PORTO VELHO, RO - A pré-candidata ao Senado Mariana Carvalho, do Republicanos, classificou a cobrança de pedágio na BR-364 como um “roubo”, rejeitou a tentativa de responsabilizar a bancada federal de Rondônia pelo modelo implantado na rodovia e afirmou esperar que Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República. Médica, bacharela em Direito, ex-vereadora de Porto Velho e ex-deputada federal, ela também criticou a gestão do governador Marcos Rocha, declarou apoio à pré-candidatura de Hildon Chaves ao Governo de Rondônia e defendeu a atuação do irmão, o deputado federal Maurício Carvalho, nas discussões relacionadas à concessão.
As declarações foram apresentadas durante participação no podcast RD Entrevista, apresentado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. A conversa abordou a disputa eleitoral de 2026, as alianças estaduais, a relação de Mariana com a família Bolsonaro, os resultados das eleições de 2022 e 2024, a trajetória da pré-candidata e os argumentos utilizados por ela para tentar chegar ao Senado.
O pedágio concentrou algumas das declarações mais incisivas da entrevista. Ao falar sobre a necessidade de industrialização de Rondônia e de melhoria das condições de transporte, Mariana afirmou que o desenvolvimento estadual depende de estradas, mas rejeitou a cobrança por um serviço que, segundo sua avaliação, ainda não foi entregue aos usuários.
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“Precisamos ajudar a industrialização do estado de Rondônia a acontecer com estradas, mas fazendo com que todo esse roubo que está acontecendo com o pedágio seja resolvido. Ninguém aguenta mais. Estamos sendo roubados por um serviço que não é entregue. Precisamos ter, sim, uma duplicação, uma BR com segurança, mas não pagar por um serviço que não é entregue”, declarou.
A pré-candidata disse que a bancada federal não participou da decisão que instituiu o pedágio. A resposta foi dada após Vinícius Canova mencionar uma declaração atribuída a Hildon Chaves e perguntar se Maurício Carvalho, líder da bancada federal e irmão de Mariana, teria alguma responsabilidade pelo processo.
“A bancada federal não teve, posso dizer, o aval do pedágio, porque ele não passou pela bancada. Foi uma decisão já da Presidência, veio lá de cima do Executivo, uma canetada que decidiu. Essa discussão passou só pelo Senado Federal, pela Comissão de Infraestrutura. O que a bancada fez foi entrar para eliminar, para derrubar o pedágio”, afirmou Mariana.
Segundo a entrevistada, integrantes da bancada atuaram ao lado da Aprosoja em uma tentativa de suspender a cobrança. Mariana afirmou que apenas um parlamentar de Rondônia não assinou a iniciativa, mas disse desconhecer os motivos da recusa. Acrescentou que uma liminar chegou a ser aceita, mas posteriormente perdeu seus efeitos.
“Junto com a Aprosoja, conseguiram. Só um parlamentar de Rondônia não assinou. Esse parlamentar, eu não sei os motivos que o levaram a não assinar, mas foi o único que não assinou. Logo depois que a liminar tinha sido aceita, ela caiu e foi perdida. Mas a bancada tem trabalhado para que realmente possa fazer com que esse abuso que tem acontecido na BR-364 seja solucionado, porque ninguém aguenta mais”, declarou.
Mariana sustentou que a discussão deveria ter sido conduzida em Rondônia, com a participação das pessoas que utilizam a rodovia. Na avaliação apresentada por ela, o modelo foi definido de cima para baixo, sem consideração suficiente pelas necessidades dos usuários do estado.
“É um absurdo, porque essa discussão tinha que ter sido feita aqui, em Rondônia, com quem está aqui, quem trafega aqui, e não ser uma discussão que vem de cima para baixo. Infelizmente, o Executivo foi lá, olhou, tomou uma decisão, não sei como, e decidiu”, disse.
A pré-candidata afirmou ainda que as discussões anteriores indicavam que a cobrança ocorreria depois da realização das obras ou da duplicação da BR-364. Segundo Mariana, o projeto existente alcançaria somente 100 quilômetros, extensão que ela considera insuficiente para modificar as condições gerais da rodovia.
“O compromisso que havia nas discussões anteriores era de que o custo do pedágio seria justo se fosse depois que as obras realmente estivessem prontas ou até mesmo com toda a duplicação da extensão da BR. Hoje, o que tem é um projeto de apenas 100 quilômetros. Cem quilômetros não vão fazer diferença na BR, e hoje a BR precisa de atenção. Ela é conhecida como a BR da morte”, afirmou.
Questionada sobre o que poderia fazer para modificar o modelo caso fosse eleita senadora, Mariana disse acreditar que uma reversão dependeria da atuação conjunta do próximo presidente da República, dos três senadores de Rondônia, dos deputados federais, do Governo do Estado e do Governo Federal.
“Eu acredito que sim. Espero que a gente possa ter um novo presidente da República que tenha sensibilidade e um olhar para Rondônia, com cuidado e atenção, entendendo o que acontece aqui. Uma bancada que tenha três senadores com o mesmo propósito, junto com a bancada federal, com um Governo do Estado atuante e com o Governo Federal, eu acredito muito que isso pode ser possível”, declarou.
Ao ser questionada diretamente sobre quem deveria ocupar a Presidência, Mariana respondeu: “Eu espero que seja o Flávio Bolsonaro”.
A relação com o grupo bolsonarista também foi abordada a partir da eleição municipal de 2024, quando Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro participaram da campanha de Mariana à Prefeitura de Porto Velho. Perguntada se considerava acertada a presença dos dois em seu palanque, a entrevistada afirmou que a visita era esperada porque o PL integrava sua coligação e havia indicado o candidato a vice-prefeito, Pastor Val.
“Eu fiquei feliz com a vinda deles aqui, porque muitas vezes as pessoas olham um estado pequeno, que poderia não mudar tanto o resultado de uma eleição majoritária em nível nacional, mas a vinda deles, para mim, foi extremamente importante. Durante quase quatro anos, estive ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro como deputada federal. Você cria essa relação, e para mim foi um motivo de prestígio ele poder vir aqui e participar daquele processo eleitoral”, afirmou.
Mariana também estabeleceu diferenças entre a candidatura apresentada para o Senado e a vinculação a outros nomes nacionais. Segundo ela, a disputa possui uma grande quantidade de pré-candidatos e os eleitores deverão analisar as entregas, a trajetória e a preparação de cada concorrente.
“Espero que seja uma eleição em que as pessoas possam colocar na balança quem tem entrega e quem tem trabalho, porque fazer campanha política apenas no discurso é algo que todo mundo tem a oportunidade de fazer. Eu tenho uma bagagem, uma trajetória de história, de entrega, de trabalho, de comprometimento, de transparência, de dedicação à saúde, à educação, à infraestrutura e de lutas concretas por Rondônia”, declarou.
Ao discutir as alianças estaduais, Mariana confirmou que pretende caminhar ao lado do ex-prefeito Hildon Chaves, apresentado por ela como pré-candidato ao Governo de Rondônia, e do deputado estadual Cirone Deiró, mencionado como pré-candidato a vice-governador. A entrevistada afirmou que ninguém alcança objetivos políticos isoladamente e ressaltou a importância da lealdade dentro dos grupos.
“Ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Uma coisa que eu sempre aprendi foi ser leal com as pessoas. Quem faz política no individualismo para no meio do caminho. Quando você tem um time e uma base forte, as coisas conseguem ir para frente”, afirmou.
Ao justificar a parceria com Hildon, Mariana citou os oito anos em que ele comandou a Prefeitura de Porto Velho e o período em que ela exerceu mandato na Câmara dos Deputados. A pré-candidata atribuiu ao próprio mandato participação em grande parte das intervenções realizadas na capital durante aquela administração.
“Posso dizer que quase 90% ou mais das obras de Porto Velho e do que foi feito na capital tiveram um dedo, um trabalho, uma emenda ou uma articulação do nosso mandato como deputada federal. A gente sabe que Porto Velho tinha muitos desafios e ainda tem muita coisa para ser feita. Ele não conseguiu fazer tudo, mas, durante o trabalho que teve, eu estive ao lado dele”, declarou.
Mariana afirmou que a experiência administrativa de Hildon Chaves o credencia para disputar o Governo de Rondônia. Segundo ela, o grupo pretende apresentar uma chapa com o ex-prefeito para governador, Cirone Deiró para vice-governador e ela própria para o Senado.
A composição representa um afastamento político do governador Marcos Rocha, hoje no comando do PSD. Mariana declarou que suas críticas não são pessoais, mas dirigidas à condução administrativa do estado. De acordo com a entrevistada, faltariam maior presença e firmeza à gestão estadual.
“Hoje eu faço as críticas não à pessoa do coronel Marcos Rocha, mas sim à gestão, porque acho que falta um pouco mais de pulso e de presença. A política pede presença, participação, pede que você conheça, entenda e esteja presente em todo o estado de Rondônia, sabendo onde estão os nossos distritos, qual é a realidade e quais são as necessidades”, afirmou.
A pré-candidata disse esperar que o próximo governador reúna presença, capacidade de trabalho, disposição para realizar entregas e força para defender o estado. Mariana associou essa agenda à produção agrícola, à industrialização e à abertura de oportunidades econômicas.
“Espero muito que o próximo que estiver na cadeira tenha esse pulso de presença, mas também de trabalho, de entrega e de luta, para que Rondônia possa ser esse estado tão forte do progresso. É um estado de gente que acorda cedo, trabalha e acredita muito em Rondônia”, declarou.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de ter criado inimigos durante sua trajetória, Mariana afirmou não guardar ressentimentos e disse que adversários podem mudar de posição ao longo dos ciclos eleitorais. Para ela, divergências devem ser tratadas com maturidade.
“Meu coração não tem espaço para inimigo, nem cabe. Aqui é muito amor. Até as pessoas que, no meio do caminho, passam pela nossa vida só fazem a gente aprender mais. O que eu desejo a essas pessoas é que elas sejam felizes na caminhada delas”, afirmou.
Segundo Mariana, pessoas que criticam um projeto político podem posteriormente aderir a ele, assim como aliados podem seguir outros caminhos. A pré-candidata defendeu a existência de diferentes candidaturas como parte do processo democrático e reconheceu que nenhum político consegue agradar a todos.
“Você tem que aprender a fazer política com muita maturidade e respeito. Às vezes, a pessoa que está hoje criticando você na internet é quem, daqui a uma semana ou duas semanas, estará com você no seu projeto. Ou quem está com você hoje amanhã não está. É um ciclo muito rotativo”, declarou.
A entrevistada também lançou uma espécie de desafio aos atuais integrantes da bancada federal ao afirmar que ainda não identificou outro parlamentar que tenha destinado mais recursos a Porto Velho do que ela.
“Eu estou esperando algum parlamentar no estado que tenha investido mais em Porto Velho do que eu. Ainda não chegou, ainda não apareceu. Fico na expectativa porque quero o melhor para Rondônia”, afirmou.
Ao apresentar os motivos para disputar o Senado, Mariana argumentou que a Casa oferece aos estados com menor população o mesmo número de representantes concedido às unidades mais populosas. Ela comparou a composição do Senado com a da Câmara dos Deputados e citou a transposição dos servidores do antigo território como exemplo de pauta em que Rondônia enfrenta dificuldades para competir com bancadas maiores.
“O Senado traz uma igualdade no Parlamento porque são três senadores por estado, diferente do que acontece na Câmara. Na Câmara, você está com oito deputados federais brigando com 70 deputados de Brasília. Quando leva uma pauta para uma bancada de São Paulo, você tem dificuldade. No Senado, não. É de três para três, o peso é o mesmo”, declarou.
A pré-candidata afirmou que o mandato de senador exige responsabilidade por ter duração de oito anos e pela relevância das decisões tomadas pela Casa. Segundo Mariana, os eleitores deverão avaliar com cuidado quem possui experiência e condições de representar o estado.
“É uma casa extremamente importante para as decisões do Brasil e do nosso estado. A gente precisa ter muito cuidado, muita sensibilidade e responsabilidade nas nossas escolhas”, disse.
Mariana também avaliou como possível a eleição de duas mulheres para o Senado por Rondônia. Ela declarou que nenhuma eleição pode ser considerada definida antes da apuração e defendeu a participação de diferentes candidatos.
“Tudo é possível no processo eleitoral. Quem está na disputa tem chance de se colocar e poder preencher essas vagas. Não existe eleição ganha nem eleição que já se perdeu, porque só termina quando se abre a última urna e se conta o último voto”, afirmou.
As eleições de 2022 e 2024 foram tratadas como momentos de frustração e aprendizado. Em 2022, Mariana disputou uma vaga no Senado e foi superada por Jaime Bagattoli. Dois anos depois, concorreu à Prefeitura de Porto Velho e perdeu no segundo turno para Léo Moraes. Questionada sobre os dois resultados, afirmou que todo candidato entra em uma disputa para vencer e que não é possível ignorar a decepção imediatamente após o encerramento da votação.
“Não tem como dizer que, no dia seguinte, está tudo bem, porque a gente sente, pensa e quer fazer entregas. Mas tudo é aprendizado, tudo é amadurecimento. É olhar e reconhecer onde será que eu errei, como posso melhorar e o que tenho que fazer lá na frente, sem nunca perder a esperança”, declarou.
Apesar das duas experiências, Mariana disse respeitar as decisões tomadas pelos eleitores e garantiu que não interrompeu as atividades políticas nem o acompanhamento de projetos iniciados durante seus mandatos.
“Você tem que aceitar os resultados das eleições, entender que o eleitor fez a escolha naquele momento e continuar seguindo, sem perder o foco, o objetivo e o propósito. Mesmo sem mandato, eu nunca parei de trabalhar. Continuo trabalhando, fazendo entregas e visitando os municípios”, afirmou.
Ao ser confrontada com a possibilidade de uma terceira derrota eleitoral, Mariana não indicou que abandonaria definitivamente a vida pública. Ela afirmou que continuará trabalhando independentemente de cargo, mandato ou eleição e mencionou sua atuação na área educacional.
“O trabalho nunca vai parar. Sempre vou continuar trabalhando, independentemente de cargos, de mandato ou de eleição. A eleição faz parte do momento que a gente vive, mas ainda tem muito recurso, muita obra e muita coisa para acontecer”, declarou.
Mariana também falou sobre o peso das pesquisas eleitorais. Segundo ela, os levantamentos devem ser considerados, mas precisam ser interpretados ao lado das manifestações recebidas diretamente nas ruas.
“A pesquisa é importante, mas você tem que ouvir e saber ler, porque nem sempre aqueles resultados são exatamente o que vai acontecer. O que me faz sentir mesmo é o termômetro da rua, ouvir as pessoas e tentar entender. A pesquisa tem seu valor, mas existe outra coisa que preciso valorizar, que é o nosso sentimento”, disse.
A relação familiar foi abordada após o apresentador mencionar que o pai da entrevistada ocupa posição de comando no Republicanos e que Maurício Carvalho lidera a bancada federal de Rondônia, já pelo flanco do União Brasil. Mariana descreveu a família como unida, mas afirmou que cada integrante construiu o próprio caminho.
“A gente tem uma relação familiar de muita união, diálogo e parceria. É claro que cada um acaba seguindo. O Maurício está no mandato como deputado federal, fazendo um trabalho por Rondônia, hoje como líder da bancada, e fico muito feliz porque ele trilhou a própria caminhada”, afirmou.
Ela contou que cresceu em uma casa que recebia muitas pessoas e acompanhou o trabalho do pai como médico. Segundo Mariana, esse ambiente contribuiu para sua aproximação com a vida pública, embora as decisões políticas de cada integrante da família sejam tomadas de maneira independente.
Mariana iniciou a atuação partidária aos 16 anos, ainda no PSDB. Conforme relatou, foi convidada a liderar atividades voltadas à juventude, passou a incentivar jovens a tirar o título de eleitor, percorreu Rondônia e participou de palestras e cursos de capacitação.
A saída da legenda ocorreu depois de aproximadamente 20 anos. Mariana disse que a decisão foi difícil porque o partido havia oferecido oportunidades importantes para sua formação política, mas afirmou que o ciclo deixou de corresponder ao projeto que pretendia seguir.
“Foi muito difícil, porque foram 20 anos dentro do PSDB, um partido em que aprendi muito, que me deu espaço e oportunidade. Foi extremamente importante para o meu amadurecimento e para a minha aprendizagem, mas aquilo já não era mais o que me motivava, e eu precisava seguir outros caminhos e outros rumos, pelo meu propósito e por aquilo em que acreditava”, declarou.
Eleita vereadora de Porto Velho em 2008, Mariana definiu o mandato municipal como uma escola. Ela afirmou que a Câmara permite conhecer diretamente os bairros, as demandas urbanas e os problemas enfrentados diariamente pela população.
“Todo político deveria ter a oportunidade de ser vereador. É ali que você entende os problemas reais, está no dia a dia do município, conhece os bairros, conhece tudo a fundo e tem contato direto com a população”, disse.
Durante o mandato, a equipe utilizou ferramentas de internet para receber informações sobre buracos e pedidos de providências. Mariana também recordou visitas noturnas em que postes sem iluminação eram marcados para que as demandas fossem encaminhadas à Prefeitura.
Posteriormente, ela exerceu dois mandatos de deputada federal. Ao falar sobre o período, afirmou que nunca atuou apenas por meio de discursos e declarou que prefere acompanhar a execução dos projetos antes de anunciar resultados.
“Eu nunca fui uma parlamentar, uma política só do discurso. Sou do trabalho, sou da entrega, sou da realidade de correr atrás. Eu não aceito um não”, afirmou.
Entre os exemplos citados, Mariana mencionou a articulação para o credenciamento de uma Unidade de Pronto Atendimento em Rolim de Moura. Segundo ela, o então prefeito Aldo entrou em contato depois de receber uma resposta negativa do Ministério, e a parlamentar procurou o ministro responsável para tentar solucionar a situação.
A entrevistada também falou sobre a nova rodoviária de Porto Velho. Mariana recordou que cresceu nas proximidades do antigo terminal e descreveu a estrutura anterior como deteriorada e inadequada para funcionar como porta de entrada da capital.
“A gente tinha a rodoviária mais feia de todo o Brasil, podre, caindo aos pedaços. Era um lugar que não tinha condições de receber as pessoas e de ser a porta de entrada da nossa capital”, afirmou.
Mariana disse evitar promessas antecipadas porque os recursos federais enfrentam procedimentos burocráticos demorados. Como exemplo, mencionou R$ 2,2 milhões destinados à construção do estádio João Saldanha, em Guajará-Mirim, investimento que, segundo ela, ainda não havia sido concluído.
“Tem praticamente quatro anos que estou fora do mandato e ainda estou fazendo entrega de emendas. Ainda existem obras minhas saindo do papel e outras para serem entregues. Existe um processo burocrático muito grande para o recurso federal chegar à ponta”, explicou.
Entre os investimentos atribuídos ao período em que esteve na Câmara, Mariana citou passarelas, estruturas da Polícia Rodoviária Federal, praças, iluminação pública, pavimentação, centros de assistência social, escolas e creches. Também mencionou a Estrada dos Periquitos, a Praça Flamboyant, a reforma da Maternidade Municipal Mãe Esperança e o Instituto de Longa Permanência.
Ao falar da Praça Flamboyant, afirmou ter encontrado cerca de 150 mulheres que participavam de atividades físicas no local. Para Mariana, o investimento permitiu a ocupação do espaço por famílias, crianças e idosos.
A participação feminina na política também foi defendida pela pré-candidata. Mariana afirmou que as mulheres ainda ocupam poucos espaços e relatou dificuldades enfrentadas pelos partidos para cumprir as cotas de candidaturas femininas durante as eleições.
“A participação das mulheres na política ainda é pequena e a gente precisa mudar. Quero inspirar mulheres jovens a participarem cada vez mais da vida política, não apenas nos bastidores, mas também colocando seus nomes à disposição de um processo eleitoral”, declarou.
Ela acrescentou que a presença feminina precisa ser ampliada em diferentes setores e defendeu a liberdade de escolha das mulheres sobre os espaços que pretendem ocupar.
“Ainda precisamos dar mais espaço às mulheres e ter uma participação maior em todos os cenários. Eu torço para que a mulher entenda que o lugar dela é onde ela quiser estar. Ela pode ocupar todos os campos, todos os segmentos e todas as áreas”, afirmou.
Mariana relacionou sua permanência na política à esperança de produzir resultados e ajudar outras pessoas. Ao responder por que decidiu participar de uma nova campanha, disse acreditar que problemas associados à atividade pública decorrem do comportamento individual de determinadas pessoas, e não da política em si.
“A política precisa de pessoas boas. Quando a gente vê uma coisa ruim ligada à política, não é a política que é ruim. São pessoas que já tinham um comportamento diferente na vida privada e aproveitam a política para continuar fazendo aquilo que já faziam. A política não muda o caráter de ninguém”, declarou.
Na parte final da entrevista, Mariana apresentou-se como uma mulher de fé, determinada, corajosa e preparada para representar Rondônia no Senado. Ela afirmou que sua trajetória reuniu experiências, amadurecimento e entregas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
“Eu sou uma mulher de fé, determinada, corajosa, cheia de sonhos para Rondônia e com muita esperança por dias melhores para a nossa gente, para os nossos 52 municípios e para o Brasil. Sou a mulher do trabalho, uma política da entrega, uma política que ama o que faz e, principalmente, que ama a nossa gente”, declarou.
A pré-candidata convidou os espectadores para a convenção marcada para 30 de julho, às 18 horas, na Unopar. Segundo Mariana, o encontro deverá tratar de sua candidatura ao Senado e da composição encabeçada por Hildon Chaves para o Governo de Rondônia.


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