Publicada em 19/02/2026 às 15h54
Morando nos Estados Unidos há cerca de sete anos, o ator Wagner Moura afirmou estar apreensivo com o atual cenário político no país. Em entrevista ao jornal El País, ele comentou as políticas de controle migratório adotadas pelo governo de Donald Trump e relatou preocupação com possíveis abordagens de agentes do ICE.
“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE […] E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, declarou.
O ator, que vive em Los Angeles desde que passou a atuar com maior frequência em produções internacionais, explicou que a mudança para fora do Brasil foi estratégica para a carreira, facilitando reuniões e o desenvolvimento de projetos. Apesar disso, afirmou que o ambiente político atual tem gerado inquietação.
Durante a conversa, Moura também comparou o cenário norte-americano a episódios recentes do Brasil. “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades, com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”.
Ele acrescentou que, em sua avaliação, houve uma construção deliberada da imagem de artistas como opositores da população. “A extrema-direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo”.
Moura também abordou o papel das redes sociais no processo político. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação.”
Ao final, afirmou que enxerga uma aproximação entre grandes empresários da tecnologia e setores da extrema-direita. “Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema-direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”.



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