#TBT: campanha também é impacto visual
CARO LEITOR, Em um #TBT eleitoral, vale recordar uma conversa com o ex-governador da Paraíba Tarcísio de Miranda Burity (PPB), quando disputava uma vaga ao Senado. Burity destacava a importância do volume de campanha para produzir impacto visual, mobilizar lideranças e chamar a atenção do eleitor. Para ele, uma campanha com presença nas ruas ajudava a criar percepção de força e poderia atrair o chamado voto útil. Naquela disputa, porém, havia um obstáculo difícil de esconder: dinheiro. A campanha de Burity enfrentava a força financeira do empresário paraibano do setor educacional Ney Suassuna, então suplente de senador, que assumira o mandato após a morte de Humberto Lucena (MDB). O resultado mostrou uma eleição apertada. Ney Suassuna terminou com 455.350 votos, equivalentes a 41,64%, enquanto Burity alcançou 394.294 votos, ou 36,05%. A diferença foi de 61.056 votos. O episódio permanece atual: eleição também é presença, comunicação e capacidade de transformar campanha em imagem. Mas volume, sozinho, não garante voto. Na política, visibilidade abre portas; quem entra precisa convencer o eleitor.
Volume
O impacto visual de uma campanha também se constrói pelo volume de pessoas em reuniões e eventos. Uma mobilização expressiva transmite força, atrai a atenção de lideranças e pode estimular apoios, além de influenciar o chamado voto útil.
Offline
No livro Marketing Eleitoral: É candidato? Seja um vencedor! de minha autoria, destaco que ações offline não devem ser vistas isoladamente. Eventos, reuniões e mobilizações criam conteúdo no território político, fortalecem a presença e ampliam a visibilidade da candidatura.
Online
A estratégia está em transformar a presença física em conteúdo online. Uma reunião com lideranças, uma agenda pública ou uma grande mobilização pode render fotos, vídeos, cortes e narrativas para as redes sociais, prolongando seu impacto.
Conteúdo
A campanha do presidente Lula (PT-SP) tem forte produção de conteúdo offline, impulsionada pela militância do PT e de partidos de esquerda e de centro que apoiam sua reeleição. Eventos e agendas públicas alimentam diariamente as redes sociais.
Bolsonarismo
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também produz muito conteúdo offline e online. O bolsonarismo mantém forte capacidade de mobilização e transforma eventos, encontros e manifestações da direita em material para redes sociais e plataformas digitais.
Pilota
O candidato Ronaldo Caiado (PSD) disputa a Presidência em uma Ferrari, mas pilota sua campanha como se estivesse em um Kwid. Precisa percorrer o Brasil para criar conteúdo offline e online, ou seja, conceder entrevistas e ocupar espaços para ganhar visibilidade e peso eleitoral.
Percorre
O candidato de extrema direita Renan Santos, do recém-criado Missão, percorre o Brasil e transforma sua agenda em conteúdo para redes sociais e jornais eletrônicos. A estratégia amplia sua notoriedade e ajuda a explicar seu crescimento nas pesquisas.
Transformar
O presidenciável Augusto Cury (Avante) possui milhares de leitores, mas precisa transformá-los em eleitores. Para isso, terá de sair da zona de conforto, cair na estrada, conceder entrevistas e produzir conteúdo para redes e jornais eletrônicos.
Compreende
Quando o candidato compreende que presença, comunicação e capacidade de transformar ações em imagem são fundamentais, cria uma rede de apoiadores. O offline alimenta o online, amplia a visibilidade e pode transformar presença política em votos.
Posiciona
Falando em rede de apoiadores, Bruno Bolsonaro Scheid (PL) aposta na proximidade com a militância bolsonarista rondoniense. Sua estratégia transforma eventos, encontros e mobilizações em conteúdo para as redes, explorando sua trajetória ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).
Pegada
Fernando Máximo (PL), candidato ao Senado, demonstra forte capacidade de transformar ações offline em conteúdo online. O desafio será dar propósito ao discurso, apresentando uma perspectiva clara de atuação parlamentar futura para evitar perda de força na reta final.
Perspectiva
Quando falo em perspectiva de atuação parlamentar futura, Fernando Máximo (PL) precisa mostrar ao eleitor capacidade de entrega para não repetir o exemplo de Jaime Bagattoli (PL), criticado pela falta de resultados em pautas como pedágio da BR-364 e questões fundiárias.
Quantidade
Silvia Cristina (PP), candidata ao Senado, tem na comunicação uma de suas características, construída pela experiência como radialista. A produção de conteúdo a partir de reuniões e eventos com grande público também pode ampliar sua visibilidade.
Adesões
Mariana Carvalho (Republicanos), candidata ao Senado, possui recall eleitoral e vem transformando as adesões à sua campanha em conteúdo para as redes. A estratégia utiliza a mobilização política no território para ampliar sua presença no ambiente digital.
Leve
Falando em Mariana Carvalho, na manhã de ontem (19), conversamos em seu escritório político sobre as eleições. Percebi uma candidata mais leve, madura e determinada. Uma Mariana consciente dos desafios e disposta a enfrentar a disputa.
Essência
Vi uma Mariana Carvalho mais próxima daquela que iniciou sua trajetória política como vereadora e depois deputada federal, movida pelo desejo de vencer. O marketing ajuda, mas a essência do candidato também comunica e pode fazer diferença na campanha.
Amparado
O senador Acir Gurgacz (PDT), que concorre amparado por liminar, recebeu nesta semana um apoio de peso: João Gonçalves, fundador da rede de Supermercados Gonçalves, e seu filho, João Gonçalves Filho, ex-prefeito de Jaru. O apoio chega em boa hora e reforça sua campanha.
Apostando
Marcos Rogério (PL) também aposta no volume de campanha. Visitas, reuniões e encontros geram conteúdo offline que é transformado em material para o online. A estratégia amplia sua presença digital e mantém a candidatura em circulação.
Estratégia
Hildon Chaves (União) segue estratégia semelhante, utilizando visitas, reuniões e eventos para produzir conteúdo offline e alimentá-lo nas redes sociais. A presença física no território político se transforma em publicações e ajuda a manter a candidatura em evidência.
Craque
Adailton Fúria (PSD) demonstra familiaridade com a linguagem online, ou seja, redes sociais. Sua campanha utiliza eventos, reuniões e visitas como matéria-prima para produzir conteúdo digital, transformando a movimentação no território em publicações para seus canais.
#Tbt
Em tom de #Tbt, Adailton Fúria (PSD) afirmou no debate da Band que Rondônia elegerá um jovem com coragem e “sangue nas veias” para enfrentar os desafios do Estado. No discurso, a BR-364 apareceu novamente como símbolo de sua disposição de confronto.
Ponte
A BR-364 não é novidade no discurso de Fúria (PSD). Ainda como prefeito de Cacoal, participou de reunião para cobrar solução para uma ponte e ouviu que a obra poderia começar em dois ou três anos. Ou seja, concordou a privatização da rodovia federal em troca da ponte.
Problema
Como candidato ao Governo, Fúria (PSD) promete “ir para cima” e resolver os problemas da BR-364. Mas fica a pergunta que a retórica não responde: como? Ter “sangue nas veias” pode render aplausos e cortes para as redes, mas não substitui plano, competência e articulação para enfrentar um problema de dimensão federal.
Bravatas
E há um detalhe que precisa ser explicado ao eleitor: a BR-364 passou ao regime de concessão, com a Nova 364 responsável pela operação da rodovia federal. Bravatas e frases de efeito podem render conteúdo político, mas não resolvem problemas que impactam diretamente o bolso e a vida dos rondonienses.
#Tbt
Aproveitando o #TBT, repercute a fala de Samuel Costa (PSB) no debate da Band, quando atribuiu “problemas cognitivos” a Expedito Netto (PT) por não ter passado na OAB. O ataque extrapolou o campo político e expôs a mágoa de Samuel com a tentativa de Netto de barrar sua candidatura ao Governo de Rondônia.
Cola
Samuel também afirmou que Expedito Netto (PT) não teria educação financeira e revelou que, quando estudavam no Colégio Dom Bosco, teria passado “cola” ao adversário. A declaração chama atenção pelo tom pessoal e pela tentativa de transformar uma disputa eleitoral em acerto de contas.
Surpreende
O parecer do Ministério Público Eleitoral surpreende. Jair de Figueiredo Monte Júnior, candidato a deputado federal pelo Avante, filho de Jair de Figueiredo Monte, presidente da legenda e ex-deputado estadual. Essa coincidência virou questão judicial.
Estranheza
O procurador eleitoral Leonardo Trevisan pediu que Jair de Figueiredo Monte Júnior não utilize o seu próprio nome na disputa eleitoral, sob o argumento de confundir o eleitor. A Justiça Eleitoral deu 3 dias para o candidato se manifestar e indicar outro nome válido.
Estranho
É um caso estranho e sério: pretende-se que um jovem candidato altere o próprio nome eleitoral. Mas para qual? A medida pode parecer rigor excessivo e levanta a suspeita de que a disputa jurídica também atinja o pai, Jair Montes, ex-deputado estadual.
Volume
Na disputa por uma vaga à Câmara Federal, Maurício Carvalho (União), Jaime Gazola (Podemos) e Pastor Evanildo (PSD) concentram parte de suas agendas em Porto Velho. Os três rivalizam no volume de visitas, reuniões e encontros para disputar o posto de mais votado na capital.
Rivaliza
Não muito diferente dos candidatos a deputado federal na capital, Marcelo Cruz (Avante), Paulo Moraes Júnior (Podemos), Ieda Chaves (União), Alan Queiroz (PL) e Benedito Alves (Republicanos) também disputam espaço em Porto Velho, ampliando apoios, agendas e presença nas ruas em busca da maior votação para a Assembleia Legislativa.
Negreiros
Sai Edwilson Negreiros e entra a professora Glaucia Negreiros, ambos do Podemos, na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia. Com trajetória na educação da capital, Glaucia pode chegar à ALERO para defender professores e melhorar o setor.
Sucessor
O prefeito Marcélio Brasileiro (PL) já tem sucessor. O advogado previdenciarista Welison Nunes (SDD), lançou sua campanha para deputado federal em Nova Mamoré, o espaço de evento ficou pouco para a quantidade de gente que compareceu.
Sério
Falando sério, no fim, o debate mostrou que campanha eleitoral também é estratégia, conteúdo e narrativa. Quem sabe transformar reuniões, confrontos e posicionamentos em conteúdo digital ganha visibilidade. Mas viralizar não basta: é preciso convencer o eleitor e entregar propostas.


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