O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (25) que seu Exército irá expandir a "zona-tampão" no Líbano.
"Zona-tampão" é um termo bélico para denominar usado para uma faixa de território usada como uma área de contenção entre duas frentes de combate.
Em publicação na rede social X, Netanyahu disse que Israel está "expandindo essa zona de segurança para eliminar a ameaça de mísseis antitanque".
"Estamos simplesmente criando uma zona tampão maior. Agora, a questão da dissolução do Hezbollah está diante de nossos olhos", afirmou.
A fala ocorre um dia após o ministro de Defesa israelense, Israel Katz, ter afirmado que o país controlará uma faixa de cerca de 30 km no sul do Líbano até o rio Litani.
Katz disse que o objetivo da "faixa" é estabelecer uma "zona de segurança" no Sul após destruir pontes sobre o rio Litani. Segundo ele, as estruturas eram utilizadas pelo Hezbollah.
Além disso, os militares israelenses vão controlar as pontes remanescentes na região, anunciou Katz.
“Todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani", afirmou Katz em reunião de gabinete do Exército.
O ministro israelense acrescentou ainda que os moradores do sul do Líbano que deixaram suas casas não devem retornar: "Não retornarão ao sul do Rio Litani até que a segurança dos moradores do norte de Israel seja garantida”, afirmou.
Mapa mostra pontes destruídas por Israel no sul do Líbano em meio a guerra contra o Hezbollah em março de 2026. — Foto: Lara Bernardino/Arte g1
Operação por terra
Israel realiza uma operação terrestre no sul do Líbano desde o início do mês contra o grupo terrorista Hezbollah. No final de semana, tropas israelenses começaram a demolir pontes sobre o rio Litani, que conectam uma faixa de 30 km no sul do Líbano ao restante do país.
A fala de Katz em "zona de segurança" representa uma escalada ainda maior na operação terrestre e aumenta os temores de que uma invasão em larga escala pode estar por vir. No final de semana, o governo libanês acusou Israel de querer criar uma "zona-tampão" no sul do país
O Hezbollah afirmou à agência de notícias Reuters nesta terça-feira que o grupo vai lutar para impedir que Israel crie uma "zona-tampão" na região e disse que a ocupação israelense no sul do Líbano é uma "ameaça existencial" ao Estado libanês.
➡️ Contexto: O anúncio remete os libaneses a 1982, quando, no contexto da guerra civil, Israel invadiu toda a região. O exército israelense manteve uma zona-tampão entre 10 e 20 km de profundidade até sua retirada completa em 2000, sob pressão do movimento pró-Irã Hezbollah.
Tanque e blindados israelenses posicionados do lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano em meio a escalada bélica contra o grupo rebelde Hezbollah em 10 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Amir Cohen
O ministro israelense voltou a acusar nesta terça o governo do Líbano de não cumprir o compromisso que havia firmado para desarmar o Hezbollah, que isso justificaria a "zona de segurança" no território libanês para garantir a segurança dos cidadãos israelenses no norte do país.
'Zona-tampão'
"Zona-tampão" é um termo bélico para denominar uma faixa de território criada para separar forças hostis e reduzir a chance de confronto direto entre elas. É usada como uma área de contenção entre duas frentes de combate.
O rio Litani, que cruza o Líbano quase inteiramente de leste a oeste, é importante na guerra entre Israel e o Hezbollah porque uma resolução da ONU de 2006, criada para estabelecer outro cessar-fogo, determinou que o grupo terrorista deveria se retirar de áreas no sul do Líbano e utilizou o rio como referência. Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução.



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