparou: “Se mantenha na sua ignorância, que se mantenha no seu tamanho, que é isso que você vai merecer.”
Netto também defendeu Lula no embate com os Estados Unidos e afirmou que o presidente “tem acabado com a nossa mania de vira-lata”.
Pedro Abib (MDB) foi mais específico ao discutir quem deve regulamentar fake news. Citou Samuel Costa, Hildon Chaves e Marcos Rogério em exemplo hipotético sobre equipes de campanha, sem acusá-los de produzir conteúdo falso. Depois, cobrou diretamente Rogério: “O Congresso Nacional, senador Marcos Rogério, não pode se furtar de discutir fake news e regulamentar enquanto representantes do povo. Chega de se omitir e deixar para o poder judiciário decidir”. Abib sustentou que não deve caber a uma única pessoa decidir o que é ou não fake news.
Adailton Fúria (PSD) não direcionou críticas pessoais aos concorrentes. O alvo declarado foi o funcionamento do Estado. Disse existir “uma saúde que não consegue entregar o resultado nem na capital e muito menos no interior” e apontou problemas na segurança pública. Sobre o agro, afirmou: “Só de não atrapalhar, o Estado já faz muito.” Não atribuiu os problemas nominalmente a outro candidato ou gestor.
Marcos Rogério (PL) concentrou o ataque na aplicação dos recursos públicos. “Tem gente dizendo que o Estado está quebrado. Não, o Estado não está quebrado, O Estado tem muito dinheiro”, afirmou. Segundo ele, há recursos que chegam a municípios e não se transformam em obras, citando locais em que há placa de hospital, praça ou creche, mas “vê ali o mato subindo e nada aconteceu”.
Não apontou quem seria responsável.
Hildon Chaves (União Brasil) afirmou que “tem muita gente com boa vontade, mas nós precisamos escolher quem sabe administrar”. Em seguida, criticou a execução de recursos estaduais destinados ao combate à violência contra a mulher. Disse que foram alocados quase R$ 5 milhões e que “apenas seis mil reais foram executados”. Ao tratar das escolhas de gestão, mencionou Adailton Fúria, mas não lhe atribuiu a execução citada; a crítica foi dirigida à administração estadual.
Samuel Costa (PSB) fez o pronunciamento mais ligado à crise política dos dias anteriores. Sem citar João Campos pelo nome, referiu-se ao presidente nacional do PSB como “filho de Eduardo Campos” e chamou a intervenção partidária que atingiu sua candidatura, a de Neidinha Suruí e a chapa proporcional de “a maior tentativa de golpe à democracia rondoniense feita à luz do dia”. Também falou em “tapetão” e em “lascívia de determinado grupelho político”. A Executiva Nacional do PSB havia destituído o diretório estadual e decidido integrar a aliança encabeçada por Expedito Netto.
Samuel ainda afirmou que governantes anteriores “governam para poucos e não para todos”, acusou “um determinado grupo político” de ter se “apoderado do orçamento do Estado” e criticou o “baronato da soja”. No discurso, defendeu tributação escalonada da soja em até 10% até 2036.
Após evento, Samuel fala em “banda podre do PT”
Encerrada a solenidade, Samuel Costa elevou o tom durante entrevista coletiva e direcionou críticas ao PT. Ao comentar a crise que atingiu sua candidatura e a chapa partidária, afirmou que houve uma “tentativa de golpe à luz do dia orquestrada pelo candidato do PT”, a quem atribuiu uma atuação “vil, sórdida, rasteira e traiçoeira” para tentar inviabilizar seu projeto eleitoral.
Na sequência, Samuel utilizou a expressão que concentrou a crítica mais dura: “O meu repúdio à banda podre do Partido dos Trabalhadores, que tentam ganhar a eleição no tapetão.” O candidato também relacionou o episódio à retirada da candidatura de Neidinha Suruí, afirmando que “o candidato do PT tenta matar a vida política de uma mulher digna, honesta e honrada”.
Questionado posteriormente sobre o combate às fake news, Samuel declarou: “Quem ama a verdade defende a verdade. Quem ama fake news, a mentira é Satanás”, e defendeu investigação sobre eventual caixa dois. Sem identificar nominalmente o alvo dessa segunda crítica, questionou: “Quem está financiando esse jatinho?”.


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