Professor Me. Herbert Lins – DRT 1143 / Samuel Ribeiro – Marketólogo
Detergente Ypê: o novo dilema existencial brasileiro
CARO LEITOR, chegamos a um ponto alarmante da vida pública brasileira: parte da sociedade parece ter abandonado os últimos vestígios de racionalidade, inteligência crítica e senso de realidade. O debate nacional, que deveria estar concentrado em temas como desemprego, corrupção, violência, juros altos e desigualdade, agora mergulha em surtos coletivos alimentados por boatos, histeria digital e fanatismo ideológico. A prova mais absurda dessa decadência intelectual cabe, ironicamente, dentro de um simples frasco de detergente. Sim, um detergente virou símbolo de paranoia nacional. É impossível não sentir indignação diante do espetáculo grotesco produzido nas redes sociais e reproduzido por pessoas incapazes de distinguir fato de delírio. Interrompo aqui a reflexão para perguntar diretamente ao leitor: o que você fará diante do mais novo “dilema existencial” brasileiro? Vai continuar usando o detergente Ypê, mesmo sob o suposto “risco de contaminação” inventado por correntes irresponsáveis? A pergunta parece ridícula, mas é justamente esse o problema que provoca reflexões e inquietações, porque correntes da extrema-direita transformam o absurdo em pauta cotidiana.
Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a suspensão do uso e o recolhimento de todos os produtos da marca Ypê com a numeração de lotes terminados em 1. Segundo a Anvisa, há risco de uma “contaminação microbiológica”.
Suspeitas
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais para levantar suspeitas sobre a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação à marca de produtos de limpeza Ypê.
Favorecimento
Nikolas Ferreira alegou, sem apresentar provas concretas, um suposto favorecimento aos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores do grupo J&F (dono da concorrente Flora/Minuano), por meio de uma ação articulada entre o governo federal e a agência reguladora para prejudicar a marca Ypê.
Defesa
O senador Cleitinho (Republicanos-MG), o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL-SP), e outros parlamentares da extrema-direita, além da influenciadora Jojo Todinho, saíram em defesa da marca Ypê nas redes sociais.
Conspiratória
A Ypê foi uma das maiores doadoras para o ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2022. A extrema-direita levantou a tese conspiratória de que a Anvisa pode ter sido usada para prejudicar a Ypê e favorecer a Minuano dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Negou
A Anvisa negou motivação política, reiterando que a fiscalização teve caráter técnico e sanitário, visando a proteção do consumidor após detectar falhas graves no controle microbiológico em uma unidade da Ypê no município de Amparo (SP).
Estranhos
O Brasil vive tempos estranhos, mas poucas cenas simbolizam tão bem a decadência do debate público quanto assistir o pré-candidato ao Senado e deputado federal Fernando Máximo (PL), transformar um debate nacional de risco de saúde pública em teatro digital para conquistar curtidas, engajamento e militância emocional.
Responsabilidade
A cena do vídeo de Fernando Máximo (PL) lavando louça com detergente Ypê causa indignação não pelo ato de lavar pratos, tarefa digna e comum a qualquer cidadão, mas por ver um médico, profissão historicamente associada à ciência, à racionalidade e à responsabilidade pública, alimentar um ambiente dominado por boatos, paranoia e desinformação.
Viralizar
O rondoniense enfrenta filas nos hospitais, falta de médicos especialistas, dificuldades no atendimento básico e crises sociais profundas, mas o médico Fernando Máximo prefere investir energia em vídeos caricatos para viralizar nas redes sociais como estratégia de marketing eleitoral.
Refém
A política brasileira não pode continuar refém da lógica do espetáculo. Quando líderes trocam o debate qualificado por encenação infantilizada, o eleitor perde referência, o espaço público empobrece e a inteligência coletiva é humilhada.
Triunfo
O detergente Ypê virou símbolo de algo muito maior: a substituição da seriedade e responsabilidade pública pelo populismo digital para performar nas redes sociais. É o triunfo da ignorância sobre a razão com o advento da internet.
Merenda
Na contramão do uso do Ypê contaminado, a pré-candidata ao Senado, deputada federal Silvia Cristina (PP), anuncia aprovação do Projeto de Lei 1248/24 – do qual foi relatora, aprovado na Câmara dos Deputados, que prevê aumento nos recursos destinados à merenda escolar na Amazônia Legal, em especial, Rondônia.
Negou
Como hoje é dia de #tbt, a coluna lembra que a Justiça Eleitoral de Rondônia negou o pedido que tentava impedir o pré-candidato ao Senado, Bruno Scheid (PL), de usar o sobrenome “Bolsonaro” em seus atos de pré-campanha.
Rejeitou
A juíza Letícia Botelho, do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), rejeitou o pedido (liminar) que buscava barrar o uso do nome “Bruno Bolsonaro Scheid”. A Juiza decidiu de forma bastante técnica e um grande acerto jurídico do que foi decidido.
Vencedor
Em coluna anterior, afirmamos que o uso do sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) não é suficiente para se ganhar uma campanha eleitoral. O que faz um candidato se tornar vencedor é um conjunto de estratégias e táticas eleitorais.
Café
O pré-candidato a governador, senador Marcos Rogério (PL), por orientação do marketing eleitoral, criou o quadro “o meu café - hoje é com... e a convite de...”. Neste caso, foi na residência da Dona Generosa no bairro Ulysses Guimarães. O marketing procura humanizar Rogério.
Visitou
Na zona leste de Porto Velho, o pré-candidato a governador, senador Marcos Rogério (PL), reuniu-se com chacareiros e visitou a Associação São Tiago Maior. Na oportunidade, foi recebido pelo Padre Enzo Mangano e conheceu todo o trabalho voluntário da entidade.
Induziu
O quadro café com o pré-candidato a governador e ex-prefeito Hildon Chaves (União) não deu bom. O marketing eleitoral induziu Hildon a errar nas informações em relação à marca do café de Cacoal durante a gravação com Rodrigo Moraes, da TV Caboquinho.
Erro
O erro da informação sobre o café de Cacoal na fala do pré-candidato a governador Hildon Chaves (União) foi corrigido pelo deputado estadual Cássio Gois (PSD) nos comentários da postagem. Em seguida, o vídeo foi excluído.
Interiorizar
O pré-candidato a governador e ex-prefeito Hildon Chaves (União) segue agenda no interior, concedendo entrevistas e reunindo-se com lideranças locais para angariar apoios. A estratégia de Hildon é interiorizar o seu nome, divulgando seus feitos como prefeito de Porto Velho durante dois mandatos e o que pretende fazer caso seja eleito governador.
Finca
Enquanto Hildon Chaves busca interiorizar o seu nome. O pré-candidato a governador e ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), finca os pés na capital concedendo entrevista, visitando lideranças e participando de reuniões.
Imagem
O marketing eleitoral do pré-candidato a governador Adailton Fúria precisa fazê-lo tirar a camiseta básica do seu figurino e vesti-lo com camisas esporte fino, sapatênis ou botina. A calça coladinha pode até permanecer, mas Fúria precisa deixar de carregar a imagem de “molecão” se desejar ser eleito governador.
Saúde
O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), deputado estadual Alex Redano (Republicanos), recebeu na presidência da Casa de Leis o secretário de Saúde, médico Edilton Oliveira dos Santos, acompanhado do chefe da Casa Civil Elias Resende e do procurador-geral Thiago Alencar.
Reforçou
A visita do secretário de Saúde, médico Edilton Oliveira dos Santos, acompanhado dos representantes do governo à presidência da ALERO, foi para tratar da morte de um recém nascido na maternidade do Hospital de Base. Redano reforçou o papel da Casa de Leis de fiscalizar e acompanhar com transparência as denúncias da população rondoniense que chegam a Casa de Leis.
Carreta
Falando em acompanhar, o secretário de Saúde, médico Edilton Oliveira dos Santos, precisa olhar com sensibilidade para a carreta de ressonância magnética e outros exames parada em Vilhena. Inclusive, a SESAU ainda não pagou a carreta pelos serviços prestados.
Destacou
O deputado estadual Alan Queiroz (PL) usou a tribuna da ALERO para defender o reforço da vigilância e segurança nas escolas estaduais. Além disso, destacou a falta de vigilância armada nas escolas estaduais para garantir a segurança patrimonial e de toda a comunidade escolar.
Prazos
O prefeito Léo Moraes (Podemos) precisa ficar atento aos prazos de conclusão de obras, em especial do Parque Circuito na zona norte da capital. A obra de requalificação do parque é realizada mediante um TAC entre uma empresa privada e a Prefeitura de Porto Velho, porém, segue a passos de tartaruga.
Combate
O vereador Marcos Combate (Avante), caso não recorra à inteligência emocional e controle da ansiedade, pode colocar em risco o seu projeto de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO). Marcos é um excelente parlamentar, mas precisa recorrer a estratégias do marketing político para não criar armadilhas para si próprio e derreter a sua imagem perante o público-alvo.
Sério
Falando sério, o Brasil não está apenas polarizado; está adoecendo intelectualmente. E talvez o mais assustador seja perceber que já existem pessoas dispostas a trocar evidências por fanatismo, ciência por superstição e realidade por paranoia. Repito: É o triunfo da ignorância sobre a razão com o advento das redes sociais.



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