PORTO VELHO, RO – O secretário nacional da Pesca e pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PT, Expedito Netto, afirmou no podcast RD Entrevista que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi “um golpe político”, mas negou ter entrado para a história como golpista por ter votado a favor do afastamento em 2016. A declaração foi feita durante entrevista conduzida por Vinícius Canova, no programa realizado pelo Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.
Questionado sobre a diferença entre o deputado federal que votou pelo impeachment e o atual integrante do governo Lula, Expedito disse que mudou de posição e atribuiu o voto daquele período ao cenário político da época. “Todos cometem erros no passado. Todos podem mudar de opinião. Aquele que não troca de opinião, aquele que não altera, aquele que não estuda, aquele que não está em constante transformação, se encontra parado”, declarou.
Ao tratar especificamente de Dilma, o pré-candidato afirmou que a ex-presidente não foi afastada por corrupção. “Dizer que a presidente Dilma foi cassada por causa de corrupção, todo mundo sabe que aquilo foi um golpe político. Tanto que ela não ficou inelegível, nós não votamos para ela ficar inelegível, ela não foi condenada por crime nenhum, ela foi condenada por pedalada fiscal”, disse Expedito.
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Foi perguntado, então, se, ao chamar o processo de golpe e ter votado a favor dele, Expedito não se via como golpista. O entrevistado respondeu que não. “Eu não vejo como um golpista. Eu entendo que naquele momento o país estava parado. O país não estava indo nem para frente e nem para trás. E acredito que ninguém pode ser maior do que o país, do que o brasileiro, seja ele quem for o político”, afirmou.
A entrevista também teve forte cobrança de Expedito Netto contra prefeitos e adversários que, segundo ele, estariam omitindo o crédito do governo Lula em obras espalhadas por Rondônia. O pré-candidato disse que pretende manter esse tipo de cobrança durante a pré-campanha. “Essa crítica que eu irei fazer, irei continuar fazendo, irei ser mais enfático, essa crítica vai acontecer em todos os municípios”, declarou.
Segundo Expedito, obras federais, recursos do PAC, ônibus escolares, casas populares e investimentos em infraestrutura não deveriam ser apresentados apenas como resultado de capacidade municipal. Ele afirmou que prefeitos podem ter projetos, mas precisam reconhecer quem liberou os recursos. “Não diga apenas que você é capaz, que você montou o projeto. Lembre-se de quem colocou o recurso. Agradeça quem colocou o recurso. É muito simples ter gratidão”, disse.
Na entrevista, ao reagir a críticas que classificam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como comunista, o petista questionou diretamente essa narrativa e citou o desempenho de empresários durante o atual governo. Ele mencionou o empresário Luciano Hang, conhecido como “Velho da Havan”, para argumentar que o cenário econômico não condiz com a ideia de prejuízo ao setor privado. Segundo o entrevistado, “eles usam pra aterrorizar você, comunista, que o Lula é comunista. O Lula é comunista aonde? O Lula destruiu qual emprego? O Lula destruiu qual empresa?”, acrescentando que Hang teria registrado lucros recordes no período, como forma de sustentar sua crítica ao discurso oposicionista.
O secretário comparou a atual gestão federal com o governo Jair Bolsonaro e afirmou que Rondônia recebeu mais investimentos sob Lula. “O que você tem para apontar de obras do governo passado, tirando terminar uma obra de uma ponte lá no Abunã, que já estava 90% concluída, e uma motocicleta que se foi feita dentro do estado de Rondônia?”, questionou. Em seguida, disse que, no governo atual, há obras em todos os municípios. “No nosso, tu escolhe quantas tu quer. Tu escolhe quantas obras você quer”, afirmou.
Expedito também citou diretamente o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, ao falar da entrega de casas e de recursos federais. Segundo ele, o município recebeu investimentos expressivos e deveria mencionar o presidente Lula. “O atual prefeito da capital recebeu 250 milhões. Ele não cita, em nenhum momento, o nome do presidente Lula”, declarou.
Em outro trecho, o pré-candidato elevou o tom contra a bancada federal de Rondônia ao afirmar que parlamentares que fazem discurso contrário ao governo Lula mantêm indicações em cargos federais no Estado. Ele citou nominalmente Lúcio Mosquini, Thiago Flores e Maurício Carvalho ao questionar a presença dessas indicações. “Lúcio Mosquini, você tem cargo no governo federal aqui dentro do estado de Rondônia? Thiago Flores, você tem cargo dentro do governo federal dentro do estado de Rondônia? Maurício Carvalho, você tem cargo federal dentro do governo do estado de Rondônia?”, declarou, ao desafiar os parlamentares a responderem publicamente.
Instado a responder na sequência, o próprio entrevistado afirmou que essas indicações existem e reiterou a cobrança de forma direta. “Tem, têm”, disse, ao sustentar que os parlamentares mantêm presença na estrutura federal ao mesmo tempo em que adotam discurso crítico ao governo.
Ao ser perguntado se isso seria um jogo de cena, Expedito respondeu que sim. “Aquilo é um teatro, aquilo é um teatro de artista. Eles têm que ir para o cinema, eles têm que ir para a Rede Globo”, afirmou. Antes, em outro momento da entrevista, já havia chamado a bancada federal de Rondônia de “um bando de artista” e sugerido que parlamentares deveriam mandar currículo para emissoras, podcasts ou redes sociais.
A relação com Adaílton Fúria, ex-prefeito de Cacoal e também pré-candidato ao Governo, também foi abordada. Expedito negou que sua pré-candidatura pelo PT faça parte de um jogo combinado com o grupo de seu pai, o ex-senador Expedito Júnior. “Isso é uma grande inverdade. Cada um tem o brilho próprio, cada um tem seu caminho”, disse.
Ele afirmou que Fúria foi politicamente apoiado por ele na eleição municipal, mas disse que hoje ambos seguem caminhos diferentes. “Acho que ele segue o caminho dele, eu sigo o meu caminho”, declarou. Em seguida, fez uma crítica indireta ao ex-prefeito ao comentar afastamentos políticos. “Muitas pessoas que são próximas a ele abandonam ele. Talvez o erro não esteja nas pessoas, esteja nele”, afirmou.
Sobre Confúcio Moura, Expedito disse que a possibilidade de o senador ser candidato ao Governo com apoio do PT é “zero”. Segundo ele, o partido não abrirá mão de candidatura própria ao Executivo estadual. “O Partido dos Trabalhadores não abriria mão e não abrirá mão de uma candidatura majoritária a governo sob hipótese alguma”, afirmou. Ele disse, porém, que deseja Confúcio ao lado do grupo como candidato ao Senado.
Na parte final, Expedito apresentou sua trajetória, citou os mandatos de deputado federal, cargos na Câmara e a atuação como secretário nacional da Pesca. Ele afirmou ter aberto mercados internacionais e defendeu uma candidatura baseada em diálogo, não em ideologia. “Se você pensa que eu estou aqui para defender ideologia, eu não estou. Eu estou aqui para defender a população do povo de Rondônia”, declarou.
O pré-candidato encerrou dizendo que pretende conversar com eleitores de todos os campos políticos e pediu que apoiadores do campo progressista não respondam provocações no mesmo tom. “Mesmo que você receba pancada, responda a pancada com educação. Não desça ao nível de ninguém”, afirmou.



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