O município de Guajará-Mirim (RO), localizado na faixa de fronteira com a Bolívia e prestes a celebrar, no próximo dia 10 de abril de 2026, seus 97 anos de emancipação político-administrativa, enfrenta mais uma vez os efeitos recorrentes da insuficiência estrutural no sistema de drenagem pluvial urbana.
Com a intensificação do período chuvoso — característico do chamado inverno amazônico — diversas avenidas da Pérola do Mamoré têm registrado acúmulo significativo de águas pluviais, evidenciando limitações históricas na infraestrutura de macrodrenagem e microdrenagem. A topografia predominantemente plana do município, associada à baixa declividade natural do terreno, compromete o escoamento superficial, favorecendo a formação de lâminas d’água sobre a malha viária.
Entre os pontos mais críticos, moradores destacam bairros como Serraria e 10 de Abril, além de trechos da Avenida Dr. Lewerger, onde a ausência ou insuficiência de dispositivos como galerias pluviais, bocas de lobo e sistemas de captação e dissipação têm resultado em alagamentos frequentes logo após episódios de precipitação.
Do ponto de vista técnico, especialistas apontam que a expansão urbana desacompanhada de projetos estruturantes de drenagem, aliada à priorização histórica de pavimentação asfáltica sem a devida infraestrutura de escoamento, contribuiu para o atual cenário. A impermeabilização do solo urbano, sem mecanismos compensatórios adequados, eleva o coeficiente de escoamento superficial, intensificando o volume de água acumulada nas vias públicas.
Relatos encaminhados ao site Guajará Notícias indicam que moradores vêm enfrentando transtornos recorrentes, incluindo dificuldades de mobilidade urbana, risco de danos materiais e potenciais impactos à saúde pública, considerando a possibilidade de contaminação por águas servidas misturadas às águas pluviais.
No campo político-administrativo, a demanda por investimentos estruturantes em drenagem urbana ganha centralidade no debate local. Moradores ouvidos pela reportagem solicitam que o Poder Executivo Municipal, sob gestão do prefeito Fábio Garcia de Oliveira, o Netinho, avance na execução de políticas públicas voltadas à ampliação da cobertura de drenagem, conforme diretrizes previstas no planejamento de governo.
A expectativa da população é que sejam implementados projetos técnicos de médio e longo prazo, com base em estudos hidrológicos e hidráulicos, visando não apenas soluções paliativas, mas a consolidação de um sistema eficiente de manejo de águas pluviais, capaz de mitigar os impactos das chuvas intensas que incidem sobre o município durante grande parte do ano.



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