Publicada em 10/02/2026 às 15h04
PORTO VELHO, RO - A vereadora Sofia Andrade, do PL, publicou um comentário em uma página de notícias no Instagram em reação à repercussão de um discurso feito por ela na Câmara Municipal de Porto Velho, na sessão da última segunda-feira, 09. A página havia reproduzido, assim como outras contas, uma matéria originalmente publicada pelo portal Rondônia Dinâmica, que relatou trechos da fala da parlamentar após o assassinato da professora Juliana Mattos Santiago.
No comentário, feito diretamente no espaço de interação da publicação, a vereadora demonstrou discordância em relação à manchete utilizada na repercussão do discurso. Ainda assim, reafirmou o conteúdo central do que havia sido dito em plenário, sem recuar das críticas apresentadas. Segundo a parlamentar, a forma como o título foi construído teria priorizado engajamento em detrimento do contexto integral da fala.
RELEMBRE
Após assassinato de professora, vereadora diz que Carnaval tinha de ser cancelado e sobra até para Virgínia Fonseca: “Cadela de homem”
“Engraçado como a manchete é vendida por like”, escreveu Sofia Andrade. Em seguida, afirmou que seu posicionamento estava inserido em um contexto mais amplo de crítica social. “Contexto; a mulher mais vista do país objetifica o corpo, usa uma coleira com o nome do ‘dono’, isso não deveria acontecer para não degradar a figura feminina”, registrou.
No mesmo comentário, a vereadora voltou a relacionar o debate cultural à realidade local de violência contra mulheres. Ela mencionou que Porto Velho estaria entre as cidades com altos índices de homicídios femininos e defendeu que o cenário exigiria ações simbólicas e institucionais mais contundentes. “A cidade que mais mata mulheres no país deveria ter um choque de realidade, algo tão impactante para entendermos que todos os dias enterramos mulheres aqui por violência e todos ficam calados”, afirmou.

Sofia Andrade reforçou a crítica contra Vírginia Fonseca / Reprodução-Captura de tela
A parlamentar também direcionou críticas ao poder público estadual e à estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência. No texto publicado no Instagram, citou o funcionamento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. “Assim como o governo do estado que nem sequer a delegacia da mulher abre aos finais de semana”, escreveu.
Outro ponto retomado no comentário foi a composição da Câmara Municipal e o comportamento do eleitorado. Sofia Andrade afirmou que, apesar de as mulheres representarem a maioria do eleitorado, apenas duas ocupam cadeiras no Legislativo municipal. “Que um eleitorado na maioria feminino só tem 2 mulheres na Câmara. Que mulheres continuam elegendo agressores de mulheres, e isso não deveria mais acontecer”, declarou. A despeito de falar sobre "agressores de mulheres", a vereadora também não os citou nominalmente.
A vereadora voltou a defender a ideia de um gesto coletivo de luto, tema que havia sido abordado em seu discurso na Câmara.
Segundo ela, a realização de festas carnavalescas após o crime poderia ter sido substituída, simbolicamente, por um período de reflexão. “Que poderíamos de forma simbólica ter feito um dia de luto sem festa para refletirmos o caos que as mulheres vivem em Porto Velho, algo que realmente fizesse toda a sociedade parar e ver a dura realidade”, escreveu.
Ao final do comentário, Sofia Andrade convidou os leitores a assistirem à íntegra de sua fala. “Mas convido quem tem interesse em todo o discurso e não em ser ludibriado só por manchetes a ver o vídeo no YouTube da Câmara”, concluiu.
O posicionamento ocorre após a publicação, pelo Rondônia Dinâmica, da reportagem intitulada “Após assassinato de professora, vereadora diz que Carnaval tinha de ser cancelado e sobra até para Virgínia Fonseca: ‘Cadela de homem’”, divulgada em 09 de fevereiro de 2026. O texto relatou trechos do pronunciamento em que a parlamentar abordou violência contra a mulher, críticas ao poder público, defesa de medidas penais mais rígidas e questionamentos sobre a influência cultural de figuras públicas nas redes sociais.
Durante o discurso em plenário, conforme noticiado, a vereadora mencionou uma influenciadora de grande alcance nacional, sem citar nomes, ao tratar do que classificou como objetificação feminina. A referência foi associada à influenciadora Virgínia Fonseca, que havia aparecido em imagens recentes usando uma fantasia de Carnaval com uma coleira contendo o nome do jogador Vinícius Júnior. A fala também se inseriu em um contexto mais amplo de críticas à realização do Carnaval e de defesa de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres.
A publicação no Instagram, feita após a repercussão da matéria, manteve os principais eixos do discurso apresentado na Câmara, reforçando os argumentos sobre violência, representação política feminina, estrutura estatal e influência cultural, ao mesmo tempo em que contestou a forma como o conteúdo foi destacado nas manchetes.



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