O tempo passa e a situação do “Corredor da Morte”, trecho da BR-364 de Porto Velho a Vilhena, com cerca de 700 km, continua a mesma. O Consórcio 4UM e Opportunity, vencedor da concorrência (único participante), que administrará a rodovia pelos próximos 30 anos, pouco fez para melhorar a segurança e as condições de tráfego.
Os acidentes graves continuam, inclusive com óbitos, mas o pedágio está sendo cobrado de forma eletrônica (o Governo Federal anulou há dias todas as cobranças das BRs que utilizam esse sistema). Rodovias de São Paulo (as SPs), que iniciariam neste mês de maio a cobrança pelo mesmo sistema eletrônico, tiveram o início transferido para janeiro do próximo ano, segundo estabeleceu o Governo do Estado.
A medida do governo paulista poderia ser aplicada na 364, com a concessionária Rota 364 realizando os trabalhos de adequação (terceiras pistas, recuperação do piso, inclusive do alicerce, passarelas, sinalização, melhoria na segurança), que estão no contrato de concessão do Consórcio 4UM e Opportunity. Mas seria uma determinação da União, e não do Estado.
O trecho Porto Velho–Vilhena é um importante corredor de exportação de grãos (soja, milho, café). A maioria da produção de grãos em Rondônia é exportada pelo porto graneleiro do Rio Madeira, em Porto Velho. É a mesma situação da exportação de carne bovina. Boa parte da produção de grãos do Mato Grosso também utiliza o Rio Madeira para exportação.
Porto Velho possui o terceiro maior rebanho bovino do Brasil, perdendo apenas para São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS). A capital de Rondônia tem o maior rebanho do Estado e quase toda a produção é exportada, sendo a BR-364 o principal caminho (enquanto não chega a ferrovia).
A BR-364 também liga os demais estados a Manaus, via BR-319, que, após constantes paralisações na repavimentação e readequação, com interferências de ONGs compostas por membros moradores das “selvas de pedra”, das grandes cidades com rodovias pavimentadas, conservadas, prédios de dezenas de andares e ar-condicionado, que querem, a todo custo, isolar a população indígena do “homem e da mulher brancos”, já está com o trecho do “Meião” sendo recuperado e adequado.
Felizmente, a Justiça fez justiça e liberou as obras de readequação da BR-319, construída na década de 70. A decisão deixou evidente que a Amazônia brasileira é dos brasileiros, não das ONGs.
Mas retornando à abordagem sobre a 364, a maior e mais importante rodovia federal de Rondônia: durante o período de safra de grãos, passam pelo trecho de Porto Velho a Vilhena (700 km) cerca de 2,5 mil veículos pesados (bitrens, treminhões) por dia. Não estão computados os veículos de passeio e motocicletas.
Mais de 90% dos veículos retornam “batendo carroceria”. Há tempos cobramos do governo e das autoridades constituídas a busca de um caminho seguro para que esses veículos retornem carregados, ao menos parte deles, com calcário da Bolívia, por exemplo.
O País tem “bolsa” para tudo; por que não criar uma “bolsa-retorno”, com o governo bancando parte do combustível e um colega transportando o veículo do outro? Acreditamos que dois veículos consigam transportar um (cavalo-carroceria), o que já amenizaria o movimento e melhoraria o tráfego, além de gerar economia de combustível, pneus e outros desgastes, como motor, câmbio e diferencial.
Esta semana, o deputado federal Lúcio Mosquini (PL) apresentou projeto de lei propondo o fim da aplicação de multas por evasão de pedágio em modelos sem cancelas, os chamados free flow, como os da 364. Não é o fim da cobrança, mas sim a retirada da multa. A cobrança é online e, quando não é paga, o infrator é punido com infração grave, inclusive gerando multas e pontos na CNH.
O Governo Federal, talvez influenciado pela pressão política, anunciou a suspensão de milhões de multas aplicadas pelo sistema em todo o País, inclusive em Rondônia. Não é solução, mas ameniza. No caso de Rondônia, a Rota 364 se limitou a tapar alguns buracos, cortar o mato às margens do trecho e iniciar a cobrança sem praticamente ter feito nenhuma benfeitoria.
Em locais onde estão (ou foram) realizados serviços de restauração (tapa-buracos), com a sinalização de “pare e siga”, já ocorreram acidentes com mortes devido à deficiência no controle do tráfego, que conta com grande número de veículos pesados. E o “Corredor da Morte” continua contabilizando vítimas fatais.
A interferência de Mosquini deve ser encampada pelos demais políticos federais de Rondônia e do Acre, que também dependem da 364. O Acre tem três senadores, a exemplo de Rondônia e dos demais estados e do Distrito Federal. O estado vizinho também possui oito deputados federais, que poderiam se unir à bancada federal de Rondônia e reivindicar, exigir e cobrar em bloco, pois dependem da rodovia para manter sua economia forte, a exemplo da rondoniense.
A tecnologia utilizada no sistema de cobrança de pedágio free flow é interessante e oportuna para o mundo virtual em que vivemos, mas é preciso que a mesma celeridade seja aplicada na recuperação, readequação e sinalização da pista, inclusive com duplicação, que atualmente ocorre em apenas cerca de 100 km dos 700 km do trecho.
A realidade da região é outra. Veículos como o Mercedes-Benz 1113 transportavam 12 toneladas. Hoje, um treminhão chega a mais de 55 toneladas.
A BR-364 não depende somente de tapa-buracos ou recuperação, mas sim de uma restauração completa, incluindo o alicerce, que não tem condições de suportar o peso e o volume dos veículos de carga que utilizam a rodovia e circulam em grande número. Além de todas as obras citadas, a solução é a duplicação, com uma nova pista e a restauração total da atual, inclusive do alicerce.



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