O papa Leão XIV nomeou como bispo nos Estados Unidos um religioso que entrou ilegalmente no país escondido no porta-malas de um carro e que, atualmente, critica políticas migratórias do presidente Donald Trump. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (1º) pelo Vaticano.
Evelio Menjivar-Ayala, de 56 anos, nasceu em El Salvador e foi para os EUA em 1990, fugindo de um conflito armado. Segundo o jornal The Washington Post, ele entrou no país escondido e se tornou cidadão americano em 2006.
Menjivar foi nomeado bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental. O religioso tem se destacado por críticas ao tratamento dado a imigrantes pelo governo Trump.
Em um artigo publicado no ano passado no National Catholic Reporter, ele condenou a repressão migratória e pediu apoio a imigrantes e refugiados.
“Àqueles que se calam ou pensam que isso não os afeta, àqueles que não se incomodam com isso — ou pior, que aplaudem —, especialmente aqueles que são católicos, eu pergunto: vocês não veem o sofrimento de seus semelhantes?”, escreveu.
“Não percebem a dor, a miséria e o medo e a ansiedade muito reais que essas operações e políticas governamentais injustas estão causando? Suas consciências não estão perturbadas? Como podem permanecer em silêncio?”
O papa também tem feito críticas às políticas de Trump. Em uma viagem recente à África, ele defendeu tratamento mais humano a imigrantes e refugiados, afirmando que devem ser tratados com dignidade.
Menjivar cursou filosofia no Seminário São João Vianney, em Miami, e estudou no Colégio Norte-Americano, em Roma, onde obteve mestrado em teologia pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em 2002.
Também realizou estudos no Pontifício Instituto Scalabriniano de Teologia Pastoral para a Mobilidade Humana antes de ser ordenado sacerdote para a Arquidiocese de Washington, em 29 de maio de 2004.
Atualmente, ele participa de conselhos e organismos da Igreja, além de atuar em iniciativas de caridade e assistência.



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