PORTO VELHO, RO – A troca de declarações entre o prefeito de Cacoal, Tony Pablo, e o ex-prefeito Adaílton Fúria ganhou um novo capítulo após manifestações públicas envolvendo a situação fiscal do município, a regularização de precatórios e a retirada do nome da prefeitura de cadastro de inadimplentes da Justiça Federal.
Durante declaração pública, Tony Pablo afirmou possuir documentos oficiais relacionados à situação fiscal do município e declarou que tomaria providências criminais contra quem apontasse falsidade nos documentos apresentados. “Quem provar que esses documentos são falsos, quem provar que esses documentos são certidões da Justiça Federal, tenho aqui também declaração e certidão do Procurador-Geral do município de Cacoal, eu vou instaurar os procedimentos criminais, porque falsificar documento público é crime grave, e vou inclusive, para quem provar que são falsos, entregar uma S10 zero quilômetro”, afirmou.
Na sequência, o prefeito relatou que esteve em Brasília em busca de recursos federais junto à bancada federal. Segundo ele, a administração municipal buscava recursos para pagamento de dívidas e manutenção dos serviços públicos. “Nós estivemos em Brasília articulando junto à bancada federal, senadores e também deputados federais, a busca da liberação de recursos federais pra gente conseguir pagar as dívidas do município, resolver os problemas da cidade. Isso é normal. Todos os prefeitos fazem isso”, declarou.
Tony Pablo afirmou ainda que, durante a viagem, foi informado de que Cacoal constava em cadastro de inadimplentes em razão do não pagamento de precatórios vencidos até 31 de dezembro de 2025. “Eu fui surpreendido com a informação de que Cacoal se encontrava no cadastro de inadimplentes. Está aí a certidão da Justiça Federal, do Poder Judiciário. E por que nós fomos inscritos num cadastro de inadimplentes? Pelo fato de não ter pago precatórios vencidos até o dia 31 do 12 de 2025”, disse.
O prefeito também declarou que a regularização ocorreu posteriormente. “Só no dia 4 de maio de 2026 eu consigo tirar então o nome do município de Cacoal do cadastro de inadimplentes. Então eu limpei o nome do município de Cacoal, tá aqui a certidão”, afirmou.
As declarações foram respondidas por Adaílton Fúria em entrevista concedida ao site Eu Ideal. Questionado sobre a situação envolvendo os precatórios e a retirada do município do cadastro de inadimplentes, o ex-prefeito afirmou que acompanhou a entrevista de Tony Pablo e disse entender que a fala poderia transmitir interpretação equivocada sobre a gestão anterior.
“Olha, eu até acompanhei a entrevista do prefeito, parabenizo ele pelo início de gestão e pelo mandato que vem fazendo, que Deus te abençoe nas suas decisões. Acontece que ficou meio dúbio a maneira que ele coloca. Ele coloca de uma maneira como se provavelmente a gestão tivesse pagado uma dívida para dar baixa no TRF1”, declarou.
Segundo Adaílton Fúria, a pendência mencionada correspondia a restos a pagar de aproximadamente R$ 22 mil referentes a um precatório quitado em janeiro de 2026. “Acontece que no final do ano passado, ficou um restos a pagar de R$ 22 mil pro ano seguinte, e isso é normal de qualquer gestão. E esse restos a pagar que ficou, ficou o valor de R$ 22 mil de um precatório que foi pago no dia 22 do 1”, afirmou.
O ex-prefeito declarou ainda que a Procuradoria do Município comunicou formalmente à Justiça Federal sobre o pagamento. “A Procuradoria do Município informa à Justiça Federal no dia 29 do 1, que o boleto havia sido pago e que a Justiça Federal teria que dar baixa em qualquer tipo de negativação que tivesse no nome da Prefeitura de Cacoal”, disse.
Na mesma manifestação, Adaílton Fúria atribuiu a manutenção da restrição a uma falha burocrática. “E a Justiça Federal, de uma maneira equivocada ou errônea, não fez a baixa desse precatório que havia sido pago em 2021”, afirmou. Ele acrescentou que o atual prefeito, ao buscar recursos em Brasília, teria sido orientado a procurar a Justiça Federal para solicitar a regularização cadastral.
Fúria também mencionou documento atribuído ao procurador do município. “Tá aí o segundo documento que eu estou encaminhando pra vocês, que é da própria procuradoria, doutor Caio, que é um procurador efetivo e nomeado pelo atual prefeito, onde ele diz que fez todas as buscas na parte jurídica do município, que não consta nenhum débito da Prefeitura de Cacoal de precatórios, e que o débito que tinha havia sido pago”, declarou.
O ex-prefeito afirmou ainda que a forma como a situação foi apresentada poderia dar a entender que existia débito em aberto não quitado pela gestão anterior. “Parece que tinha uma dívida, o município está com dívida e ele foi lá, pagou a dívida e resolveu. Assim eu entendi e peço desculpas se eu entendi de maneira errada”, disse.
Durante a entrevista, Adaílton Fúria também comentou declarações feitas por Tony Pablo sobre previsão de novos precatórios e possíveis impactos financeiros para o município. Segundo o ex-prefeito, não existiria previsão de R$ 25 milhões em precatórios para o exercício atual. “Não, não tem 25 milhões de precatórios, não tem nem previsão pra isso. O que existe é a previsão, vai, de 3 milhões e alguma coisa”, afirmou.
Ele declarou que os valores previstos já estariam contemplados no orçamento municipal. “Todos os anos é pago. Precatórios são dívidas antigas do município. São dívidas de 2011, 2010. Então até o presente momento, inclusive o documento da procuradoria informa que não tem qualquer dívida vencida no município”, disse.
Adaílton Fúria também comentou sobre despesas relacionadas à saúde pública e necessidade de complementação financeira por meio de emendas parlamentares e recursos externos. “O que o prefeito fala de débito negativo de 7, 8 milhões de reais, de respeito às unidades nossas que não são cadastradas no Ministério da Saúde e que nós temos que disponibilizar recursos do orçamento. Mas como que você faz a forma de compensação disso? Você busca através de emenda parlamentar, como eu sempre fiz”, declarou.
Segundo ele, a atual gestão teria conseguido captar recursos em Brasília após orientações feitas ainda no período de transição administrativa. “Acredito eu que no dia 10, mais ou menos, ou 12 de fevereiro, eu já havia alertado o prefeito na transição que ele tinha que ir para Brasília em busca de captação de recursos. E ele fez isso. Ele captou, se eu não me engano, a informação que me chega, quase 20 milhões de recursos em Brasília”, afirmou.
Ao final da entrevista, Adaílton Fúria foi questionado sobre seu estado emocional diante da situação e negou qualquer sentimento de traição ou mágoa. “Não, negativo. Eu tô tranquilo, tô em paz, dever cumprido”, declarou.
O ex-prefeito também afirmou que sua gestão promoveu transformações administrativas em Cacoal e mencionou indicadores relacionados ao município. “Eu peguei ela lá em quinta colocada, sexta no ranking dos melhores municípios de Rondônia e coloquei ela em primeiro lugar”, disse.
Na mesma fala, Adaílton Fúria destacou que Tony Pablo integrou sua administração antes de assumir a prefeitura. “O nosso atual prefeito era subprocurador do município de Cacoal, foi vice-prefeito e sempre esteve ao meu lado diante de todas as conquistas. Então ele sabe da dificuldade e do peso que é carregar uma prefeitura nas costas”, afirmou.
O episódio ocorre após manifestações públicas anteriores envolvendo a situação fiscal do município e o pagamento de precatórios. Em declarações divulgadas anteriormente, Adaílton Fúria já havia afirmado que a administração municipal teria quitado aproximadamente R$ 4,3 milhões em precatórios até 28 de dezembro do exercício anterior, além de mencionar pagamentos acumulados próximos de R$ 20 milhões em exercícios anteriores. Na ocasião, o ex-prefeito também sustentou que a pendência relacionada ao cadastro de inadimplentes decorreria de atraso burocrático na baixa do pagamento junto à Justiça Federal após quitação de aproximadamente R$ 22 mil.
A troca de declarações ocorre em meio ao distanciamento político entre Adaílton Fúria e Tony Pablo desde a renúncia do ex-prefeito para disputar o Governo de Rondônia em 2026. Desde então, manifestações públicas relacionadas à situação administrativa e financeira do município passaram a integrar o cenário político envolvendo as duas lideranças.



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