Publicada em 09/02/2026 às 15h16
O que leva jovens a trocarem a carreira no Brasil e até a convivência com a família para enfrentar uma guerra a milhares de quilômetros de casa? Nos últimos anos, brasileiros têm sido atraídos para o conflito na Ucrânia por promessas que nem sempre são cumpridas.
O Fantástico localizou quatro ex-combatentes baianos que chegaram a pegar em armas contra o exército russo. Histórias marcadas por arrependimento, perdas e traumas. Veja no vídeo acima.
Promessas, vídeos de recrutamento e a ilusão do 'salário alto'
João Victor de Jesus Teixeira, que usava o codinome “Arcanjo”, gravou vídeos convocando outros brasileiros para lutar. Hoje, ele diz que se arrepende.
“Eu me arrependo muito de ter ido e de ter chamado pessoas. Vi muitos amigos morrerem. Ali percebi que a guerra não era para mim”, afirmou.
O produtor musical Marcos também embarcou atraído pela promessa de dinheiro fácil — que, segundo ele, nunca chegou a se concretizar. Ele afirma ter sido seduzido por ofertas de salário de “50 mil”, que imaginou serem em reais. Na verdade, tratavam-se de valores em grívnias, moeda local, equivalentes a pouco mais de R$ 5 mil.
“O que vem na cabeça é real".
Sem experiência militar: ‘Tudo o que eu sei, aprendi na guerra’
Redney, outro baiano, tinha um sonho antigo de se tornar militar — frustrado por não conseguir ingressar no Exército brasileiro. Sem experiência alguma, decidiu ir para a Ucrânia movido, segundo ele, por adrenalina.
“Nunca servi o Exército. Tudo o que sei sobre guerrilha aprendi na Ucrânia”, disse.
O plano era ficar 30 dias. Permaneceu 172. Nesse período, viveu sob bombardeios, ficou a apenas 100 metros das forças russas, perdeu 17 colegas — entre eles o paranaense Wagner, o Braddock — e foi ferido por uma granada, ficando com parte do corpo paralisado por dias.
“Ele saiu da trincheira sem equipamento e um drone atingiu. Estava sem colete, sem nada.”



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