A reconstrução da BR-319, rodovia que conecta Manaus a Porto Velho, voltou ao centro das discussões do governo federal com a previsão de um pacote de ações estimado inicialmente em R$ 1,5 bilhão. A proposta, elaborada pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contempla melhorias no chamado “trecho do meio”, considerado o mais crítico da estrada, além de uma série de medidas de mitigação ambiental e fiscalização.
Entre os principais pontos do plano está a criação de uma faixa de controle ambiental superior a 40 mil quilômetros quadrados, área próxima ao tamanho do estado do Rio de Janeiro. Também estão previstas mais de 170 passagens para fauna silvestre, cerca de 50 pontes e estruturas permanentes para fiscalização e monitoramento da região. Além disso, o governo projeta a regularização fundiária de mais de 20 mil propriedades rurais e discute um formato de parceria com a iniciativa privada para reforçar a gestão da rodovia.
A execução total das intervenções deve durar aproximadamente quatro anos. Embora o investimento inicial esteja estimado em quase R$ 1,5 bilhão, o custo integral da reconstrução ainda não foi definido oficialmente. Integrantes do governo, porém, indicam que o montante necessário poderá ultrapassar R$ 2 bilhões. Os anúncios devem ocorrer durante agenda presidencial em Manaus, prevista para começar nesta terça-feira (26).
A retomada da BR-319 é debatida há mais de três décadas e opõe interesses ligados à mobilidade regional e preocupações ambientais. O principal gargalo está concentrado nos 405,7 quilômetros do chamado trecho do meio, considerado o mais degradado e ambientalmente sensível de toda a rodovia. A Licença Prévia para a recuperação desse segmento foi emitida em 2022, nos últimos meses do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Enquanto defensores da obra argumentam que a rodovia é estratégica para conectar parte da população do Norte ao restante da malha rodoviária nacional, ambientalistas alertam para os riscos de avanço do desmatamento. Entre as preocupações está a possibilidade de expansão de ramais ilegais a partir do asfaltamento, fenômeno conhecido como “espinha de peixe”, associado à exploração irregular de madeira, ocupações irregulares, grilagem de terras e criação clandestina de gado.
Inaugurada nos anos 1970, durante o regime militar, a BR-319 possui 885 quilômetros de extensão e foi concebida para integrar Manaus à capital de Rondônia. Sem manutenção adequada ao longo dos anos, a estrada teve grande parte do pavimento comprometida, tornando-se praticamente intransitável em períodos de chuva e sujeita à deterioração durante a estiagem. Desde a década de 1990, diferentes governos discutem sua recuperação definitiva, sem que o projeto tenha sido integralmente executado.



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