Notícia em nível nacional colocou a nossa Porto Velho como se fosse a porta do inferno. A capital de Rondônia está classificada em último lugar entre as 26 capitais e o Distrito Federal, segundo dados do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, no ranking de qualidade de vida.
O IPS é uma ferramenta internacional especializada em avaliar o desempenho social e ambiental de países, estados e municípios. No Brasil, foram avaliados 5.570 municípios, divididos em necessidades humanas básicas, fundamentos para o bem-estar e oportunidades, segundo matéria do “G1”.
No trabalho realizado pelo IPS, edição 2026, Porto Velho recebeu 58,59 pontos. A média nacional foi de 63,40. Porto Velho, inclusive, não aparece entre os 15 municípios mais bem avaliados do Estado. Destaque para Rolim de Moura, que somou 62,85 pontos.
Porto Velho tem problemas de infraestrutura desde a sua fundação, há 111 anos (completados em agosto). O pouco que tem de saneamento básico ainda é da época da fundação. O município já teve disponibilizados, pela Caixa Econômica Federal, durante cerca de seis anos, R$ 600 milhões do Governo Federal, na época do presidente Lula da Silva (PT), além de emenda do ex-deputado federal Nilton Capixaba (PTB). Os recursos foram devolvidos porque não conseguiram viabilizar o projeto!!!
A cidade também passou por situação atípica com as usinas de Santo Antônio e Jirau, construídas no Rio Madeira em 2008/2009. Em um período muito curto, chegaram à cidade mais de 250 mil pessoas. Cerca de 40 mil foram contratadas, e as demais vieram para trabalhar nas obras.
A cidade, que já não tinha um mínimo de infraestrutura urbana, ficou sufocada. Os preços dos aluguéis alcançaram patamares astronômicos. Alugar uma casa de cinco peças no distrito de Jaci-Paraná, onde estava sendo construída Jirau, custava em torno de R$ 5 mil. A usina até construiu uma vila de casas ao lado da BR-364 para poder abrigar as pessoas.
As usinas foram inauguradas no final de 2016 e os problemas sociais de Porto Velho, que já eram muitos desde a sua fundação, se agravaram. Os preços dos imóveis caíram, o mesmo ocorrendo com os valores dos aluguéis. Boa parte das pessoas que chegou permaneceu, porque as usinas empregam hoje centenas de pessoas, certamente mais de 1.000 empregos diretos em cada uma delas.
A situação do saneamento básico em Porto Velho não é das melhores. Ex-prefeitos como José Guedes, Roberto Sobrinho (dois mandatos seguidos) e Hildon Chaves (dois mandatos seguidos) não conseguiram solucionar o problema no segmento, porque ele envolve muitos recursos, que o município não tem, além das dificuldades para acessar verbas federais.
Mas é importante destacar que hoje, apesar de todas as dificuldades sociais, Porto Velho é o maior produtor de gado de corte do Estado. Também produz soja e milho.
O prefeito Léo Moraes, presidente estadual do Podemos, está no segundo ano de mandato e teria à disposição R$ 200 milhões para investir em obras. Não é um valor significativo diante da demanda do município, com mais de 34 mil quilômetros quadrados de área territorial, maior que alguns estados e vários países. São mais de 7 mil quilômetros de estradas vicinais, uma distância equivalente ao trajeto de ida e volta da capital de Rondônia a Londrina, no norte do Paraná.
Porto Velho tem doze distritos, vários com infraestrutura de municípios. Abunã, por exemplo, fica a cerca de 400 km da sede. É uma cidade.
A aplicação objetiva desses recursos será fundamental para o futuro de Porto Velho. Que o saneamento básico e a revitalização da área central sejam priorizados.
Por que não um calçadão do prédio da prefeitura até a Avenida Marechal Deodoro? Certamente deixaria a capital de Rondônia com uma área central urbanizada e fixaria os comerciantes, que estão deixando o local devido às dificuldades para os clientes estacionarem e ao excesso de mendigos dormindo nas portas dos comércios em horário comercial, afugentando os clientes.
Também é necessário que o prefeito Léo Moraes não reclame tanto. Quando foi eleito, sabia dos problemas e das dificuldades e, no mínimo, deveria estar preparado, junto com sua equipe, para enfrentá-los e resolvê-los, pois não são recentes, são antigos, e os prefeitos anteriores não conseguiram solucioná-los.
As dificuldades são muitas, mas boa parte da pavimentação na área urbana da capital foi resolvida, assim como a construção do terminal rodoviário, hoje um cartão-postal da cidade. Méritos também para o deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil) e Mariana Carvalho, ex-deputada federal, que disponibilizaram recursos para a “Nova Rodoviária”.
A parte administrativa da prefeitura também esteve bem com Hildon, que não foi um Juscelino Kubitschek para Porto Velho, mas deixou um bom trabalho, inclusive de austeridade, que é obrigação do político, mas raridade nos dias atuais.
Léo é um jovem com futuro promissor na política. Acertou em não renunciar para disputar o Governo do Estado neste ano. Tudo caminha para uma futura vaga no Senado ou para a sucessão estadual.
Mas vamos em frente, porque Porto Velho é uma joia que, aos poucos, vai sendo lapidada. E precisa mais do que nunca de dedicação, empenho, força de vontade, parcerias, simplicidade e trabalho.
Talvez o fomento ao Parque Industrial, que existe, mas não funciona, ajudaria, pois temos condições de industrializar parte da soja e do milho produzidos no município, fomentando empregos e fortalecendo a economia.



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