O jornalista Fabrício Marta voltou a se pronunciar publicamente após deixar a TV Globo e fez críticas ao ambiente interno da emissora. Em relatos publicados nas redes sociais nesta terça-feira (28), ele mencionou episódios de bastidores e citou diretamente o apresentador William Bonner.
Fabrício afirmou que decidiu pedir desligamento após conflitos internos, mesmo tendo sido promovido no início do ano. A saída foi formalizada em março, durante o período de Carnaval, enquanto ele ainda estava hospitalizado. “Eu, Fabricio Prado Marta, brasileiro, jornalista, divorciado, venho por meio desta, solicitar o meu desligamento do Grupo Globo a partir da presente data”, escreveu em carta divulgada online.
Segundo o jornalista, a decisão não teve relação com problemas de saúde, mas com o que classificou como incompatibilidade com o ambiente de trabalho. “Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. (…) O pedido foi feito aos meus chefes [por WhatsApp] ainda no hospital e não está atrelado aos infartos, mas a conjunturas internas que não ornavam mais com quem eu sou”, afirmou.
Entre os relatos, ele descreveu uma situação envolvendo o Jornal Nacional e a participação de uma profissional de afiliada em uma reunião. De acordo com Fabrício, William Bonner teria reagido de forma dura ao questionar a presença da jornalista. “William Bonner, nunca vou me esquecer do dia em você foi tomar satisfação, com outro chefe, dizendo exatamente assim: ‘por que, diabos, o Fabricio está enfiando essa mulher de afiliada no Norte, numa reunião do Jornal Nacional?'”, relatou.
Ele também criticou a postura do apresentador na redação e afirmou nunca ter presenciado Bonner sendo contrariado. “Bonner, eu nunca presenciei você ser humilhado na redação. Por que você age assim? Você é casado, tem duas filhas… gostaria que elas fossem submetidas a esse tipo de tratamento doentio, machista, criminoso?!”, declarou.
Fabrício disse ainda que a profissional citada havia sido convidada pela editora-chefe do telejornal, Cristiana Sousa Cruz, o que, segundo ele, contrasta com a reação descrita. “A profissional da Rede Amazônica fora convidada pela sua então nova chefe, Cristiana Sousa Cruz [editora-chefe do JN], que anda de mãos dadas com a polidez. Você, talvez ainda não saiba o que seja isso”, afirmou.
Nos desabafos, o jornalista também mencionou dificuldades no dia a dia da redação, como excesso de reuniões, falhas de comunicação e decisões administrativas que impactariam os funcionários. “Menos sustos por falta de comunicação; menos mal humor de gente amarga; menos de dezenas de ligações non sense; (…) tudo isso menos é paz”, escreveu.
Ele relatou ainda ter sido responsável por comunicar mudanças salariais à equipe, incluindo corte de horas extras, medida que atribuiu à gestão anterior. Para ele, a forma de implementação gerou impacto negativo entre os profissionais. “Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem!”, afirmou.
Por fim, Fabrício também criticou mudanças no processo de seleção de estagiários e questionou a redução da diversidade de perfis. Até o momento, a TV Globo e os profissionais citados não se pronunciaram sobre as declarações.



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